A VERDADE DO NACIONALISMO [PT 2]

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Em suma, a democracia exige fronteiras, e as fronteiras precisam do Estadonação.

Quaisquer modos pelos quais as pessoas venham a definir a própria

identidade em termos do lugar a que pertencem têm um papel a desempenhar na

consolidação do sentido de nacionalidade. O common law dos anglo-saxões, por

exemplo, do qual as leis emergem da resolução dos conflitos locais e não pela

imposição do soberano, tem uma ampla função a cumprir ao favorecer a

compreensão inglesa e norte-americana de que a lei é propriedade comum de

todos aqueles que residem dentro de sua jurisdição, em vez de ser uma mera

invenção de padres, burocratas e reis. Uma língua e um currículo comuns têm

um efeito semelhante ao da transformação da familiaridade, da proximidade, do

hábito cotidiano em fontes de um vínculo comum. O aspecto essencial sobre as

nações é que crescem de baixo para cima por hábitos desenvolvidos a partir da

livre associação entre vizinhos e que resultam em lealdades que são anexadas ao

lugar e à sua história, e não à religião, à dinastia ou, como na Europa, a uma

classe política que se autoperpetua. Nações podem mesclar-se em unidades mais

complexas — a exemplo da ligação entre o país de Gales, a Escócia e a

Inglaterra — ou podem dividir-se como os tchecos e eslovacos ou, como poderá

acontecer um dia quando os escoceses reivindicarem a sua soberania.d As

fronteiras nacionais podem ser vulneráveis ou seguras, porosas ou impenetráveis,

mas, em qualquer das configurações, oferecem aos povos uma identidade com a

qual sintetizam os seus direitos e deveres como cidadãos, e a fidelidade aos mais

próximos aos quais confiam a paz cívica.

Aqui está, então, a verdade no nacionalismo como a entendo. Quando fazemos

a pergunta a que pertencemos e o que define nossas lealdades e compromissos,

não encontramos a resposta na partilha de uma obediência religiosa, ainda menos

nos laços tribais e de consanguinidade. Encontramos a resposta nas coisas que

compartilhamos com nossos concidadãos e, particularmente, naquelas que

servem para sustentar o estado de direito e as formas consensuais de política.

A primeira dessas coisas é o território. Acreditamos habitar um território

comum, definido pela lei, e acreditamos que o território é nosso, o lugar onde

estamos, e onde os nossos filhos, por sua vez, estarão. Mesmo que tenham vindo

para cá de algum outro lugar, isso não altera o fato de estarmos comprometidos

com esse território e definirmos a nossa identidade — ao menos em parte — em

seus termos.

Quase da mesma importância estão a história e os costumes pelos quais esse território foi instituído. Existem rituais e costumes que acontecem aqui e que

COMO SER UM CONSERVADORHistórias para pegar e não largar. Descubra agora