Fechei a porta do quarto atrás de mim.
Respirei fundo.
Coloquei um samba-canção e uma camiseta.
Olhei para a camiseta preta que tinha acabado de vestir
Mayck: Pronto... Agora dá pra cozinhar sem correr o risco da toalha resolver acabar com a minha dignidade.
Ainda ouvi a risada dela vindo da sala.
Aquela risada. Dois anos e três meses.
Foi esse o tempo que eu passei sem escutar aquele som, saí do quarto.
Sarah ainda estava rindo baixinho quando me viu.
Sarah: Sobreviveu.
Abri os braços.
Mayck: Com muito esforço.
Ela mordeu o lábio para esconder outro sorriso.
Sarah: Confesso que fiquei curiosa pra saber se a toalha ia vencer.
Levei a mão ao peito.
Mayck: Sem brincadeira você é cruel
Sarah: Você merece.
Passei por ela em direção à cozinha.
Mayck: Vem.
Ela arqueou a sobrancelha.
Sarah: Onde?
Mayck: Ué você disse que ia ficar, então vai ficar direito.
Ela me acompanhou.
Entrou na cozinha olhando tudo ao redor.
Mayck: Senta aí.
Sarah cruzou os braços.
Sarah: Mandão.
Mayck: Ex-bandido.
Ainda tenho fama pra manter.
Ela riu.
Sarah: Fama?
Olhei para ela.
Mayck: Hoje em dia minha maior ameaça é queimar o arroz.
Ela gargalhou.
Sarah: Graças a Deus.
Abri a geladeira, peguei a carne, ocreme de leite, o ketchup amostarda, omolho.
Depois coloquei tudo sobre a bancada.
Sarah observava em silêncio.
Sarah: Você vai fazer...
Olhei para ela.
Mayck: Strogonoff.
Ela sorriu antes mesmo de perceber.
Sarah: Você lembra...
Continuei cortando a carne.
Mayck: Como eu esqueceria?
Toda madrugada que você acordava grávida do Junior, ru já sabia o que vinha.
Ela começou a rir.
Sarah: Eu era terrível.
Balancei a cabeça concordando.
Mayck: Você acordava chorando.
Sarah arregalou os olhos.
Sarah: Mentira.
Olhei para ela.
Mayck: Verdade.
Sarah: Eu nunca chorei por comida.
Parei de cortar a carne, ohei bem dentro dos olhos dela.
Mayck: Ah pequena..
Você chorou porque eu disse que eram três horas da manhã.
Ela levou a mão à boca.
Sarah: Não.
Mayck: Sim.
Imitei a voz dela.
Mayck: "Então quer dizer que teu filho vai passar vontade?"
Ela começou a gargalhar.
Sarah: Meu Deus...
Mayck: Eu saí igual um maluco procurando carne no congelador.
Sarah já ria segurando a barriga.
Mayck: E quando terminei, você comeu três pratos.
Ela levantou um dedo.
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Non-FictionAviso Este livro é para maiores de 18 anos Sarah é uma jovem dedicada e apaixonada por animais, que se encontra no último ano de sua graduação em Medicina Veterinária. Moradora da bela região litorânea de Santa Catarina, ela está próxima de realizaç...
