16. Prazer

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NARRADO PELA AUTORA:

Daemon deu o último beijo.

Foi lento. Quente. Quase carinhoso.

Ele a olhou por um segundo a mais do que devia, como se estivesse tentando memorizar aquele momento. Como se soubesse que seria o último por um tempo. Depois, se afastou sem dizer nada, vestiu a capa escura e deixou o quarto de Rhaella como se fosse apenas mais uma sombra na madrugada da Fortaleza Vermelha.

Rhaella ficou ali, nua sob a pele quente do cobertor, com os olhos fixos na porta fechada. O gosto dele ainda na boca. O corpo ainda vibrando. Mas o coração... pesado.

Ela não dormiu mais.

(...)

Naquela mesma manhã...

O pequeno garoto que havia seguido Daemon e as sobrinhas pela noite foi puxado à força pelos guardas e levado até Otto Hightower. Sujo, ofegante, mas obediente, ele contou tudo o que viu, em troca de uma bolsa de moedas.

— Um bordel - disse.
— Eles estavam num bordel. O príncipe... e a princesa.

Horas depois, o mesmo menino foi visto entregando a recompensa nas mãos de Mysaria, que observava tudo com olhos de quem nunca esquece.

No salão real

— Um bordel?! - a voz de Viserys estourou contra as paredes da câmara real.
— Você tem noção do que está dizendo, Otto?

Otto Hightower se manteve firme, como sempre. Mas havia um brilho nos olhos dele, o tipo que só alguém com uma vantagem carregaria.

— Os relatos são claros. O príncipe Daemon foi visto com suas sobrinhas... e houve toques. Beijos. Indecência.

— E você trouxe isso até mim baseado em palavras de um menino de rua comprado com moedas?

Viserys se aproximou, raivoso, os olhos úmidos de frustração.

— Ou isso é só mais uma tentativa sua de manchar o nome da minha filha, Otto?

Alicent estava presente. Silenciosa. Mas atenta.

Depois que o rei se retirou furioso, ela foi até os aposentos de Rhaenyra. Trancou a porta.

— Diga-me que é mentira - disse, a voz contida. — Diga que não foi ao bordel com Daemon.

Rhaenyra, sentada, sem cor no rosto, apenas balançou a cabeça.

— Fomos. Mas... não aconteceu nada. Ele me deixou lá.

Alicent olhou nos olhos dela por tempo demais.

— Você jura?

— Eu juro que não fiz nada com ele. - Com ele, ela repetiu, em silêncio, pensando em Criston.

(...)

Horas depois...

Daemon retornou aos portões da Fortaleza e foi imediatamente cercado pela Guarda Real. Ele não reagiu. Apenas riu.

Foi levado, sem correntes, mas cercado por lanças, até o Trono de Ferro, onde Viserys já o esperava. A coroa de Passopedra estava jogada no chão como um insulto antigo.

— Você não tem vergonha? - cuspiu o rei.
— Já não basta a vergonha de ontem à noite, agora também mancha o nome da minha filha?

Daemon não respondeu.

— E Rhaella? - Viserys rugiu.
— Também ela? Foi ela quem você levou ao bordel?

Daemon permaneceu ajoelhado. Silencioso. Depois, ergueu os olhos devagar, sem medo.

— Você lembra, irmão, quando nós éramos jovens? - disse.
— Quando saíamos pelas ruas atrás de vinho, de luta, de... prazer? Ou o trono fez você esquecer de quem já foi?

Viserys estreitou os olhos, ofegante de raiva.

— E agora quer usar essa lembrança para justificar o que fez?

Daemon se aproximou um pouco, ainda ajoelhado.

— Por que Rhaella não pode se casar comigo?

— Porque ela é minha filha! - berrou Viserys.

— E eu sou seu irmão.

— E um homem casado! - retrucou o rei, com o rosto vermelho. — Com uma mulher do Vale!

Daemon sorriu.

— E se ela não estiver viva por muito mais tempo?

Viserys ficou em silêncio por um segundo. Depois se afastou.

— Basta. Você será expulso de novo. Vai voltar ao Vale. Para sua esposa. Para sua vergonha.

Daemon ficou imóvel. Depois se levantou com calma.

— A vergonha é sua, irmão. Não minha.

E com passos lentos, ele deixou o salão, como se já soubesse que, mais cedo ou mais tarde... voltaria.



Continua...

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NOTAS DA AUTORA.

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