Sergei abre os olhos, e rapidamente levanta as mãos para cobri-los, pois eles queimam com a
luz. Ele se esforça para ver onde está.
Ele está deitado na lama, em uma encosta íngreme na margem de um rio. Ele vira a cabeça
novamente para longe da luz, cobrindo seus olhos, que parece fazer um buraco em seu crânio. Ele
olha para cima e, vendo que está debaixo de algum tipo de ponte em decomposição, ele se arrasta
para a sombra, recuando cada vez mais para trás.
Finalmente, ele pode respirar novamente, e abre os olhos devagar. Ele faz uma análise da área ao
seu redor, e percebe imediatamente que ele está em Londres. Ele está, de fato, sob a ponte de
Londres, uma ponte que ele poderia reconhecer em qualquer lugar. Ele olha para cima e vê a madeira
podre por baixo, vê as enormes fundações de pedra do outro lado, vê o desfile de barcos que
atravessam o rio Tâmisa. Ele recua um pouco mais, entrando ainda mais embaixo da ponte, e os ratos
correm para sair do seu caminho. Na profundidade e escuridão das sombras, ele começa se sentir
mais normal.
"Ei, você!", diz uma voz. "Esse é o meu ponto!"
Sergei vê um vagabundo se arrastando em direção a ele, segurando um frasco vazio de gim,
cambaleando. "É melhor cair fora, se você sabe o que é o melhor para você!"
Sergei não está com disposição para lidar com um humano agora. Esta viagem de volta no tempo
tinha sido especialmente difícil, e sua cabeça ainda está doendo, como se ele estivesse vivendo mil
ressacas de uma só vez.
"Você ouviu o que eu disse?" o mendigo grita. "Eu vou te ensinar uma li-"
Tendo ouvido o suficiente, Sergei de repente se levanta e ataca. Em um único movimento, ele usa
suas longas unhas para cortar a garganta do homem.
Os olhos do vagabundo se arregalaram em choque quando ele larga a garrafa e estende a mão
para tentar estancar o sangue escorrendo de sua garganta.
Sergei sente suas presas crescerem de repente, e percebe como estava faminto. Este mendigo, ele
percebe, tinha aparecido no momento perfeito.
Vendo as presas que se estendem para fora da boca de Sergei, os olhos do vagabundo se ficam
cinco vezes maiores, e ele cambaleia para trás, fazendo o sinal da cruz enquanto tenta fugir.
Mas já é tarde demais. Sergei agora está faminto. Ele salta pra frente e afunda suas longas presas
no pescoço do homem. O mendigo grita, e Sergei estende o braço e com sua mão livre tampa a boca
do mendigo enquanto suga cada vez mais o sangue correndo em suas veias.
Em poucos segundos, ele sente o corpo do mendigo ficar mole. Ele bebe até ficar cheio e, em
seguida, deixa o corpo inerte cair na lama.
Com o sangue do homem correndo por suas veias, Sergei se sente renovado. Ele olha para o
corpo sem vida, e revoltado, dá-lhe um pontapé.
Ele rola várias vezes e, em seguida, cai dentro do Tâmisa, e começa a flutuar lentamente rio
abaixo. Sergei sorri com a visão, observando o corpo sem vida flutuado pelo rio. Ele imagina a
expressão do pescador que se deparar com ele, vendo-o flutuando ao passar pelo seu barco, e seu
sorriso cresce ainda mais. Ele não consegue suportar a humanidade, e deseja que todo o rio estivesse
repleto de corpos como aquele.
Mas, enquanto isso, ele tem um trabalho a fazer. Ele tinha voltado no tempo mais uma vez se
redimir com Kyle. Ele ainda está determinado a ser o leal servo de Kyle, a liderar o exército dele, e
um dia liderar a guerra contra Nova York, se Kyle resolvesse nomeá-lo, e se ele conseguir encontrar
seu caminho de volta. Ele sabe que tinha cometido um erro em Paris, deixando Caitlin escapar por
entre seus dedos. Ele acha que ele tinha feito o seu melhor para seduzir Polly. Ele a tinha usado e
enganado. Ele sorri com a lembrança. Nada o faz mais feliz do que enganar e abusar de mulheres.
Mas no final, ele não tinha conseguido. E agora, neste momento, e neste lugar, ele iria fazer as
pazes com Kyle. Ele iria encontrar Polly novamente. Ele iria encontrar uma maneira de enganá-la
novamente. Esse é seu passatempo favorito. E uma vez que ele já a tinha atraído uma vez, ele se sente
confiante de que poder conquistá-la novamente. Desta vez, ele usaria Polly para chegar até Caitlin, e
então os ofereceria a Kyle como um troféu.
Sergei sorri ao considerar seu plano. Kyle iria amá-lo para sempre.
O sol está quase se pondo, Sergei está começando a se sentir como um novo homem. A ideia de
se aproveitar de Polly, mais uma vez, o enche de uma alegria perversa. Ele está tão tomado de
alegria, que não consegue se controlar.
Ele se inclina para trás e invocando suas habilidades vocais, canta uma ária de uma sinfonia de
Beethoven. Enquanto canta, com sua voz profissional, cada vez mais alto, habilmente acertando todas
as notas, o som ecoa por baixo da ponte, e, lentamente, uma enorme multidão de espectadores em
cima da ponte fica intrigada, todos querendo saber de onde vem aquele som.
Naturalmente, eles não fazem ideia de que a música vem diretamente debaixo deles, de um
vampiro singular cuja única intenção é destruir todos eles.
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Comprometida
VampirosA Londres de 1599 é um lugar selvagem, repleta de paradoxos: enquanto por um lado é uma época extremamente esclarecida e sofisticada, produzindo escritores como Shakespeare, por outro lado, é também um período cruel de torturas e empalhamentos. É ta...
