Polly se ajoelha ao lado de Scarlet, mergulhando um pano repetidas vezes em um balde de água
fria, torcendo-o, e passando-o sobre a testa e bochechas dela. O coração de Polly está partindo. Essa
pobre criança está ardendo em febre. Várias vezes nas últimas horas, ela havia despertado, gritando
por Caitlin. Polly havia tentando tranquilizá-la, assegurando que Caitlin estaria de volta em breve,
mas Scarlet parece inconsolável.
Ruth, também, parece nervosa. Ela não quer sair do lado de Scarlet, e ela passa a maior parte do
tempo se lamentando, colocando o focinho no peito dela, e rosnando para qualquer outra pessoa além
Polly, Sam ou Lily, que chegue perto. Ruth está agindo como se fosse sua própria filha deitada na
cama.
Polly se sente cada vez mais preocupada enquanto cuida das feridas de Scarlet. Há enormes
marcas cobrindo todo seu rosto, escorrendo pus. Cada vez Polly limpa uma delas, outra começa a
vazar. Ela se sente muito mal pela criança, e fica impressionada com sua valentia, considerando o
quanto aquilo tudo parecia doloroso.
Polly passa a mão pelo cabelo de Scarlet sem parar.
"Eu lhe disse que você é a menina mais corajosa do mundo?" Polly fala, tentando fazê-la sorrir.
Mas Scarlet não está sorrindo. Ela alterna entre se contorcer de dor, e desmaiar.
Do outro lado da cama, Lily se ajoelha ao lado de Caleb, correndo um pano frio na testa dele.
Caleb, porém, está completamente indiferente.
Sam caminha pelo quarto, como um animal selvagem, enjaulado.
"Eu me sinto inútil," diz Sam. "Eu gostaria que houvesse algo que eu pudesse fazer. Eu gostaria
de poder descobrir quem fez isso com eles. Eu gostaria de poder-"
"Por favor, pare com isso," Polly se vira para ele.
Sam para em seu caminho.
"Tudo o que você está fazendo está piorando as coisas," ela fala. "Bater em alguém não vai
mudar a situação."
Polly está quase sem paciência, cansada daquela situação horrível, e ainda com raiva de Sam por
seu comportamento do lado de fora da Globe - por tê-la acusado de amar Sergei.
"Bem, o que mais eu poderia fazer?" Sam retruca.
"Por que você não tenta fazer algo útil," Polly dispara. Ela caminha até ele e coloca o pano
molhado na palma de sua mão. "Cuide de Scarlet. Vou respirar um pouco de ar fresco."
Polly passa por ele e sai pela porta, fechando-a atrás de si.
Polly respira fundo, sentindo-se bem por ter saído um pouco. Ela realmente precisava de uma
pausa de toda aquela tristeza e miséria. E ela precisa ficar longe de Sam. Ela está um pouco confusa
em relação a ele, e isso, acima de todas as outras coisas, é o que está a deixando nervosa. Por um
lado, ela quer estar com ele. Por outro lado, ela ainda está chateada com ele. Ela se sente confusa, e
não sabe o que pensar ou sentir.
"Aí está você," diz uma voz.
Polly se vira na direção do barulho. Para sua surpresa, ali, a poucos metros de distância, está
Sergei. Ela não consegue acreditar.
Ela está se preparando para gritar com ele, mas antes que possa dizer uma palavra, ele levanta a
mão e fala rapidamente: "Eu sei que você está furiosa comigo. E você tem o direito de estar. E se
você é não está mais interessada, tudo bem. Eu não vim aqui para tentar novamente. Entendi o
recado. Eu só vim aqui para fazer as pazes. E para ajudar."
Polly olha para ele, sem saber no que acreditar.
"E como é que você se propõe a fazer isso?" Ela retruca.
Sergei dá meio passo em frente, hesitante. "A peste que Scarlet tem, e que Caleb tem." ele fala,
"Eu conheço uma cura para isso. Eu sei quem os envenenou. Foi Kyle. E eu sei onde o antídoto está.
Eu posso levá-la até ele."
"E por que você faria isso?" Polly rebate, ainda sem confiar nele. "Você ama Kyle."
"Kyle e eu nos separamos. Ele é meu inimigo agora. E como eu disse, eu quero fazer as pazes.
Estou verdadeiramente envergonhado pela forma como me comportei na França. Por favor, me dê
uma chance de fazer as pazes com você. Deixe-me ajudar. Deixe-me dar-lhe o antídoto. Você pode
salvar a todos."
Polly pensa. Ele parece tão convincente, tão genuíno. E por que ele ofereceria aquilo, a menos
que estivesse dizendo a verdade? A ideia dela ajudando a todos a enche de esperança. A visão de
Scarlet e Caleb deitados naquela cama é quase demais para suportar. Se houvesse uma chance que
fosse de encontrar a cura, ela tem que explorá-la.
"Qual é a distância?" ela pergunta.
Sergei sorri.
"Não muito longe. Voe comigo. Eu vou te mostrar. Por favor", ele pede, implorando, "confie em
mim. Eu quero ajudar. Você pode salvar a vida de ambos."
Polly o analisa, tentando usar todos os seus sentidos para detectar se ele está dizendo a verdade.
Mas os seus sentidos estão obscurecidos. Ela quer desesperadamente acreditar nele, acreditar que
existe uma cura. Ela tenta argumentar com ela mesma que sim.
E com Caleb e Scarlet à beira da morte, que escolha ela tem?
"Eu ainda te odeio," diz Polly, "mas vou segui-lo até a cura. E é isso. E então nunca falarei com
você."
Sergei sorri. "Isso é tudo que eu peço."
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Comprometida
VampireA Londres de 1599 é um lugar selvagem, repleta de paradoxos: enquanto por um lado é uma época extremamente esclarecida e sofisticada, produzindo escritores como Shakespeare, por outro lado, é também um período cruel de torturas e empalhamentos. É ta...
