Capítulo 13

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O espaço parecia maior do que realmente era, ou talvez fossem as pessoas e a forma como ocupavam o ambiente, como se cada movimento tivesse sido ensaiado antes de acontecer. Eu parei logo na entrada, não porque alguém tivesse me impedido de avançar, mas porque meu corpo simplesmente não respondeu de imediato. Havia algo no ar, uma mistura de expectativa, julgamento e curiosidade silenciosa que tornava cada passo mais consciente do que deveria ser, como se atravessar aquela porta significasse, de alguma forma, me expor mais do que eu estava preparada.

Passei a mão pela lateral do vestido, alisando o tecido que já estava no lugar, apenas para ter algo para fazer com os dedos. Era um gesto automático, desses que surgem quando a cabeça está ocupada demais tentando acompanhar o que está acontecendo por dentro.

— Você vai entrar ou pretende analisar a porta até o final da exposição? — Taehyung perguntou ao meu lado, com a naturalidade de quem já tinha decidido que aquilo não era um grande evento emocional, apenas mais um lugar.

Virei o rosto levemente, encontrando o olhar dele direcionado para dentro da galeria, como se já estivesse mentalmente lá dentro, enquanto eu ainda tentava entender o peso do momento.

— Eu estou só... — comecei, mas parei, porque não fazia sentido terminar a frase com algo que nem eu mesma conseguia definir.

— Pensando demais? — ele completou, e eu soltei uma pequena respiração pelo nariz.

— Um pouco.

— Ótimo. Então entra antes que comece a pensar o suficiente para ir embora.

Ele deu um passo à frente, sem esperar resposta, e eu fui atrás. Não por impulso, mas porque ficar parada ali parecia uma escolha ainda pior.

A primeira coisa que notei foi a iluminação. Não chamava atenção para si mesma, mas também não deixava nada escapar. Cada obra parecia existir dentro do próprio espaço de luz, como se tivesse sido cuidadosamente posicionada para ser vista exatamente daquela forma. As pessoas caminhavam devagar, parando diante das telas com expressões que variavam entre curiosidade e análise, inclinando levemente a cabeça como se isso ajudasse a compreender algo que, na maioria das vezes, não tinha uma resposta direta.

Meu olhar percorreu o espaço com mais atenção, tentando localizar algo familiar no meio de tantas obras que não significavam nada para mim... até que parou.

Do outro lado da sala.

Sob uma luz levemente mais quente.

A minha pintura.

Não foi um choque imediato. Foi mais lento que isso. Como se, por um segundo, eu ainda tivesse a opção de não olhar diretamente, de manter aquela distância confortável onde tudo ainda parecia sob controle. Mas isso não durou. Meus pés começaram a se mover antes mesmo que eu decidisse, e quando percebi, já estava atravessando a galeria em direção à tela.

Conforme me aproximava, a costura se tornou mais evidente. Não como um defeito, não como um erro, mas como algo impossível de ignorar. Algumas pessoas já estavam paradas diante dela, e o mais estranho era perceber que ninguém reagia da mesma forma. Um homem mais velho mantinha as mãos atrás do corpo, observando em silêncio, enquanto uma mulher ao lado inclinava o rosto, aproximando-se um pouco mais, os olhos presos exatamente na linha irregular que atravessava a tela.

— É intencional, você acha? — ela perguntou para alguém ao lado.

— Tem que ser — a outra pessoa respondeu. — Ninguém deixaria isso passar se não fosse parte da proposta.

Parei a poucos passos de distância, ouvindo sem interferir. Era estranho perceber que aquilo que tinha começado como desespero agora era interpretado como escolha. Talvez fosse isso que mais me expunha. Eles não sabiam do rasgo, não sabiam da noite, não sabiam da forma como minhas mãos tremiam enquanto atravessavam a tela com a agulha. Para eles, aquilo já tinha nascido como arte.

He(art)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora