NARRADO POR RHAELLA:
O céu de Porto Real estava nublado naquela tarde, o ar denso, pesado, como se o mundo sussurrasse que algo prestes a acontecer mudaria tudo.
Eu observava os telhados da cidade pela janela do meu quarto, tentando esquecer mais uma discussão com Jansey naquela manhã. Ele havia me perguntado, pela centésima vez, se eu estava grávida. Eu não respondia mais. Qual era o sentido? Sabíamos ambos que jamais haveria herdeiros entre nós.
Senti o cheiro antes mesmo de ouvir seus passos: vinho. Jansey entrou cambaleando pela porta, os olhos vermelhos e a voz pastosa.
— Vai me ignorar de novo, vadia de cabelo prateado? -ele rosnou.
Fechei os olhos. A calma que me restava escorreu por entre os dedos.
— Saia daqui, Jansey. Por favor. - pedi, sem nem virar para ele.
Mas ele não ouviu. Ele nunca ouvia.
Em poucos segundos, ele avançou. Me agarrou pelos braços com força e me empurrou contra a parede. As palavras viraram gritos. As mãos dele viraram violência. Senti o gosto do sangue no meu lábio, ele me deu três tapas. Me faltou o ar quando suas mãos apertaram meu pescoço. Por um segundo, achei que ali seria meu fim.
Mas em um impulso desesperado, minha mão encontrou um vaso decorativo. Sem pensar, acertei sua cabeça com ele. O som seco da cerâmica se partindo ecoou no quarto. Ele cambaleou mas conseguiu me jogar no chão.
— GWAYNE! - gritei, com a voz falha, quase sem forças.
A porta se escancarou. Sir Gwayne Hightower surgiu como um raio, os olhos selvagens, a mão já na empunhadura da espada.
— Princesa?! - ele correu até mim, se ajoelhando. — Você está ferida?
Antes que eu pudesse responder, Jansey riu, com sangue escorrendo pela lateral do rosto.
— Ah, então é ele, não é? O amante que deita com a princesa... - zombou, mancando.
Gwayne ficou de pé num salto, olhos flamejantes.
— Não se aproxime dela! - disse, a voz grave.
Jansey recuou um passo. Estava bêbado, machucado, mas ainda assim riu como um lunático.
— Vocês dois... se acham melhores que eu. Mas vão acabar mortos como animais.
Mas ao recuar mais um passo, Jansey não percebeu quão perto estava da janela.
E foi rápido.
Um tropeço. Um grito.
O som do corpo atingindo as pedras lá embaixo pareceu congelar o tempo.
Gwayne e eu apenas nos entreolhamos, em silêncio. Meu corpo tremia. Me sentei na beirada da cama, as mãos pressionando o ferimento no lábio.
Minutos depois, a porta foi escancarada de novo.
Otto Hightower entrou, seguido por dois guardas. Encontrou Gwayne ajoelhado ao meu lado, me observando com preocupação genuína.
— O que aconteceu aqui? - ele perguntou, a voz dura, mas com uma sombra de alarme.
Gwayne levantou-se e olhou diretamente para o pai.
— O Lorde Bolton atacou a princesa. Ela se defendeu. Eu cheguei logo depois. Ele recuou, cambaleou... e caiu.
Os olhos de Otto estavam arregalados. Ele correu até a janela e olhou para baixo, onde o corpo de Jansey jazia entre pedras e sangue.
Pouco tempo depois, meu pai, o rei Viserys, chegou. Seus olhos estavam sombrios, a mandíbula travada. Ele entrou e parou ao ver o estado em que me encontrava: machucada, pálida, tremendo.
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𝑷𝑨𝑺𝑺𝑰𝑶𝑵 𝑨𝑵𝑫 𝑯𝑶𝑵𝑶𝑹 | 𝘎𝘸𝘢𝘺𝘯𝘦 𝘏𝘪𝘨𝘩𝘵𝘰𝘸𝘦𝘳
FanfictionRHAELLA TARGARYEN, a princesa rebelde, era uma garota bela, destemida e atrevida. Aos 19 anos Rhaella precisava se casar com algum lorde de boa família, mas ela sempre desejava se casar com alguém que ela amasse. E então alguns anos depois quando o...
