Capítulo 14

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O restaurante estava cheio o suficiente para ter barulho constante, mas não a ponto de incomodar. Conversas misturadas, copos sendo colocados na mesa, gente entrando e saindo sem prestar muita atenção em quem já estava ali. Era um lugar fácil de ficar.

Jin já estava sentado quando cheguei, encostado na cadeira, mexendo no celular.

— Você demorou — disse, levantando o olhar.

— Não demorei.

— Demorou sim.

Puxei a cadeira.

— Você que chega cedo demais.

— Contei 20 minutos desde a mensagem que você mandou dizendo que estava chegando.

Jin soltou o celular em cima da mesa e bebeu um gole da bebida escura que estava em seu copo.

Ha-yun apareceu logo depois, mais direta, sem nem olhar muito em volta antes de puxar a cadeira.

— Eu quero saber tudo — disse. — E não resume.

— Oi pra você também. — Jin disse ofendido, olhando para Ha-yun ao seu lado. - O que, dormiu comigo, foi?

— Quer que eu responda? — ela respondeu sorrindo ironicamente.

Meu olhar foi de um para o outro, tentando captar qualquer informação perdida.

— Pera aí. Como é que é? — questionei.

Jin pigarreou e se ajeitou na cadeira.

— Você ganhou, não ganhou? - perguntou ela mudando de assunto.

— Eu fiquei em segundo.

Por um segundo os dois pararam e me olharam incrédulos. Fiquei grata de certa forma por eles acreditarem piamente que eu poderia tirar o primeiro lugar. Mas em seguida veio um olhar de compaixão.

— Segundo lugar... — ela repetiu. — E aí?

— Não era o que eu queria. — dei de ombros.

Jin apoiou o braço na mesa.

— Mas também não é ruim.

— Tem razão.

O garçom apareceu e interrompeu a conversa. Pedimos rápido, sem pensar muito, como se ninguém quisesse quebrar o momento com algo desnecessário.

Quando ele saiu, Ha-yun voltou direto:

— E o prêmio?

Passei o dedo na borda do copo.

— Uma residência artística.

Jin levantou o olhar.

— Onde?

— Florença.

Os dois reagiram diferente. Ha-yun ficou mais atenta e pareceu bem animada, já Jin se ajeitou na cadeira e vez um pequeno bico com os lábios, pareceu mais aflito.

— Quanto tempo?

— Oito meses.

Silêncio.

— É tempo pra caramba. — disse ele parecendo indignado. — o que a gente vai fazer sem você aqui?

— Olha, da tempo de vocês casarem e, quem sabe, fazer um filho.

Ha-yun arregalou os olhos e Jin deu uma risada alta, jogando a cabeça para trás.

— Sério, Debby. — disse ela revirando os olhos.

Eu ri por mais um segundo com Jin, que apoiava o braço na cadeira de Ha-yun ao seu lado, antes de sermos interrompidos mais uma vez pela comida chegando na mesa.

He(art)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora