capítulo 29

366 49 17
                                        

D

Não preciso dizer a Lara que este telefonema é sobre ele...

Ela nota o pânico em meu olhar e desmaia.

Fico em choque ao ver minha melhor amiga cair no chão da sala e eu não consigo fazer nada.

Minhas pernas estão tremulas, se eu der um passo a frente também estarei no chão.

Sinto um embrulho no estômago ao lembrar o que a irmã do Murilo acabara de me dizer.

Não sei como contar isso a ela...

Não sei como dizer para que ela não se sinta culpada...

Não sei como dizer que ele está no hospital...

Não sei como dizer que Murilo tentou suicídio.

***

-Nos traga uma garrafa com álcool. Precisamos acorda-la.

Diz Henry pegando Lara no colo e a depositando no sofá.

Esqueço o medo e as pernas tremulas e corro até a cozinha buscando uma garrafa com álcool entregando a Benicio que está de joelhos ao lado dela.

-Faça ela acordar...

Digo em meio as lágrimas.

Ele aproxima o álcool do seu nariz e nada...

Choro.

-Faça ela acordar... Por favor.
-Ela vai acordar. Tenha calma.

Sussura Henry.

Os segundos se passam quando Lara balança a cabeça de um lado para o outro abrindo os olhos devagar.

-D...

Ela me chama.

-Estou aqui.

Respondo sentando na ponta do sofá.

-É ele não é?

Pergunta com um mero sussurro.

-Sim coração. É ele.

Dizendo isso, duas lágrimas caem dos seus olhos.

-O que aconteceu?

-Antes de contar o que houve, eu quero que saiba que você não é culpada de nada. Já está para completar um ano desde que saiu daquela casa e da vida dele... Então o motivo que o levou a fazer isso não é culpa sua.

-O que ele fez?

Silêncio.

-Responda-me D.

Engulo em seco e conto a ela.

-Murilo tentou suicido.

Ela tapa a boca com as maos contendo um grito, mas seus olhos demostram todo o pânico que ela sente nesse momento.

-Alguém o deixou sozinho. Ele não podia ficar sozinho um minuto se quer. Murilo sempre dizia que tinha vontade de tirar a própria vida... Esse eram um dos motivos que me faziam ficar lá D. Eu não queria que ele fizesse isso consigo mesmo.

-Não sei o porque dela ter ligado para contar sobre isso.

-Para que eu me sinta culpada?

-Pensando bem possa ser que sim.

Falo dando de ombros.

-Por que disse a ela que estávamos indo para lá?

-Não sei. Disse sem pensar.

Rebelle FleurOnde histórias criam vida. Descubra agora