"Precisa-se de aulas de violão" foi o que eu escrevi no quadro de anúncios do colégio na esperança de algum professor amador me ajudar a tocar aquelas cordas tão desconhecidas pela minha pessoa. A voz de Billie soava como melodia nos meus ouvidos ao som de Give Me Novacaine, além de eu já ter lido um livro online com esse nome, sou uma viciada em Green Day.
— Bom dia, senhorita Helena — respiro fundo ao escutar a voz de Lucas perto do meu ouvido — Assustada?
— Talvez. Odeio levar susto! — ele me ignora por completo, prestendo atenção no quadro onde acabei de colar o anúncio — Como está os machucados?
— Melhores, e sua boca? — franzo a testa, ele sorri de lado e coloca uma mão no meu ombro — De tanta gente que você beijou na festa, achei que tivesse machucado sua boca.
Ah, então ele tinha visto? Não que eu quisesse algum tipo de vingança por ele ter me dito que nunca tinha visto eu beijando ninguém, apenas odeio ser desafiada no mesmo nível que eu odeio levar sustos. Para ser mais exata foram 5 meninos, um deles beijava tão bem que poderia ser considerado o garoto da minha vida, mas eu mal lembro de seu rosto, então acabei deixando esse título para o verdadeiro garoto da minha vida, no qual ainda não tenho, mas um dia irei ter. Escrevam bem o que eu falei porque não é todo dia que Helena Ashia se declara para um desconhecido.
— E Lucas caga mais uma vez com todas as oportunidades de ser meu amigo! Ele é maravilhoso nisso, pessoal!— digo como se estivesse narrando um jogo de futebol, e Lucas sorri sarcástico em minha direção. Dou de ombros mascando o chiclete de framboesa.
— Não é como ser seu amigo fosse ganhar na loteria.
— Não, meu bem. É como ganhar duas vezes — cruzo os braços na altura dos seios, ele ri baixo e encosta na parede — Por que essa vontade de ser meu amigo? O que eu tenho que você precisa?
— Por que me odiar sendo que temos os mesmos amigos e podemos ter um ambiente agradável?
— Eu não te odeio! Só acho que seus defeitos falam mais do que seu verdadeiro caráter e isso sim, é um problema. O jeito que trata as pessoas é meio estranho.
— Você fala isso pelo simples fato de eu nunca ter te tratado bem? — nego com a cabeça, acabo mudando o peso da perna sem perceber que fiz isso a 5 segundos segundos atrás e sei que estou começando a ficar irritada.
— Você gosta de transparecer esse seu jeito debochado, gosta de deixar as pessoas te chamando de metido por aí ou esbanjar alguma felicidade que falta em ti. Não acha isso doentio, fingir ser algo que não é?
— Talvez se você falasse comigo, saberia que eu não sou nada disso e muito menos sabe sobre a minha vida.
— Eu te conheço mais que deveria, me arrependo por isso. Mesmo que agora estejamos conversando, ainda sinto o que sempre julguei ser o que você é, porque você simplesmente não me deixa com outras apresentações da sua pessoa — ele abre e fecha a boca diversas vezes, fico arrependida por ter despejado todas essas palavras do nada. Sou surpreendida pelo olhar intenso que Lucas me encara, sinto como se pudesse saber o que estou pensando nesse momento.
Forço uma tosse estranha e fecho os olhos tentando afastar essa cena ridícula que acabei de fazer, Lucas ajeita a mochila em um dos ombros e quando abre a boca para descarregar sua raiva em mim, Gabs chega com um sorriso enorme e acaba o desfazendo quando sente o clima tenso entre eu e o garoto de cabelo castanho.
— E-eu, olá — minha melhor amiga se atrapalha tanto quanto eu se estivesse em sua situação. Mordo o lábio inferior como se pudesse dar o fora dali o mais rápido possível, sinto a mão enorme de Lucas envolver meu pulso com tamanha força que acabo fazendo uma careta, Gabs me olha preocupada, mas tento de algum jeito demonstrar que está tudo bem.
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Dedilhando O Amor
JugendliteraturHelena é uma adoradora de música, se lembra até da primeira vez que escutou Legião Urbana aos 7 anos em uma tarde de domingo. Ela só não imaginava que uma das músicas deles seria a trilha sonora de sua adolescência. Quando percebe que seu ensino...
