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POV's AKAGAMI

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POV's AKAGAMI

A névoa de Thriller Bark parecia um pesadelo distante, uma mancha de tinta borrada na memória que eu tentava, sem sucesso, limpar.

Quando meus olhos finalmente se abriram, o que encontrei não foi o mofo das paredes da mansão, mas o teto de madeira familiar do Thousand Sunny.

O balanço suave do navio aquele ritmo oceânico que eu aprendi a amar parecia estar me dando as boas-vindas de volta à existência.

Eu estava fraca. Cada músculo do meu corpo parecia ter sido esticado até o limite e depois cortado. Tentei me sentar, e a dor de cabeça residual me atingiu como um martelo, mas era uma dor minha. Uma dor humana, física, palpável. Nada comparado ao ruído ensurdecedor das almas perdidas que quase me apagaram do mapa.

— Calma. Vai com calma. — A voz de Sanji veio do lado da cama. Ele parecia exausto. Havia olheiras profundas sob seus olhos e o cigarro, que ele costumava fumar com elegância, estava esquecido no cinzeiro, quase todo reduzido a cinzas.

— O que... quanto tempo? — Minha voz soou como um lamento, raspando na garganta seca.

— Dois dias. — Ele se aproximou, me ajudando a encostar os travesseiros na cabeceira. — Você teve sorte de ter aquele médico doido como companheiro. Chopper quase surtou, mas te trouxe de volta.

Eu assenti lentamente, absorvendo a informação. Minha mente ainda estava um pouco "lenta", como se os circuitos psíquicos ainda estivessem tentando se reconectar. Eu me lembrava do laboratório, da mão fria do zumbi, da inundação de memórias que não eram minhas. O trauma ainda estava lá, mas o barulho, o maldito ruído que me deixava surda, tinha diminuído para um sussurro tolerável.

Sanji se sentou na beira da cama. Ele me olhou com uma intensidade que eu não sabia descrever. Havia uma mistura de alívio e uma preocupação quase tangível.

— Miwa... — ele começou, hesitando por um momento.
— O que aconteceu lá dentro... Se você quiser processar, se quiser tentar entender o que aconteceu, ou se precisar organizar suas próprias lembranças que ficaram bagunçadas, eu estou aqui. Você pode ler a minha mente, se precisar. Pode usar a minha clareza para limpar a sua. Não tem problema. Eu confio em você.

Ele estava me oferecendo o seu próprio santuário mental. Ele sabia que eu estava perdida e que a forma mais rápida de me reencontrar seria através de uma mente estável. Sanji, com toda a sua devoção e seu jeito protetor, estava me entregando a chave.

Eu respirei fundo, sentindo uma pontada de gratidão. Eu precisava. Eu precisava saber o que tinha acontecido com a gente, o que tinha mudado. Eu estava prestes a tocar a têmpora, prestes a mergulhar na corrente de pensamentos dele para encontrar as respostas daquela batalha, quando uma sombra bloqueou a luz da porta.

A presença era densa, quase palpável, carregada de uma energia que eu reconheceria em qualquer lugar: a energia de quem tinha atravessado o inferno e voltado.

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⏰ Última atualização: Mar 26 ⏰

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