Girlfriends?

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(POV BILLIE E.)

Eu passei a semana inteira pensando nisso.

Gostava pra caralho de estar com a Ariana. Do jeito que ela me olhava quando achava que eu não estava vendo, do jeito que ela gemia meu nome baixinho quando achava que ninguém mais podia ouvir, do jeito como ela estava se soltando comigo — aos poucos, mas com uma intensidade que me pegava de surpresa. Eu queria mais. Queria poder chamar ela de "minha namorada" sem medo, sem esse "quase" no meio, sem a sensação constante de que tudo podia desmoronar a qualquer momento.

Então... chega de enrolação.

Escolhi uma sexta à tarde, logo depois da última aula. O céu estava daquele tom alaranjado lindo de fim de dia, e o ar ainda carregava o calor suave de Miami. Levei ela pra minha casa. Meus pais e Finneas tinham saído para resolver coisas relacionadas ao bebê que estava para nascer, então a casa estava silenciosa, só com o barulho distante das ondas que chegava pela janela aberta da sala.

Preparei tudo simples, mas com muito carinho. Um buquê pequeno de tulipas brancas e rosas (as mesmas do primeiro pedido de desculpas, porque eu sabia que ela guardava aquela memória com carinho), uma caixa de chocolates importados que ela adorava, algumas velas aromáticas acesas espalhadas pelo quarto (cheiro de baunilha e lavanda, que eu descobri que ela gostava), e uma playlist baixa tocando no fundo — músicas suaves, nada muito romântico demais para não parecer forçado, só o suficiente pra mostrar que eu tinha pensado nela com atenção.

Quando Ariana chegou, eu estava nervosa demais, o coração batendo forte no peito como se fosse saltar fora. Tentei disfarçar com um sorriso, mas ela me conhecia bem o suficiente para perceber.

— Oi... — falei, puxando ela pra dentro de casa com gentileza e dando um beijo lento, daqueles que a gente dava quando queria dizer muito mais do que palavras conseguiam expressar.

Depois de alguns minutos conversando bobagens no sofá para tentar acalmar o clima, eu segurei as mãos dela com firmeza e a levei até o quarto. Sentei nós duas na beira da cama, sentindo o colchão afundar levemente sob nosso peso. O quarto estava iluminado pela luz dourada que entrava pela janela, tornando tudo ainda mais bonito e íntimo.

— Ariana... — comecei, a voz um pouco rouca de emoção. — Eu preciso conversar com você sobre uma coisa séria.

Ela franziu a testa, preocupada, os olhos castanhos procurando os meus.

— Tá tudo bem? Aconteceu alguma coisa?

— Mais que bem. — respondi, apertando as mãos dela com carinho, sentindo o calor da pele dela contra a minha. Respirei fundo, reunindo coragem. — Eu gosto de você. Gosto de verdade. Não é só atração física, não é só sexo, não é só ficar. Eu gosto de acordar pensando em você, de te ver rindo com suas amigas no refeitório, de te ver se soltando comigo aos poucos, de como você confia em mim mesmo depois de tudo que eu fiz no passado. Eu quero ser sua namorada. De verdade. Quero poder te chamar de minha, te buscar na sua casa todo dia, te apresentar pros meus pais como namorada, brigar por besteira e fazer as pazes com beijos, planejar coisas idiotas juntos... tudo isso. Quero tentar construir algo sério com você, Ariana.

Ariana ficou em silêncio por alguns longos segundos. Vi o medo passar rápido pelos olhos dela — aquele medo antigo, deixado pelas traições de Jai e pela possessividade tóxica de Elizabeth. Ela engoliu em seco, a voz saindo baixa e trêmula:

— Bill... eu também gosto muito de você. Mais do que eu imaginava que conseguiria gostar de alguém depois de tudo que aconteceu. Você me faz sentir segura de um jeito que eu não sentia há muito tempo. Mas... eu tenho medo. Medo de me entregar completamente e você se cansar. Medo de você me trair como o Jai fez. Eu ainda carrego isso comigo todos os dias, mesmo tentando superar.

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