"Marcia, não é possível que você ainda não acredite que o Matheus gosta de você!" Falou Nath gargalhando.
"Amiga, você está sendo mais lerda que o normal!" Falou Malu gargalhando também.
"Já sei, vamos trancar os dois em um quarto e só deixar eles saírem de lá quando se acertarem!" Falou Malu rindo ainda mais.
Todas olhamos para ela e rimos, menos Marcia que olhou com uma cara de apavorada.
"É brincadeira, Marcia. Eu não vou deixar fazerem isso com você não!" Falei rápido antes dela ter um ataque.
"Eu não acho. Acho que ele é só apenas simpático." Falou Marcia encarando os meninos do outro lado do quintal.
"Ele é bonito, inteligente, simpático, certinho... Tudo o que você procura em um menino. Ainda não entendi essa sua recusa toda!" Falou Malu séria.
"Talvez porque eu tenha medo!" Disse Márcia olhando bem nos olhos dela.
"De que, amiga?" Perguntei.
"De entrar em um relacionamento agora e desfocar nos estudos, na igreja..." Falou ela.
"Bem, nos estudos eu tenho certeza que você não vai desfocar. Ainda mais namorando ele!" Falou Malu.
"E a igreja, é só você ir convidando ele para ir com você ué." Disse Nath.
"Acho que você deveria apenas tentar, se não der certo, você conversa com ele. Não quero que você faça nada sob pressão! Vá falar com ele quando estiver segura e decidida do que quer!" Falei para ela que me observava bem.
"Quero falar com ele agora." Respondeu ela decidida.
"JÁ?" Gritamos gargalhando.
"Sim. Saiam logo daqui antes que a coragem acabe!" Falou ela nos expulsando.
Malu pulou na piscina e Nath e eu fomos em direção aos meninos.
Abracei Lucas pela cintura e Nath pegou a bola do Matheus. Aquela baixinha sabia jogar.
"Matheus, se fôssemos você iríamos agora mesmo falar com a Marcia. Mas como não somos, vamos ficar por aqui mesmo..."Nath disse com malícia.
"Sério? Ela pediu?" Disse ele com um sorriso.
"Sim!" Respondemos juntas.
Ele nem esperou mais nada. Foi andando em direção a Marcia que ainda estava sentada.
De longe observamos eles conversando e rindo.
"Vão formar um casal muito fofo!" Disse.
"Vão mesmo!" Nath concordou.
Thiago pegou Nath no colo e saiu correndo com ela em direção a piscina e pulou.
"E aí?" Falou Lucas me abraçando.
"Estou com fome. O que tem para comer?" Perguntei rindo.
"Você e sua fome sempre estragando o clima..." Falou ele rindo.
Dei um beijo nele e sai puxando ele casa a dentro.
Fomos a cozinha e pegamos os potes de açaí e os complementos.
"Tem calda?" Perguntei.
"Geladeira!" Respondeu ele.
Abri e peguei as de chocolate, morango e menta.
Fomos ao quintal novamente e colocamos tudo em cima de uma mesa de plástico no canto do quintal. Chamamos todos e eles vieram correndo.
Tomamos açaí e fizemos guerra de açaí. O que foi uma delícia porque eu AMO açaí.
Eram umas 17h quando decidimos que era hora de ir embora. Nos despedimos e vimos Marcia e Matheus irem para uma direção e Thiago e Nath para outra. Malu estava se vestindo no banheiro.
Assim que Malu também foi embora, limpamos a sujeira toda.
Quando acabamos, deitamos no gramado do quintal e ficamos observando o céu.
"Hoje foi muito bom!" Falei.
"É" Respondeu Lucas.
"O que foi?" Perguntei me virando para ficar de frente para ele.
Ele se virou para mim também e apoiou a cabeça nas mãos.
"É que se o seu pai arranjar uma vaga na faculdade para você em NY para cursar cinema, você vai..." Falou ele meio pensativo.
"Quem disse? Tenho você, minha mãe, meu irmão que nem sei se é irmão ou irmã... Não vou largar vocês assim de uma hora para outra!" Falei.
