Appointment 2 - Gerard

89 9 1
                                        

Mil desculpas por demorar tanto pra postar uma fanfic até já terminada, mas é que com uma nova rolando, a prioridade chega a ser produzir a outra e não corrigir esta, mas vou melhorar, juro <3

-x-

A porta foi aberta pela, ao que parece, milésima vez no dia, mas a figura era um tanto extraordinária. 

Frank, o novo paciente, adentrou um pouco mais tranquilo do que em nosso último encontro. Hoje ele trajava uma simples blusa branca e calça jeans escura um tanto larga e surrada, provavelmente um gosto pessoal. Já sabendo qual direção tomar, ele me cumprimentou com um sorriso tímido e um baixo "boa noite, Gerard" que eu respondi assentindo a cabeça num movimento pequeno e respondendo o cumprimento ao que ele sentou silenciosamente. Dei um intervalo de um minuto para que ele começasse e recebi um olhar curioso, como se eu devesse falar alguma coisa, e então eu o fiz.

-Muito bem, Frank, como vão as coisas? - Dei o ponta pé inicial, era normal no início que os pacientes não soubessem como iniciar nossa conversa.

-Bem... Vão bem... - Ele riu tímido, e eu não pude segurar uma risadinha discreta pelo jeito no qual ele se encontrava; meio torto na cadeira, mexendo em seus longos cabelos lisos com uma expressão desconcertada um tanto cômica.

Ele queria dizer algo, sentia que deveria me contar algum fato, mas eu percebi que ele havia, infelizmente, regredido com relação ao final da última consulta. Embora melhor do que da última vez, ele estava confuso, como se um grande ponto de interrogação estivesse tatuado em sua testa. Decidi então deixar as coisas mais claras e lhe dar o manual novamente.

-Bom, Frank, nesse ponto da consulta você deverá se abrir completamente, sem barreiras. Como eu disse no nosso último encontro, você pode me contar desde o que comeu hoje pela manhã quanto alguma memória boba que venha na sua mente, ou algum detalhe sobre você. Relaxe.

O jovem se sentou reto na cadeira e entrelaçou as mãos encarando-as observando cada detalhe dos diversos desenhos e cores que as enfeitavam.

-Eu tive um sonho muito confuso hoje - ele disse. 

Sonhos. Interessantíssimo. Os sonhos são mecanismos simplesmente incríveis. 

-Conte-me, por favor. - Eu disse me recostando na poltrona atrás de mim e ouvindo atentamente o que Frank tinha a me dizer.

-Eu estava em algum lugar claro, mas não podia enxergar direito. Uma moça veio e me pediu desculpas, algo do gênero, existiam várias vozes de pessoas conhecidas e próximas em volta... A sua, na verdade, estava no meio e era como se todos estivessem me rodeando enquanto a mulher falava comigo, mas foi interrompida e eu simplesmente acordei - disse voltando a me encarar porém com o olhar direcionado para o canto direito, certas vezes voltando ao centro completamente inquieto. Ele estava mergulhado em sua cabeça tentando resgatar o máximo de vestígios possíveis e isso me deixava alegre, ele estava confiando em mim e se soltando. Nesse momento, eu decidi que Frank não era difícil, apenas precisava de um pequeno empurrão. Na verdade, eu nunca o achei tão difícil assim - Eu também queria falar, mas não conseguia. Suponho que eu tenha gritado, pois minha garganta estava um tanto seca quando acordei.

-Carl Jung, um psiquiatra e psicoterapeuta, guarda uma das minhas citações favoritas sobre sonhos, Frank. Ele diz "Dentro de cada um de nós há um outro que não conhecemos. Ele fala conosco por meio dos sonhos". Eles são muito importantes, sabe? Você tem muitos sonhos, ou pesadelos?

-Eu tinha há um tempo atrás, digo, sonhos. Nunca fui muito de ter pesadelos e noites inquietas, como jogar travesseiro no chão ou falar, apenas em uns tempos depois do acidente, fazia um tempo que não sonhava.

[Frerard] VolcanoOnde histórias criam vida. Descubra agora