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De manhã, senti-me como uma criança. Sabe, naqueles tempos que você dormia no sofá e no dia seguinte acordava na cama, e ficava todo confuso. Agradeci ao favor de Mat com um beijo em sua testa. Se tivesse ficado no chão, minhas costas estariam me matando. Peguei sua camiseta preta que estava jogada na ponta da cama, e a vesti. Levantei-me e fiz uma careta de dor ao colocar o peso sob as pernas. Eu sentia uma leve dor ali no meio; mas claro que era normal então ignorei.

"Por favor, vá devagar" sussurrei com as mínimas forças que consegui reunir.
Ele atendeu ao meu pedido, indo e voltando lentamente, enquanto beijava meus lábios, pescoço e clavícula. Eu fazia barulhos cada vez mais altos, até que ele parou, sorriu safado para mim, e eu com cara de confusão. De repente, ele enfiou tudo com força o que me fez gritar alto, sentindo um pouco de dor mas principalmente prazer...

Filho da mãe.

Resolvi percorrer a casa. A cada corredor que eu passava, cada porta, cada curva, eu tinha flashbacks da noite anterior, não conseguindo evitar um enorme sorriso brotar nos meus lábios.
Lembrava de como ele foi devagar, o movimento de seus quadris, os toques, as massagens, as provocações citadas no meu ouvido... e a pequena traição ao me fazer berrar.

Aumentei o passo, indo para a cozinha, e novamente uma fincada e dor apareceu entre minhas pernas. Fiz um café, e vi que eram 9:48 da manhã. Poxa, minha mãe deve estar preocupada comigo...

Fui interrompida de meus pensamentos por dois braços fortes que abraçaram minha cintura. Virei-me, vendo o belo garoto com seu sorriso maravilhoso, o que me fez sorrir também. Ele me beijou e me desejou um bom dia. Desejei o mesmo para ele, esperando que realmente tivéssemos um bom dia.

"Alexia, não tenho escolha, preciso ir com meu pai. Mas você não precisa ficar aqui..."

"Não posso abandoná-los, Mat. Não posso simplesmente ir embora com você sem mais nem menos..."

"Então, case comigo"

Quando entrei em casa, logo vi minha mãe andando de um lado pro outro, com o telefone na mão. Fiquei só olhando por alguns segundos mas mesmo assim duvidei de que ela pudesse fazer um buraco no chão de tanto andar respetivamente no mesmo lugar.

Assim que me viu, ela largou o telefone deixando-o cair no chão e vindo em minha direção, abraçando-me.

- Jesus, Maria, José! Onde você estava? Liguei milhares de vezes para seu celular e você não atendeu! Para onde foi ontem a noite? Não se machucou, certo? Nenhuma bomba chegou perto, certo?

Olhei para meu celular no bolso do meu jeans e logo lembrei que ele estava sem bateria, e expliquei isso para minha mãe, dizendo também que havia passado a noite na casa de Mat.

Ela me olhou com um olhar suspeito.

- Ah, então é esse o motivo daqueles gritos ontem à noite...?

- O quê? Não! - pude sentir minhas bochechas ficarem vermelhas, enquanto via minha mãe sorrir maliciosamente. - Quer dizer, que gritos? - gaguejei.

Ela gargalhou, balançou a cabeça e saiu, deixando-me naquele medo de a rua toda saber o que aconteceu na noite anterior.

Já fazia uns dois minutos que eu estava abraçada a Mat. Meus olhos fechavam-se com força, fazendo-me sentir melhor meus últimos instantes com meu melhor amigo. Eu sentia seu corpo junto ao meu, sem nenhum espaço que nos separava, como na noite anterior; sentia meu pescoço umidificando-se por causa de suas lágrimas, e as minhas molhando seu peito encoberto pela blusa.

Eu não encontrava coragem para desenterrar meu rosto de seu peitoral forte, pois sentia que qualquer movimento diferente do que estávamos fazendo tiraria ele de mim para sempre. E era isso mesmo que aconteceria.

Mat finalmente afrouxou seus braços e segurou meu rosto com as duas mãos. Coloquei as minhas por cima das suas e o olhei nos olhos, querendo ter uma força enorme para pegá-lo no colo e correr para longe, como na noite anterior, e sequestrá-lo, fazê-lo ficar comigo aqui.

- Você ainda não me respondeu - murmurou ele.

- O quê? - eu sabia do que ele estava falando, mas queria ter certeza que foi real.

- Case comigo, Allie. Vamos embora juntos! Vamos cuidar um do outro e sermos felizes! É para o seu próprio bem.

- Não...não posso abandoná-los - disse, abaixando os olhos - Desculpe, Mat. Eu te amo. - ele encostou sua testa na minha - Foi muita sacanagem você fazer aquilo comigo na noite anterior à sua partida.

- Ah, relaxa - sorriu - Quando eu voltar, você vai estar cheia de tesão e vai ser muito melhor. Vou te matar na cama mas vai ser uma morte feliz.

Cobri meu rosto com as mãos, constrangida.

- Espera, então você vai voltar?

- Quem ama de verdade sempre volta, mineirinha.

Dizem que quando alguém te dá um beijo muito intenso, por um segundo você pode ficar surdo. Mas, no momento que Mat me beijou, pude ouvir tudo. Os pássaros voando ao longe, o motorista o chamando, nossos corações batendo sincronizados. Até mesmo no meu ouvido ensurdecido pela bomba.

Ele deu um beijo longo na minha testa, e se afastou. Rapidamente senti um vazio dentro de mim e uma vulnerabilidade enorme dominar meu organismo. E pela segunda vez, vi parte da minha vida entrar em um carro e sumir para um lugar que não garantia passagem de volta.






















Nota da autora

Como vocês já perceberam, tem wifi sim na onde eu fui viajar u.u eu não ia postar esse capítulo porque eu tava com preguiça, mas pensei nos meus leitores e terminei de escrever de última hora e.e
Olha só, que escritora dedicada hue
<3

Vlw
Flw

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