mãos feridas

136 7 0
                                        

Qual o primeiro pensamento que você tem quando está atrasada para um compromisso? Bom, eu fico 10 minutos com cara de bunda, pensando o quanto fui burra de ter me atrasado e depois começo a me arrumar na velocidade da luz. Foi exatamente minha reação essa manhã quando percebi que faltava apenas 10 minutos para começar a aula e que eu nem tinha saído da cama ainda e o desespero bateu avassaladoramente.

Meu pai não parecia muito contente naquela manhã quando o encontrei na sala sentado enquanto girava a chave do carro no dedo impaciente, ele me olhou dos pés a cabeça e negou. Levei o café recém passado em um copo térmico, um bolinho de chocolate que achei perdido no armário e o mau humor do meu pai aparente.

Quando desci do carro, ele me desejou boa aula e assim que entrei no colégio percebi que já tinha perdido a primeira, tive que assinar um papel que estava consciente do meu atraso. O pátio está vazio, é apenas eu e mais algumas pombas pelo enorme espaço aberto até a quadra.

Sento na escada que dá acesso ao prédio do Ensino Médio, onde aos poucos vai sendo ocupada por outros atrasados que chegam. Estou com o meu fone venerando a voz de Kurt Cobain em Rape Me quando alguém senta ao meu lado e diz algo que não consigo escutar por completo.

— Pensei que era da turma que chega cedo. — a voz de Lucas atingi meus ouvidos quando eles estão livres dos fones brancos. Ele está de costas para o Sol o que dificulta manter contato visual por muito tempo até eu ter ajuda da minha mão para tampar os raios que encontram os meus olhos.

— Isso costuma acontecer quando meu celular resolve despertar, mas e você? Está atrasado sendo que mora ao lado do colégio praticamente.

— O diretor me pergunta isso sempre também — Lucas deixa a mochila ao meu lado e senta no mesmo degrau que eu, temos apenas nossas bolsas nos separando. É a primeira vez que converso com ele desde o chat em que tivemos, sou pega de surpresa porque já é sexta-feria e não tinha visto ele a semana inteira. Gabriel me acalmou dizendo que ele estava doente, por isso faltou nos dias seguintes da nossa conversa. É claro que perguntei casualmente para não ter que aguentar meu amigo inventando situações naquilo que ele chama de cérebro.

— E o que você responde?

— Que a faixa de pedestre está com trânsito obviamente! — dou risada da idiotice e Lucas me acompanha — Você vai hoje na festa do Otávio?

— Então esse é o nome dele... Provavelmente sim.

— Vai ser bem legal. Compramos várias bebidas boas — ele sorri de lado. Por que o pessoal só me ganha com bebida? Sei que não é algo que me orgulho, mas é um escape para não ficar tão travada na festa e de algum modo acabo me soltando. — Você vai na casa da Bela primeiro?

— Típico, sempre passo lá antes de ir para alguma festa, principalmente quando é no condomínio.

— Te vejo lá, então. — o sinal estridente toucou nos liberando para entrar nas salas, peguei minha mochila para seguir até o segundo andar. Lucas me acompanhou até o primeiro, sem eu perceber ele me deu um beijo na bochecha e seguiu até o final do corredor.

*

Thrasher sempre foi minha marca de roupa preferida, principalmente a sessão masculina. Quando pequena não entendia o porquê das roupas do meu pai serem mais legais que as minhas, mas depois descobri que infelizmente que quando você é garota, as roupas na maioria das vezes são sem graça alguma... pelo menos pra mim.

A minha nova camiseta tinha chegado semana passada, quando esperei por mais de dois meses vir daqueles sites chineses que, cá entre nós, eu sou mega viciada! Visto ela sem pensar duas vezes, coloco um shorts jeans cintura alta porque é o único modelo que gosto e um tênis preto.

Dedilhando O AmorHistórias para pegar e não largar. Descubra agora