14. Felicidade dura pouco

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Narrado por Gwayne.

Dois dias após os morte de Jansey.

Era madrugada.

O frio Kings Landing ainda se agarrava às minhas roupas mesmo dentro do castelo. O castelo estava silencioso, exceto pelas chamas crepitando nas tochas do salão onde meu pai me esperava. Otto Hightower. Sempre de pé antes do sol, como se até a luz do dia obedecesse a ele.

— Mandou me chamar? - perguntei, firme, mas sem esconder o cansaço da voz.

Ele me lançou um olhar demorado, avaliando cada detalhe do meu rosto, como se procurasse ali uma fraqueza.

— Gwayne... as pessoas estão começando a falar.

— A falar? E o que isso tem a ver comigo?

— Você sabe muito bem. As criadas comentam. Os cavaleiros também. Até os conselheiros já cochicham. Ele se aproximou, como se quisesse me encurralar com o tom de voz calmo demais. — Você tem passado tempo demais com a princesa Rhaella. Intimidade demais. Mais do que eu percebia antes!

Cruzei os braços.

— Você me chamou no meio da madrugada pra fofocas de criadas?

— Não me provoque, garoto - ele cortou, frio.
— A sua imprudência pode arruinar tudo o que construímos. Você vai voltar pra Oldtown.

— O quê?

— Está surpreso? Achei que fosse mais esperto. Vai sair antes do amanhecer. Sem despedidas. Sem rastros.

— Eu não vou a lugar nenhum - declarei, sentindo o calor subir no rosto. — Você não manda em mim.

— Não? - Ele se aproximou, o olhar duro como aço. — Você acha que tem escolha? Acha que pode se meter com uma princesa viúva Targaryen e sair ileso? Viserys jamais aprovaria uma união entre vocês. Você é só um cavaleiro medíocre com um brasão emprestado. Não um príncipe. E ela será casada com um lorde de alto nome. Está na hora de crescer.

A raiva apertou meu peito. Mas eu não gritei. Apenas encarei.

— Eu amo Rhaella.

Meu pai ficou em silêncio por um instante. Apenas respirando fundo, o maxilar contraído.

— Daqui um tempo, talvez, possa voltar. Quem sabe - disse, como se estivesse me fazendo um favor. — Mesmo que ela esteja deitada ao lado de outro.

— Você fala como se soubesse do futuro. - Soltei um riso debochado. — E se Viserys mudar de ideia? E se ela lutar por mim?

Ele bufou.

— Você vive em expectativas . E expectativas são perigosas na corte.

— Perigosas como você?

O tapa não veio, mas eu vi nos olhos dele que quis. Mas ele respirou fundo, se controlando.

— Saia ao amanhecer. Sem despedidas. Você vai apenas partir, Gwayne. Sem olhar pra trás. Mesmo que doa.

Não respondi. Só o encarei por mais um segundo, até virar as costas e sair.

(...)

Mais tarde, de volta aos meus aposentos, empacotei o pouco que me pertencia. Meu cavalo já estava pronto. Alguns homens de confiança me esperavam aos portões, ainda sonolentos, mas leais. Olhei para a janela, para a torre onde ela dormia.

Não poderia partir assim. Sem nada.

Escrevi às pressas. Uma carta com a caligrafia trêmula de quem está partindo com o coração despedaçado.

𝑷𝑨𝑺𝑺𝑰𝑶𝑵 𝑨𝑵𝑫 𝑯𝑶𝑵𝑶𝑹  | 𝘎𝘸𝘢𝘺𝘯𝘦 𝘏𝘪𝘨𝘩𝘵𝘰𝘸𝘦𝘳Histórias para pegar e não largar. Descubra agora