17. O noivado

356 26 1
                                        

Algumas semanas depois.

NARRADO POR RHAELLA:

O balanço do navio era quase hipnótico. O sol da manhã se refletia nas águas escuras do Mar Estreito, e eu estava encostada na amurada, observando as ondas quebrar contra o casco. Meu vestido azul escuro se movia com a brisa, e meus cabelos grisalhos voavam soltos, como minha mãe gostava de vê-los.

Rhaenyra estava ao meu lado, com o olhar perdido no horizonte. Havia algo diferente nela ultimamente. Uma inquietação que eu não conseguia nomear.

— Você está quieta demais, Nyra - comentei, virando-me para encará-la.

Ela sorriu, mas foi um sorriso vazio, sem brilho.

— Estou pensando no casamento.

— É claro que está. Quem não pensaria? Você vai se casar com Laenor Velaryon, o herdeiro de Driftmark, o homem que... - pausei, escolhendo as palavras com cuidado.
— ...que entende você.

Ela me lançou um olhar rápido, cheio de significado.

— Sim. Ele entende.

Eu me aproximei, baixando a voz para que os marinheiros não ouvissem.

— E Sir Criston?

Rhaenyra empalideceu. Seus dedos apertaram a amurada com força.

Ela ficou em silêncio por um longo momento. O vento soprava forte, trazendo o cheiro de sal e algas.

— Eu me deitei com ele - confessou finalmente, a voz tão baixa que quase se perdeu no barulho do mar. — Na noite em que fomos ao bordel com Daemon. Não com Daemon. Com Criston.

Fechei os olhos por um instante, processando a informação. Sabia que Rhaenyra era impulsiva, mas aquilo...

— E você o ama?

— Não tenho certeza. - A resposta veio imediata, dolorosa. — Mas ele é um cavaleiro da Guarda Real. Jurou castidade. E eu sou a herdeira do trono. Não podemos...

— Não podem o quê? - interrompi, minha voz mais firme do que esperava.
— Serem felizes? Escolherem quem amam?

Rhaenyra riu, mas foi um som amargo.

— Desde quando os Targaryen podem escolher, Rhaella? Você mesma se casou com um monstro que nosso pai escolheu para você.

O golpe foi certeiro. Senti o aperto no peito ao ouvir meu próprio nome, minha própria tragédia, sendo usada como exemplo.

— Sim - murmurei. — E quase morri por causa disso. Mas Gwayne...

— Gwayne partiu. - Ela disse, com uma dureza que não era cruel, apenas verdadeira.
— Ele foi embora e não voltou.

Apoiei minhas mãos na amurada, sentindo a madeira áspera sob meus dedos.

— Eu sei. - Respirei fundo.
— E talvez seja melhor assim. Talvez eu deva me esquecer dele. - Virei o rosto para encará-la.
— Assim como você deveria se esquecer de Criston Cole. Pelo menos por enquanto.

𝑷𝑨𝑺𝑺𝑰𝑶𝑵 𝑨𝑵𝑫 𝑯𝑶𝑵𝑶𝑹  | 𝘎𝘸𝘢𝘺𝘯𝘦 𝘏𝘪𝘨𝘩𝘵𝘰𝘸𝘦𝘳Histórias para pegar e não largar. Descubra agora