Narrado por Gwayne.
Dois dias após os morte de Jansey.
Era madrugada.
O frio Kings Landing ainda se agarrava às minhas roupas mesmo dentro do castelo. O castelo estava silencioso, exceto pelas chamas crepitando nas tochas do salão onde meu pai me esperava. Otto Hightower. Sempre de pé antes do sol, como se até a luz do dia obedecesse a ele.
— Mandou me chamar? - perguntei, firme, mas sem esconder o cansaço da voz.
Ele me lançou um olhar demorado, avaliando cada detalhe do meu rosto, como se procurasse ali uma fraqueza.
— Gwayne... as pessoas estão começando a falar.
— A falar? E o que isso tem a ver comigo?
— Você sabe muito bem. As criadas comentam. Os cavaleiros também. Até os conselheiros já cochicham. Ele se aproximou, como se quisesse me encurralar com o tom de voz calmo demais. — Você tem passado tempo demais com a princesa Rhaella. Intimidade demais. Mais do que eu percebia antes!
Cruzei os braços.
— Você me chamou no meio da madrugada pra fofocas de criadas?
— Não me provoque, garoto - ele cortou, frio.
— A sua imprudência pode arruinar tudo o que construímos. Você vai voltar pra Oldtown.
— O quê?
— Está surpreso? Achei que fosse mais esperto. Vai sair antes do amanhecer. Sem despedidas. Sem rastros.
— Eu não vou a lugar nenhum - declarei, sentindo o calor subir no rosto. — Você não manda em mim.
— Não? - Ele se aproximou, o olhar duro como aço. — Você acha que tem escolha? Acha que pode se meter com uma princesa viúva Targaryen e sair ileso? Viserys jamais aprovaria uma união entre vocês. Você é só um cavaleiro medíocre com um brasão emprestado. Não um príncipe. E ela será casada com um lorde de alto nome. Está na hora de crescer.
A raiva apertou meu peito. Mas eu não gritei. Apenas encarei.
— Eu amo Rhaella.
Meu pai ficou em silêncio por um instante. Apenas respirando fundo, o maxilar contraído.
— Daqui um tempo, talvez, possa voltar. Quem sabe - disse, como se estivesse me fazendo um favor. — Mesmo que ela esteja deitada ao lado de outro.
— Você fala como se soubesse do futuro. - Soltei um riso debochado. — E se Viserys mudar de ideia? E se ela lutar por mim?
Ele bufou.
— Você vive em expectativas . E expectativas são perigosas na corte.
— Perigosas como você?
O tapa não veio, mas eu vi nos olhos dele que quis. Mas ele respirou fundo, se controlando.
— Saia ao amanhecer. Sem despedidas. Você vai apenas partir, Gwayne. Sem olhar pra trás. Mesmo que doa.
Não respondi. Só o encarei por mais um segundo, até virar as costas e sair.
(...)
Mais tarde, de volta aos meus aposentos, empacotei o pouco que me pertencia. Meu cavalo já estava pronto. Alguns homens de confiança me esperavam aos portões, ainda sonolentos, mas leais. Olhei para a janela, para a torre onde ela dormia.
Não poderia partir assim. Sem nada.
Escrevi às pressas. Uma carta com a caligrafia trêmula de quem está partindo com o coração despedaçado.
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𝑷𝑨𝑺𝑺𝑰𝑶𝑵 𝑨𝑵𝑫 𝑯𝑶𝑵𝑶𝑹 | 𝘎𝘸𝘢𝘺𝘯𝘦 𝘏𝘪𝘨𝘩𝘵𝘰𝘸𝘦𝘳
Fiksi PenggemarRHAELLA TARGARYEN, a princesa rebelde, era uma garota bela, destemida e atrevida. Aos 19 anos Rhaella precisava se casar com algum lorde de boa família, mas ela sempre desejava se casar com alguém que ela amasse. E então alguns anos depois quando o...
