Capítulo 25 - A dimensão Luthor - Parte II

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"Ser nós mesmas faz com que sejamos banidas por muitos outros e, ainda assim, ir ao encontro do que os outros querem faz com que sejamos banidas de nós mesmas."

ClarissaPinkola – Mulheres que correm com os lobos


Olha, eu não sei dizer ao certo em que momento nossa relação evoluiu de uma amizade para uma paixão tão avassaladora. Na verdade, desde a primeira vez em que meus olhos repousaram sobre ela e nossos olhares se cruzaram, eu soube imediatamente que aquele olhar era um caminho sem saída — e que, inevitavelmente, Kara Danvers teria o poder de foder com a minha vida, fosse no sentido figurado ou no literal da palavra.

Ela chegou como uma brisa suave e, pouco a pouco, encontrou uma brecha no meu coração, despertando em mim sensações que jamais pensei ser capaz de sentir por alguém.

De todas as pessoas com quem me envolvi, nenhuma foi capaz de me fazer perder a cabeça como ela. E fazer isso sem nunca sequer ter me tocado intimamente... era algo extraordinário. Kara não precisava me tocar para despertar em mim os desejos mais insanos. E então, o que antes era apenas uma brisa suave tomou proporções de um verdadeiro furacão. Eu simplesmente não conseguia tirá-la da cabeça.

Era como uma fixação — eu via seus olhos por toda parte. Perdi a conta de quantas vezes me toquei imaginando que era ela ali comigo, que eram as suas mãos, o seu toque. Céus... quantas vezes sonhei em tê-la em meus braços, explorando cada pedaço do seu corpo.

Recordar disso faz minha mente retornar a alguns anos atrás...

Al's Dive Bar, National City, 2 anos antes:

Já passavam das duas da manhã, e eu não me lembrava da última vez em que tinha me divertido tanto. Desde que cheguei a National City, aquela era a primeira vez que me permitia sair na companhia de amigos, aproveitar uma boa música, beber alguns drinks e dar boas risadas.

E, por falar em risadas... nem preciso dizer o quanto o som da gargalhada dela é gostoso.

Tenho tentado a todo custo não encarar seus lábios — ou não fazer cara de idiota toda vez que ela sorri, enrugando levemente o nariz, ou quando, de maneira graciosa, ajeita os óculos ao ficar envergonhada.

— Quer um babador, Luthor?

— Não entendi a piada, detetive Sawyer — respondi, revirando os olhos.

— Não foi uma piada. É a verdade. E nem adianta revirar os olhos, Luthor. Aliás, quem deveria fazer isso sou eu, depois de aguentar vocês duas a noite toda nesse chove e não molha.

— Não sei do que está falando — retruquei, já levemente irritada com o tom sarcástico.

— Pensei que os Luthors fossem mais inteligentes. Mas, pelo visto, vocês são péssimos em enxergar o óbvio.

— Detetive Sawyer, quer parar de me esculachar? — arqueei a sobrancelha, tentando intimidá-la.

— Cara... quando você vai perceber que a Little Danvers está na sua? Ou melhor, quando vocês vão se dar conta de que parecem duas patetas apaixonadas?

A resposta me pegou tão de surpresa que acabei me engasgando com a cerveja.

— Pela deusa, como vocês conseguem ser tão cegas? — insistiu ela, afiada.

— E o que você quer que eu faça? Não posso arriscar minha amizade com ela.

— Luthor, se uma mulher me olhasse do jeito que a Kara Danvers olha pra você, em dois segundos ela já estaria na minha cama. Vai por mim: a minha cunhadinha ali é do vale. Se eu fosse você, aproveitava a oportunidade e chegava nela agora... porque tem um cara ali louco pra flertar com ela.

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⏰ Última atualização: Apr 25 ⏰

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