Camila aparentava estar tão nervosa quanto eu. Ela mexia as pernas e o corpo impacientemente enquanto conversávamos. Seus olhos vez ou outra se desviavam dos meus e pairavam sobre outra parte do meu corpo ou até mesmo sobre a mesa. Eu ouvia as pessoas conversando ao nosso redor, mas não conseguia concentrar minha atenção em outra pessoa que não fosse na jovem mulher que me acompanhava. A morena estava com o cardápio aberto e percorria as pequenas letras com o olhar centrado, ela parecia confusa quanto ao que escolher.
- Sou a pessoa mais indecisa do mundo. - ela bufou e esfregou suas têmporas.
- Tem um prato que peço sempre. Quer experimentar? - sugeri, encarando seus olhos que agora focavam os meus por cima do menu.
Ela apenas assentiu animada e eu sinalizei para um dos garçons. Optamos por beber apenas uma taça de vinho, tanto a jovem quanto eu estávamos dirigindo essa noite e não poderíamos, de forma alguma, exagerar.
Enquanto aguardávamos nosso jantar, ficamos falando sobre os planos futuros para quando toda essa situação de guerra se resolvesse. Passei mais tempo ouvindo do que falando, é bem verdade. Ela queria constituir uma família. Parecia algo complicado na minha cabeça dada às circunstâncias, mas ela logo adiantou que sonhava em adotar, mesmo antes de descobrir-se gay, pensava nas crianças que perdiam suas esperanças gradativamente em orfanatos espalhados ao redor do mundo e no quanto queria tirá-las disso. Já eu, nunca havia pensado nisso. Sempre me pareceu algo muito distante. Tudo o que sempre desejei, já tinha sido conquistado. Eu tinha um apartamento, servia ao meu país, era médica e independente, e agora ao entrar nesse assunto com Camila, percebi que não havia preparado nada para depois. Minha vida seguiria a mesma rotina sempre.
O garçom aproximou-se e nos serviu o nosso pedido. O cheiro do salmão já estava contagiando o pequeno espaço entre nós duas. Debrucei-me levemente sobre o prato, deixando que o aroma adentrasse minhas narinas.
- Isso parece maravilhoso! - ela apontou para o centro do prato com o talher.
- Prove. Espero que goste. - disse ao sorrir para ela.
Observei a repórter espetar o garfo em um pequeno pedaço do peixe e levar até os lábios. Ela mastigava vagarosamente, fechando os olhos em alguns momentos, como se buscasse apreciar todos os tipos de temperos utilizados. Camila murmurou, balançando sua cabeça em aprovação e só após isso eu tomei a iniciativa de comer.
Não conseguia evitar me surpreender em sua companhia. A cada palavra vinda de seus lábios, mais encantada por Camila eu ficava. A jovem era dotada de um senso de humor absurdo, assim como de uma inteligência e beleza invejáveis. Como se não bastasse tudo, a latina ainda era gentil, doce e dona de um enorme coração.
- O que você pensa sobre os militares? - levei a taça de vinho até meus lábios, tomando um pouco da bebida.
- O que penso de vocês? - ela arqueou uma de suas sobrancelhas. Pareceu pensar um pouco sobre o que responder. - Acho que são corajosos e altruístas por fazerem o que fazem pelo nosso país. - ela assentiu após ouvir a própria resposta, como se concordasse com o que havia dito.
Fiquei feliz com sua resposta. Não deixou de soar como um elogio para mim. Relaxei meu corpo contra o estofado confortável da cadeira e continuei a observá-la. Quando estávamos no Afeganistão, Camila nunca falava sobre a presença militar ou qualquer coisa relacionada à guerra se não fosse para frente das câmeras.
- Mas penso nas pessoas daquele lugar também. - ela levou mais um pedaço do peixe para sua boca, observando seu prato.
- Pensa neles? Como assim? - fiquei um pouco confusa com o que acabara de ouvir e buscava que Camila me esclarecesse.
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Base 17
Fanfiction"E na guerra? Existe amor?" Quando o atentado terrorista de 11 de Setembro desola a nação americana, o governo dos Estados Unidos da América chama para si a responsabilidade e direito de capturar os responsáveis e, consequentemente, combater o terr...
