Enquanto Perseu esperava, Célia estava impaciente com tudo o que estava ocorrendo e sem nenhuma notícia de Edite começou a se desesperar, precisava conversar com alguém e resolveu quebrar o silêncio com Perseu, ao se aproximar de Perseu, Célia percebeu que ela não era a única que precisava conversar naquele momento, e sem pensar duas vezes, sentou-se calmamente ao lado de Perseu e lhe disse:
- Perseu, sei que deve estar cansado, com a cabeça a mil, cheio de pensamentos conturbadores, mas quero que saiba que estou aqui caso queira conversar.
Perseu ainda de cabeça baixa escutando tudo aquilo que Dona Célia lhe dizia, levantou-se rapidamente e olhou para os olhos de Célia que permanecia sentada, foi quando a puxou com delicadeza por uma de suas mãos e lhe disse:
- Dona Célia, vamos conversar, só não quero que seja aqui.
Célia o acompanhou em direção à saída do hospital, ao lado de fora do hospital ainda acompanhada de Perseu, sentaram em um dos bancos que existiam em frente à entrada do hospital.
- Dona Célia, eu preciso muito conversar com a senhora, sei que não é o momento certo, mas sinto que vou enlouquecer.
Enquanto Célia ainda ficava somente observando, Perseu pegou a caixa preta que havia colocado em um espaço que sobrou do banco em que estavam e colocou em seu colo, Célia acompanhava com os olhos toda a movimentação de Perseu.
- O que tem dentro desta caixa Perseu?
- Dona Célia, Edite estava mesmo me traindo e agora posso ter toda a certeza, encontrei essa caixa que como pode ver, tem todos os registros e que não me deixam nenhuma dúvida.
Célia pegou a caixa que estava ao colo de Perseu, e enquanto a via folhear os envelopes e papéis que haviam soltos por alguns minutos, Perseu lhe disse:
- Eu a amo tanto! Porque ela fez isso comigo ?
- Perseu, não fique assim, tente perdoa-la, converse com ela, eu sei que ela te ama muito.
- Como Dona Célia ? Isso é amor pra senhora ? Não está vendo o que tem dentro desta caixa ? A senhora acha realmente que isso é amor?
Célia ficou em silêncio por alguns instantes, ela assim como Perseu, não tinha dúvidas que sua filha estaria o traindo com Thomás, e sentia a tristeza de Perseu.
- Perseu, tente conversar com ela quando tudo isso acabar, veja o que ela tem a te dizer
- Me desculpe! Eu não conseguiria.
-Claro que consegue Perseu, veja o histórico de tudo o que está acontecendo, Meu marido foi preso por ter assassinado Thomás, Edite está em estado grave, e vocês vão ter um filho juntos, tente conversar com ela para que vocês possam recomeçar a vida de vocês e chega de catástrofe.
- Me perdoe Dona Célia, se Reinaldo não o tivesse matado eu mesmo o mataria!
- Você não sabe o que está dizendo!
- E outra Dona Célia, nem sei realmente se este fruto que irá nascer seria meu.
Célia com os olhos cheios de lágrimas engoliu a seco enquanto Perseu se levantava e ia em direção à entrada do hospital. Célia ainda com a caixa em suas mãos começava a ler as conversas que Edite e Thomás trocavam, e não podia acreditar que sua filha fosse capaz de jogar todo seu casamento fora.
Passados alguns minutos, Célia decide ir procurar Perseu e até mesmo saber notícias sobre o estado de Edite, ao entrar no hospital se deparou com Perseu conversando seriamente com Dr.Gomes, ao se aproximar foi logo perguntando o que estaria acontecendo.
- O que houve Dr?
Perseu antes mesmo que o Dr pudesse falar alguma coisa lhe respondeu
- Calma Dona Célia, irá ficar tudo bem.
- O que houve Perseu ? Edite está bem ?
Neste momento o Dr.Gomes achou que deveria lhe contar o que havia acontecido e sobre o estado de Edite.
- Dona Célia, tivemos que fazer um parto de emergência, ou perderíamos tanto a filha da senhora quanto o bebê.
- Como eles estão Dr? Eles estão bem ?
- Eles irão ficar, o bebê está sob os cuidados necessários, e sua filha precisa urgentemente de um doador, ela perdeu muito sangue, mas com a ajuda de Perseu que tem o mesmo tipo de sangue que Edite, ela ficará bem, ele se propôs a doar o sangue dele pra recuperação de sua filha.
Célia com os olhos em lágrimas olhou rapidamente para Perseu, e disse em tom baixo.
- Obrigada!
Perseu passou as mãos em seus ombros, se aproximou como quem fosse dar um abraço e lhe disse:
- Irá ficar tudo bem, fique tranquila.
E saiu junto com Dr Gomes para o andamento no processo de doação. Celia sentou-se em uma das cadeiras de espera, e começou a pensar na atitude de Perseu, em tudo o que tinha acontecido, Edite estava precisando e ele se pôs a ajudá-la, com isso ela encheu o peito de esperança e começou a achar que no meio de tantos desastres, talvez a vida de Perseu e Edite não teria um fim, e os dois poderiam recomeçar depois de tudo, foi quando então começou a sentir um enorme carinho pela pessoa de Perseu.
Terminando de assinar toda a papelada, Perseu e Dr Gomes iam em direção à sala de coleta, quando o Dr interrompendo seus passos lhe disse
- Espere, quero lhe mostrá-la!
Parou em frente a uma porta e abriu bem devagar, Perseu não conseguia ver realmente o que era pela brecha da porta, foi quando o Dr lhe disse:
- É sua filha, ela ficará bem!
Neste momento Perseu permaneceu parado, era como se um filme passasse em sua memória, ele estava se sentindo completamente diferente de alguns minutos atrás, toda aquela raiva e angústia que estava sentindo parecia ter sumido.
- Vamos Perseu, Edite não pode esperar!
Essas foram as ultimas palavras do Dr.Gomes antes de fechar a brecha da porta.
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Efeito do pecado
SpiritualitéMentiras, dúvidas e confrontos faram parte da vida de Perseu e Edite. O que parecia aos olhos de muitos um casamento perfeito, acabaria se tornando um terror graças ao poder do pecado.
