Capítulo 12

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A luz fraca que invadia o quarto me acordou lentamente, mas não sem uma pontada de dor na cabeça que me fez apertar os olhos. Minha boca estava seca, o gosto amargo da ressaca era um lembrete cruel da noite anterior. Virei na cama e encontrei Ha-yun sentada ao meu lado, mexendo no celular e segurando uma caneca de café.

— Bom dia, guerreira. — Ela sorriu, estendendo a caneca para mim. - Parece que você sobreviveu.

— Não posso dizer o mesmo da minha dignidade — resmunguei, pegando a caneca e tomando um gole amargo.

Enquanto o café descia quente pela garganta, os flashes da noite passada começaram a voltar, como um filme desconexo. A briga com Missy. A raiva. E, acima de tudo, a última imagem que eu tinha: Jimin saindo com Missy, a ex-mulher dele, no meio da confusão. Aquilo fazia minha cabeça latejar mais do que o álcool.

Apertei a caneca entre as mãos, tentando afastar as lembranças, mas elas voltavam como ondas. A ideia de Jimin levando Missy para casa me corroía por dentro. Por mais que ele tivesse dito que só queria ajudá-la, não consegui afastar a sensação de traição.

— Ele foi mesmo com ela, não foi? — perguntei, olhando para Ha-yun.

Ela suspirou, como se estivesse esperando por essa pergunta.

— Foi. Mas não parecia que ele queria. Ele estava tenso, Debby. Acho que só quis evitar mais confusão.

Revirei os olhos, tentando conter a dor no peito.

— Ele foi para casa da ex-mulher dele, Ha-yun. Como você quer que eu me sinta com isso?

Ela colocou a mão sobre a minha, me olhando com empatia.

— Eu sei que parece ruim, mas... você não acha que ele só estava tentando acabar com o drama? Ele parecia mais preocupado do que qualquer outra coisa.

Eu queria acreditar nisso, mas as imagens continuavam a me assombrar. O jeito como Missy encostava a cabeça no ombro dele, como se aquele fosse o lugar dela. E ele permitiu.

— E se... — comecei, mas Ha-yun não me deixou terminar.

— Não faz isso com você mesma, Debby. Não agora. — Ela apertou minha mão suavemente. — A pintura. O concurso. É com isso que você tem que se preocupar agora, não com Jimin e as bagunças da cabeça dele.

Suspirei, sentindo a pressão dentro de mim crescer. Eu sabia que Ha-yun estava certa. Tinha um prazo apertado e um quadro rasgado esperando por mim.

— Você consegue terminar a pintura a tempo, Debby. Sei que consegue. — Ha-yun me olhou com firmeza, como se quisesse me ancorar na realidade.

— Não sei se começar de novo é uma opção. — Passei a mão pelos cabelos, exausta. — Mas talvez eu possa... consertar o que Missy destruiu.

Ha-yun ergueu uma sobrancelha, curiosa.

— Consertar? Como?

— Costurar. — Respondi, mais para mim mesma do que para ela. A ideia se formava na minha mente como um lampejo de inspiração. — Vou costurar a tela. Transformar o estrago dela em parte da obra.

Um sorriso começou a se formar nos lábios de Ha-yun.

— Isso é genial. Você pega a destruição dela e a transforma em arte.

— Exato. — Concordei, sentindo a determinação voltar. Era como se cada ponto de costura que eu imaginava fosse uma maneira de recuperar o controle.

Deixei a caneca de lado e me levantei, sentindo a energia se renovar. Tinha apenas um dia para entregar a obra, mas eu conseguiria. Precisava conseguir. Não por Jimin, nem por Missy, mas por mim.

He(art)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora