Capítulo XVIII

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  Depois de passar por uma situação tão traumática como o cárcere, a cabeça de Marcos parecia que ia explodir, os pensamentos se sucediam com uma velocidade estonteante, a adrenalina percorria suas veias fazendo com que o coração batesse muito rápido, o advogado tentava se acalmar e pensar no que ia fazer, porque ele precisava concentrar sua energia em algo. Antes de todos os acontecimentos desde a morte de seu irmão, ele resolveria isso trabalhando, mas agora tudo mudou e ele precisava seguir o seu plano de vingança, as pistas eram poucas, mas ele sabia que havia uma casa na zona sul da cidade onde vários homens de Rogerinho se encontravam, poderia ser perigoso, mas era por lá que ele teria que começar.
  A noite acabara de cair em São Paulo, e com ela as piores coisas surgiam, principalmente naquela área da cidade. Menores de idade fazem coisas que nem  adultos deveriam fazer, adultos fazem coisas ainda piores, e a maioria das pessoas não se indignam com essa situação, muitas vezes ignoram tudo isso é continuam vivendo suas vidas. Marcos é só um homem e não poderia mudar essa situação, mas naquela noite fria ele tentaria melhora-la.
  A casa era grande, ocupava quase todo um quarteirão, e contrastava com resto do bairro onde estava localizada, existia um fluxo intenso de pessoas em frente, algo ali não estava certo e Marcos ia descobrir o que era logo. Uma rua depois da casa havia um sobrado abandonado e a varanda ficava na direção da casa, era um ótimo lugar para uma tocaia. Marcos arrombou a porta e subiu até o segundo andar, onde encontrou o quarto que tinha a varanda e ficou observando, com a ajuda de um binóculo, a movimentação dos capangas dentro e fora da casa, e dentre desses capangas, um se destacava, um homem que devia ter por volta de 30 anos, um metro e oitenta e cinco de altura, os cabelos negros e a pele bronzeada, era forte e com um semblante sério, tinha um ar de superioridade e não parecia gostar de ser contrariado, dava as ordens com autoridade e com uma pistola, ameaçando á seus empregados , aquele, sem sombra de dúvida, era um homem de muita importância, chefiava aquela operação mas não era Rogerinho, sendo assim, tinha que ser Caveira. Todos os capangas estavam agitados, carregando caixas e objetos de um lado para o outro, de acordo com as ordens, aquela devia ser uma mega operação, seria a hora perfeita para mandar um aviso ao traficante, derrubar essa operação faria ele perder dinheiro e confiança, e não há nada pior para um homem deste tipo do que perder dinheiro e ficar desacreditado.

  Já haviam se passado 15 minutos desde que Marcos tinha chegado aquela varanda, quando um carro luxuoso adentrou ao quintal da casa, de dentro dele saíram dois homens armados com fuzil, e pararam em frente ao carro, então a porta de trás se abriu e um homem saiu, era um homem magro, um pouco mais baixo que Marcos, moreno e usava o cabelo bastante curto. Os primeiros passos dele demonstravam uma arrogância acentuada, era o tipo de homem que gostava de demonstrar que era o chefe em todos os seus atos, apesar de estar longe, Marcos conseguia sentir o quanto aquele homem era execrável.  Assim que o homem cumprimentou Caveira, todos pararam o que estavam fazendo e ficaram observando, aquela reação só ratificava o que Marcos já estava suspeitando, aquele era o homem que mandou matar seu irmão, aquele era Rogerinho, e agora o advogado sabia que ele precisava entrar naquela casa. aquela era a chance dele concluir sua vingança. Mas era impossível simplesmente invadir o local, ele havia contado mais de 20 homens, todos armados, isso somente no quintal, poderia ter muito mais no interior da casa, era muito difícil de prever o que aconteceria, então mesmo com toda aquela raiva que o corroía por dentro, ele decidiu se acalmar e procurar o melhor jeito para agir.

  Apesar de no mínimo vinte homens estarem no quintal da casa, do lado de fora dela, fazendo a a segurança da entrada, só haviam cinco, que se revezavam para fazer uma espécie de ronda a cada quinze minutos. Nessa ronda, dois saíam pela esquerda e dois pela direita para dar a volta no quarteirão, deixando um capanga sozinho, era a chance perfeita. Ele esperou até que a ronda acontecesse novamente, de surpresa golpeou o homem com um coronhada, passou pelo portão e se escondeu. 

  Ele entrou, e uma vez lá dentro, era só ele, sua 9mm e Deus.


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