Capítulo 24 - A dimensão Luthor - Parte I

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"A loba, a velha, aquela que sabe está dentro de nós. Floresce na mais profunda psique da alma das mulheres, a antiga e vital Mulher Selvagem."

Clarissa Pinkola – Mulheres que correm com os lobos

Laboratório pessoal de Lena Luthor, 8 horas da manhã.

Frequências atômicas harmônicas.
Frequências consolidadas.
Reforço harmônico.
E muitas folhas de cálculo...

Tudo o que um bom cientista gosta, certo?

Quando descobri que o cristal de trizirium era capaz de combinar frequências harmônicas de forma tão eficiente — e, com isso, proporcionar um aumento exponencial na produção de energia — confesso que fiquei maravilhada.

Enfim, a humanidade poderia cruzar a barreira que tanto nos limitava em relação a civilizações mais avançadas. Seríamos autossuficientes e teríamos ao nosso alcance uma quantidade praticamente inesgotável de energia limpa e renovável. Seria como ter um sol particular na palma das mãos.

O único problema é que estabilizar uma fissão nuclear tão poderosa e complexa não seria tarefa simples.

Aliás, nada foi simples nesse projeto.

Desde o início, enfrentei inúmeras dificuldades — começando pelo fato de ter acesso a apenas um único exemplar do cristal. Confesso que descobrir que Kara também possuía um deles me deixou intrigada, mas, considerando sua origem extraterrestre, decidi não me aprofundar nisso.

Depois, veio a traição de Andrea, que ousou roubar uma parte importante das minhas anotações.

A única coisa que ela não previu é que ter a fórmula não seria suficiente.

Era preciso mais.

Era fundamental possuir a mesma genialidade de quem a escreveu.

Pensar como um Luthor.
Respirar como um Luthor.
Ser um Luthor.

Algo simplesmente impossível.

—Senhorita Luthor, a quantidade de energia para estabilizar o núcleo do cristal é muito grande, receio que não será possível. Meu conselho é para abortar o projeto.

Fui despertada de maneira abrupta pela voz de Alpha, minha inteligência artificial. Há meses realizo secretamente experimentos com o cristal trizirium. Para minha surpresa, esse poderoso mineral alienígena, além das propriedades energéticas citadas acima, também possui habilidades curativas formidáveis. 

Quando descobri a mutação que estava acometendo o sistema celular de Kara, minha reação imediata foi revisitar meus estudos e cálculos sobre o poder regenerativo desses cristais e de como eles poderiam nos ajudar a resolver esse problema.

—Não! — respondi de forma categórica. —Não agora, que chegamos tão perto! Só mais um pouco e vamos conseguir replicar o cristal artificialmente. — falei completamente encantada com todo o poder que eu estava manipulando. De longe, recriar um cristal alienígena tão poderoso seria o meu maior feito como cientista.

 A luz alaranjada irradiada pelo cristal se dissipou rapidamente pela minha sala. Sua energia era tão forte que, mesmo utilizando todos os equipamentos de proteção possíveis, eu ainda sentia cada célula do meu corpo vibrar, junto às paredes do laboratório. 

No fim das contas, era perfeitamente compreensível a preocupação de Alpha. Um poder tão tremendo assim seria capaz de mandar National City para o espaço.

Certa vez, alguém se atreveu a dizer: "Terás alegria ou terás poder, mas não terás ambos." Bem, eu escolhi ter os dois.

—Senhorita Luthor, o cristal está instável. Estamos desde as 3 da manhã tentando reproduzi-lo. Precisamos rever o projeto, os cálculos.

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