Acordei antes dele.
A luz ainda estava fraca o suficiente para deixar o apartamento silencioso de um jeito diferente, quase suspenso, e por alguns segundos fiquei parada observando o contorno do corpo dele ao meu lado sem realmente pensar em nada. O lençol estava baixo na cintura, revelando parte das tatuagens e o cabelo caía um pouco sobre os olhos, bagunçado de um jeito que nunca parecia proposital.
Era estranho como aquilo ainda me afetava.
Não o impacto imediato, impulsivo, que existia no começo.
Era pior agora.
Mais calmo.
Mais consciente.
Me movi devagar para não acordá-lo e sentei na beirada da cama, passando a mão pelo rosto antes de procurar a camiseta jogada perto do sofá. O apartamento ainda carregava o cheiro da noite anterior misturado ao frio leve da manhã entrando pela fresta da janela.
Quando saí do quarto, ouvi o colchão se mover atrás de mim.
— Que horas são?
A voz veio rouca, ainda carregada de sono.
Olhei por cima do ombro enquanto colocava água para ferver.
— Hora de tomar café.
Ele soltou um pequeno som de riso e demorou alguns segundos até aparecer na porta da cozinha. O cabelo continuava bagunçado e havia marcas leves avermelhadas espalhadas pelo pescoço que fizeram meu olhar descer por impulso antes de voltar para o rosto dele.
Jimin percebeu.
Claro que percebeu.
O canto da boca dele puxou de leve enquanto abria um dos armários como se ainda lembrasse exatamente onde as coisas ficavam.
Me encostei na bancada enquanto ele preparava as xícaras sem pedir licença, se movimentando pelo espaço com uma familiaridade perigosa demais para alguém que ainda não sabia exatamente o lugar que ocupava na minha vida.
Ou talvez soubesse.
Talvez fosse eu quem ainda estivesse tentando entender.
O silêncio entre nós não parecia desconfortável. Havia alguma coisa diferente naquela manhã. Menos urgência. Menos defesa.
Mais honestidade.
Jimin colocou a xícara na minha frente antes de se apoiar do outro lado da bancada.
— Você já começou a organizar tudo?
Assenti devagar.
— Mais ou menos. Ainda preciso resolver documentos, algumas coisas do apartamento. Umas burocracias chatas. — respondi suspirando.
Ele inclinou a cabeça, observando a mala aberta na sala.
— Oito meses é tempo suficiente pra muita coisa mudar.
Passei os dedos ao redor da xícara quente antes de responder.
— Acho que é justamente essa a ideia.
Ele sustentou meu olhar por alguns segundos e depois desviou para a janela.
— Talvez seja bom.
A frase veio baixa, quase casual.
Mas eu entendi.
— Pra mim?
— Pros dois.
O silêncio voltou.
Ele apoiou os braços na bancada antes de continuar.
— Eu passei muito tempo tentando consertar uma coisa que já estava quebrada faz tempo. E acho que só percebi o quanto aquilo estava me prendendo depois que... — ele parou por um segundo, procurando as palavras — depois que eu conheci você.
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He(art)
Fiksi PenggemarJimin estava decidido a reconquistar a ex mulher. Debby precisava de um modelo para sua obra de arte. Os passos de dança dele a inspiram e a proximidade dela com sua ex mulher o instiga. Um acordo que brota de interesses distintos, cria sentimen...