"Promete?" Perguntou ele estendendo o dedo mindinho para mim.
"Prometo!" Fiz o mesmo e enroscamos os dedos.
Ficamos ali até começar a escurecer conversando sobre diversas coisas.
Então tive que ir embora.
Quando cheguei em casa, minha mãe estava deitada no sofá chorando e Rennan sentando no sofá de frente olhando para ela.
"O que houve?" Perguntei preocupada.
"Sua mãe passou mal no trabalho e fui busca-la. Levei-a no hospital por causa do bebê..." Quando ele falou a última palavra minha mãe chorou mais. "Perdemos ele..." Falou Rennan deixando umas lágrimas caírem também.
"Não!" Falei já chorando também. Sentei ao pé do sofá e abracei minha mãe.
"Vai ficar tudo bem! Vocês ainda são jovens, vão poder ter outros filhos!" Disse.
Ficamos em silêncio apenas chorando.
Como um dia tão bom se tornou triste?
Não tive coragem de falar mais nada.
"Precisa de alguma coisa, Clara? Vou na rua comprar algo para comermos." Falou Rennan se levantando e limpando o rosto com a costa da mão.
"Estou bem! Me traz só algo doce para comer!" Falou minha mãe fungando.
"E você, Amanda?" Falou ele virando-se para mim.
"Não quero nada, estou sem fome." Falei levantando-me também.
Rennan se convenceu com minha resposta e foi para rua. Falei para minha mãe que iria tomar banho e ela foi para o quarto se deitar.
Liguei para Lucas e disse tudo o que havia acontecido e comecei a chorar novamente. Antes mesmo de ver seu rostinho ou saber o sexo, já amávamos aquela criança demais.
Conversamos pouco, pois, eu precisava mesmo tomar banho e fazer companhia para minha mãe.
Quando Rennan voltou minha mãe já havia pego no sono e então fui para meu quarto fazer o mesmo.
Demorei para conseguir pregar os olhos. Mas quando consegui, acordei com a sensação de que tinha acabado de pregá-los. Estava cansada e com olheiras. Linda!
Tomei um banho rápido bem gelado para despertar e fui para cozinha procurar algo para comer.
Vesti o uniforme, peguei a mochila e desci com a maçã que havia achado.
Fui em direção à casa da Nath. Ela estava no portão me esperando, então, fomos à casa do Lucas.
Como sempre ele estava atrasado. Assim que nos viu me abraçou tão forte que eu por um segundo perdi o ar. Ai que eu lembrei o motivo daquele abraço, o bebê.
Uma lágrima quente escorreu na minha bochecha e então vi que Nath não estava entendendo nada.
"Vocês tinham brigado?" Ela perguntou.
"A dona Clara perdeu o bebê, Nath..." Falou Lucas ainda me abraçando.
Foi então que a Nath ficou pálida e quando a cor dela voltou, me abraçou também.
"Amiga, por que você não me contou?" Ela me perguntou.
"Eu não pensei em nada Nath, desculpa! Eu chorei tanto ontem que só liguei para Lucas e dormi." Falei ao me soltar dos abraços.
"Vamos se não nos atrasamos!" Falou Lucas ao segurar minha mão e ir em direção a escola.
Chegamos a sala e nos sentamos no mesmo lugar de sempre.
As aulas passaram arrastadas e eu vagando.
Quando bateu o sinal do intervalo foi que eu acordei do meu devaneio.
"Amor, você está se sentindo bem?" Lucas perguntou ao se agachar ao lado da minha carteira.
"Não..." Respondi baixinho e foi quando senti mais lágrimas.
Ele então sentou na mesma carteira que eu e me abraçou. Ficamos um tempo assim, eu ali aconchegada nos braços dele chorando e ele sem dizer uma palavra, apenas sentindo aquela dor comigo.
"Você quer pedir para ir embora?" Ele disse depois de uns minutos.
"Não precisa..." Limpei as lágrimas. "Vou ficar bem!".
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