"Sabe Helena, se as suas seguintes atitudes for se afastar das pessoas, começar a ser constantes, teremos um problema. Já ouviu falar sobre fobia social? Acho bom esse seu isolamento não acontecer de novo, para seu próprio bem."
As palavras da Dra. Lu estão me perturbando o final de semana inteiro. É claro que pesquisei e até cheguei a ler os antigos livros da minha mãe, problemas com a sociedade sempre me assustou, não me imagino sem meus amigos ou até ter medo de falar com eles.
Por isso no domingo à tarde, deixei Gabs entrar no meu quarto, ela tinha a feição bem preocupada e parecia estar me vendo pela primeira vez depois de anos, mas cá entre nós, sabemos o quanto Gabs é dramática.
— Me conta exatamente o que aconteceu! Ficamos todos preocupados, tentei amenizar a situação com as meninas dizendo que você ficou doente etc. — me joguei na cama que está cheia das minhas almofadas prediletas, junto com os papéis que eu havia escrito alguns textos para desabafar o que está acontecendo comigo, assim como Lu pediu que eu fizesse.
— Eu estou bem, na medida do possível, mas bem.
— Helena, eu não faço a miníma ideia do que conversou com Lucas, mas depois daquele dia você se trancou totalmente nesse quarto! Nem falou direito com as suas amigas no colégio e ia embora mais cedo. — Gabs se deitou ao meu lado também, ela tem o cabelo solto pelo meu travesseiro e o olhar mais compreensivo que já havia visto.
— Ele me contou sobre a família e como isso o afeta hoje em dia. Disse que não suporta ser rejeitado por mim porque é como se eu fosse um dos seus parentes que o abandonou.
— Você não é nada disso, Lena.
— Me senti culpada por tê-lo afastado de mim, ter me afastado naquela época e agora. Ele achava que éramos um casal, o melhor casal que poderia existir, ele acreditou que existiu naquele ano — aumento meu tom de voz e Gabs arregala os olhos. Reparo que as lágrimas estão caindo novamente e passo minha mão pelo rosto.
— Sei que é complicado pensar positivo, mas você era uma menina naquela época, mal sabia lidar com seus próprios sentimentos, quanto mais achar que estaria brincando com os sentimentos de outra pessoa.
— O que você sugere que eu faça? Fingir que está tudo bem, quando na verdade estou um caco?
— Sugiro que se aproxime dele, Lena. Dê uma chance para si, mesmo que ele não saiba o porquê, tenho certeza que dormirá mais tranquila — Gabs argumenta. Deve ser fácil dizer isso, simplesmente se tornar a pessoa mais sociável do mundo, mas para falar a verdade é mais difícil do que parece.
Quantos adolescentes não sofrem de ansiedade ou até mesmo timidez extrema? Isso mesmo, milhares! O constrangimento de uma pessoa falar com o seu amigo, mas você não poder falar com ela, pelo simples fato de ser tímido. Ou das inúmeras vezes em que você procura algo para ocupar a sua mão, já que se não tiver nada para mexer, se sente desamparado.
É isso que sinto.
E eu sei o que meus amigos dizem de mim, que sou uma pessoa sociável, que eu falo sem parar. Mas mal sabem eles que sou apenas assim com quem eu realmente conheço ou com pessoas que sei que nunca mais irei ver na vida.
O motivo? Eu não faço ideia.
O resto do domingo pode ser resumido em: balas gelatinosas, músicas tristes do Oasis e risadas de duas melhores amigas juntas. Ah, sem contar que ficamos assistindo alguns vídeos na internet sobre teorias da conspiração.
Na segunda-feira ao acordar, me senti melhor. Talvez não o suficiente para dominar o mundo, mas talvez para fazer uma diferença em mim.
Foi a mesma rotina de sempre: Acordar, trocar de roupa, tomar café da manhã em família e rever os meus amigos no colégio.
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Dedilhando O Amor
Novela JuvenilHelena é uma adoradora de música, se lembra até da primeira vez que escutou Legião Urbana aos 7 anos em uma tarde de domingo. Ela só não imaginava que uma das músicas deles seria a trilha sonora de sua adolescência. Quando percebe que seu ensino...
