Capitulo 3

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Rodrigo estava parado na porta para se despedir dos seus alunos.
- Olá professor.
- Olá.
- Eu me chamo Wendy, e sabe...
- Diga.
- Queria ter umas aulinhas de química com o professor, em particular... se é que me entende.
- Eu sou um profissional de respeito.
- Ah, qual é. - As amigas dela surgiram atrás - Nós vimos como o senhor olhou para a novata, e vimos como seus olhos brilhavam.
Elas saíram
Logo atrás, veio Júlia.
Ela olhou para o seu professor e abaixou novamente a cabeça.
- Novamente peço desculpas por estar lendo em sua aula.
Rodrigo levantou seu queixo com um dedo, e disse:
-Eu te entendo, eu fazia isso no meu tempo de colégio. - Ele corou quando percebeu o que estava fazendo, suas mãos, já estavam indo para a nuca dela... ele a retirou rapidamente.- Bom, ãn, me desculpe pelo jeito que fui até você e me desculpe por agora.
Ele virou as costas, olhou de lado e simplesmente saiu.
POV: Okay, isso foi estranho.
Ela desceu as escadas, até o refeitório. Pegou seu almoço e foi se sentar, sozinha. Com uma das mãos ela levava os alimentos até a boca, e com a outra segurava o livro.
Entre uma garfada e outra, ela avista Johnny, com uma garota baixa, de cabelos negros.
Júlia se levanta, e sobe as escadas e vai até o seu armário, ao abrir caí um bilhete rosa, com um número de telefone. Era do Johnny
'' OI, EU SOU O CARA QUE DERRUBOU O SEUS LIVROS HOJE... LEMBRA? QUERO QUE SEJAMOS AMIGOS, E MAIS UMA VEZ, LHE PEÇO DESCULPAS... AQUI ESTÁ MEU NÚMERO. 55996587''
O rosto dela corou, nunca ninguém havia feito isso.
Ela pegou o pequeno bilhete e o colocou dentro de seu caderno e foi para dentro da sala, e ficou a ler.
O sinal bateu novamente anunciando o fim do intervalo. Os alunos começaram á entrar, e todos a olhavam ler, ela ouvio um cochicho.
''Wendy: Que garota estranha.''
''Billy: Estranha mas é gata.''
''Wendy: Cala boca, idiota.''
Ela apenas continuava á ler. Até que Johnny passa ao seu lado, deixando o rastro de seu perfume e senta atrás dela, e a cutuca.
- Recebeu o meu bilhete.
- Sim... - diz ela meio timida. - Ãn, não lembro de ter te visto na aula de química...
- É.. Bom, não tenho aula de química com você. Só temos duas aulas juntos - Ele respira - Literatura e Filosofia.
- É que ainda não recebi os meus horários completos, desculpa.
- Toma, pegue os meus, eu já fiz uma outra lista no meu caderno.
Ele estendeu as mãos pelo ombro dela, fazendo seus cabelos cor de fogo se mexerem, e automaticamente vir um cheiro de amoras ao rosto dele... Ela agradeceu. E a professora entrou.
- Olá alunos, muitos daqui já me conhecem, e percebo que temos uma nova companhia nesse ano. Olá pequena.
Júlia fica envergonhada.
- Olá...
- Como se chama, linda?
- Júlia... Júlia Armstrong.
- Seja bem vinda.
Ela apenas acentiu com a cabeça.
- Bom, ano passado estudamos sobre Shakespeare. Alguém pode me dizem uma fala dele. Johnny?
Johnny se levantou. Todos viraram para olhá-lo.
- Oh, Julieta sua formosura transforma esta cripta. Meu amor! Minha esposa! A morte sugou o mel de teu hálito, nenhum poder teve sobre tua beleza! Oh, aqui fixarei minha eterna morada. Ao lado de ti minha bela e tão amada Julieta. Assim morro com um beijo.
Todos o olharam incrédulo.
- Meus parabéns Sr. Depp.
- Faço o que posso.
Todos riram.
Johnny se sentou. E Júlia se virou para ele. E recitou a fala de Julieta... Um tanto alta demais.
-Romeu... Oh, Romeu! Que isto? Uma taça na mão do meu fiel amor? Oh, ingrato! Bebeste sem deixar uma gota? Beijarei teus lábios talvez haja um resto de veneno. Preciso me apressar. Esta é tua bainha! Enferruja-te aqui e deixa-me morrer.
Johnny sorriu, encantado.
- Meus parabéns Júlia.
Ela se virou assustada.
- ãn... Obrigada...
- Gosta de Romeu e Julieta?
- Sim, admiro muito... Assim como Tristão e Isolda.
- Oh, clássico! Pode recitar uma parte para a gente?
- Sim...
Todos a olhavam, abismados.
-Meu rosto em teu olhar e,
o teu no meu reflete.
E do manto do rosto o coração se veste.
Um par de hemisfério que melhor se complete...
Johnny a interrompe.
- Onde há, sem norte ou declinante oeste?
E juntos começam a recitar.
-Em desigualdade tudo que morre está.
-Se nosso amor é um só e formamos um par;
Eles dizem juntos:
- De Amor tão igual ninguém morrerá...
Todos aplaudiram.
Ele sorriram.
O sinal toca, e os alunos saem,e vão todos para os seus armários para pegar os livros. Johnny e Júlia saem juntos.
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Mais Que Amigos (Completa)Onde histórias criam vida. Descubra agora