Levanto minha mão, que vai direto no rosto do meu irmão. Meu ato foi intencional, mas fico arrependida por ter o feito.
Eu e meu irmão sempre fomos muito amigos. Sempre ríamos e brincávamos um com o outro. Quando crianças, nós íamos ao parque e passávamos a maior parte do dia por lá. Ele é mais velho e sempre tomou atitudes adultas. Sempre foi, e ainda é, o responsável da família.
Costumávamos andar um ao lado do outro. Um dando apoio ao outro.
Também brigávamos muito, como qualquer irmão. E depois sempre pedíamos desculpas. Sempre foi assim. Sempre é assim.
Não estou sentindo falta de ter meu irmão por perto, porque ele está sempre presente. Disso eu não posso reclamar. Mas de uns tempos pra cá, Thomas está presente fisicamente, e não sentimentalmente. Não como era antes.
A fase adulta é uma coisa nova pra ele, e meu irmão precisa ter seu momento sozinho, porém isso não lhe dá o direito de me esquecer. Não que isso tenha acontecido rotineiramente, mas mesmo assim eu sinto falta.
Lembro que não nos desgrudávamos por nada, isso na época da infância. As coisas vão mudando e o tempo passando, e algumas pessoas crescem e possuem maturidade, mas Thomas parece ter ainda cinco anos de idade.
-Você me bateu. –Diz. Sim, eu bati. E tenho meus motivos. –Você bateu no meu rosto. –Ele me encara, olhando profundamente nos meus olhos, o que acaba me deixando com mais medo. Estremeço por inteiro e sinto que meu irmão descontará o ato.
-Eu sinto muito... –O que é verdade.
Sinto muito por ter batido em sua cara. Sinto muito por ter ser cruel quando ele mais precisa. Quero voltar no tempo e desfazer o erro que cometi, mas isso é inevitável e não posso reverter nada.
-Por que você fez isso? –Pergunta, diminuindo o tom de voz, me deixando mais relaxada.
-Eu não sei. Olha para seu estado, Thomas. –Meus olhos lacrimejam e logo estão cheios de água.
Como fiz na noite passada, o abraço e molho sua camisa com minhas lágrimas.
Depois de um longo tempo em silêncio, levanto-me e empurro meu irmão em direção ao banheiro. É uma situação vergonhosa, mas lhe dou um belo banho e o coloco para dormir.
O cubro com um edredom quentinho e dou um beijo na sua testa.
-Boa noite. –Sussurro em seu ouvido antes de sair.
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Ainda estou com a toalha em volta do corpo, o que é embaraçoso.
Visto meu pijama e vou me deitar também. Preciso de uma bela noite de sono. E fico feliz por amanhecer sorridente.
Vou até a cozinha e sinto um cheiro bom pairando pelo ar. Margaret está fazendo o café e eu, imediatamente, me sento numa das cadeiras e aguardo o momento em que ela irá me servir.
-Bom dia. –Cumprimenta.
-Bom dia, Maga.
Ela também está sorridente, me deixando ainda mais feliz.
-Por que ainda não se arrumou, docinho? –Pergunta. Eu não entendo sua pergunta, então interrogo.
-Me arrumar pra que?
Ela ri, mas logo depois fala novamente.
-Desculpe, esqueci de te avisar. Seus pais chegarão hoje e querem passear com você, pois devem voltar no mesmo dia. –Arregalo os olhos. Fico feliz e triste ao mesmo tempo. Como eles não podem ficar por aqui muito tempo, quero aproveitar o máximo possível.
*NOTAS DO AUTOR*
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Até quinta-feira!
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Georgia
Teen FictionGeorgia nada mais é que uma garota de dezesseis anos, com muitos sonhos e um futuro já planejado em sua cabeça. Porém, o destino que imagina é totalmente diferente do que realmente será. Dois garotos surgem na história, trazendo junto à eles, acon...
