Miwa Akagimi cresceu com sua avó, após ter sua mãe morta e ser abandonada por seu pai.
Seu pai, um pirata desconhecido, era suspeito de ter matado a mãe da garota, que não tinham lembranças de sua infância, então não se conformava com a história qu...
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POV's AKAGAMI
O laboratório de Hogback não era apenas um ambiente de trabalho; era um mausoléu de vontades, um reduto onde a própria essência da vida havia sido violada. O ar ali dentro tinha uma densidade própria, algo que eu sentia não apenas com os pulmões, mas com a espinha. Era um mofo que parecia se infiltrar nas minhas células. Enquanto eu caminhava, o rangido do metal contra o metal ecoava não como um barulho, mas como um gemido contido, um apelo que subia do subsolo do navio e se enrolava ao redor dos meus tornozelos como correntes invisíveis.
Eu estava tentando, desesperadamente, manter a pose. O orgulho, aquele maldito orgulho que me acompanhou por toda a minha carreira na Marinha, sussurrava que eu deveria ser capaz de ignorar aquilo. "Você é uma usuária de Akuma no Mi. Você é uma pirata agora." Mas, enquanto cada passo me levava mais fundo naquela galeria de horrores, percebi que meu orgulho não passava de uma casca fina de papel diante de um tsunami.
Quando me vi sozinha entre gavetas abertas e bisturis que ainda carregavam o brilho opaco de séculos de desuso, o silêncio se quebrou. Não foi um som. Foi um ruído.
No começo, pensei que fosse o navio. Depois, pensei que fosse o meu cérebro tentando se ajustar à pressão daquela ilha. Mas, em questão de segundos, o mundo se transformou em uma cacofonia insuportável. Os zumbis, aquelas coisas que mal podiam ser chamadas de seres, começaram a exalar pensamentos.
Não eram frases estruturadas, não eram diálogos. Eram ecos. Eram fragmentos de memórias que flutuavam no ar como poeira radioativa, cada uma carregando a carga emocional de uma vida inteira que foi interrompida de forma brutal. O ruído... Deus, o ruído. Ele me deixou surda para o mundo exterior.
Eu não conseguia mais ouvir o balanço das ondas contra o casco daquele navio amaldiçoado. Eu não ouvia mais os meus próprios passos. Tudo o que havia era o clamor de mil vozes gritando em uníssono dentro do meu crânio.
"Onde estão as minhas flores?" — Uma emoção de saudade tão aguda que senti meu peito arder.
"Eu não queria morrer antes de ver o pôr do sol." — Um pavor gélido que me fez querer vomitar.
"Por que ele me deixou?" — Uma traição tão profunda que senti uma pontada de ódio puro corroer o meu próprio estômago.
Eu caí. Meus joelhos não suportaram o peso daquelas vidas. O chão de metal frio parecia sugar meu calor, mas eu nem sentia o frio.
Eu só sentia o tudo. Era como se alguém tivesse aberto as comportas de uma represa dentro da minha mente. Eu me vi rodeada. Eles não atacavam, e essa era a parte mais cruel. Eles apenas observavam.
Aqueles corpos costurados, cheios de cicatrizes grosseiras, olhavam para mim com os olhos que, apesar de mortos, carregavam o resto do brilho de um indivíduo.
Eu estava morrendo. Não fisicamente, mas a minha identidade estava sendo dissolvida. Quem era a Miwa? Eu era a capitã da Marinha? A pirata que fugiu? A filha de um pirata que eu nem sabia o nome? A ruiva que o Zoro chamava de lixo? A garota que o Sanji tentava proteger? Tudo isso se tornou irrelevante perante o oceano de agonia em que eu estava afogando.