Em suma, a democracia exige fronteiras, e as fronteiras precisam do Estadonação.
Quaisquer modos pelos quais as pessoas venham a definir a própria
identidade em termos do lugar a que pertencem têm um papel a desempenhar na
consolidação do sentido de nacionalidade. O common law dos anglo-saxões, por
exemplo, do qual as leis emergem da resolução dos conflitos locais e não pela
imposição do soberano, tem uma ampla função a cumprir ao favorecer a
compreensão inglesa e norte-americana de que a lei é propriedade comum de
todos aqueles que residem dentro de sua jurisdição, em vez de ser uma mera
invenção de padres, burocratas e reis. Uma língua e um currículo comuns têm
um efeito semelhante ao da transformação da familiaridade, da proximidade, do
hábito cotidiano em fontes de um vínculo comum. O aspecto essencial sobre as
nações é que crescem de baixo para cima por hábitos desenvolvidos a partir da
livre associação entre vizinhos e que resultam em lealdades que são anexadas ao
lugar e à sua história, e não à religião, à dinastia ou, como na Europa, a uma
classe política que se autoperpetua. Nações podem mesclar-se em unidades mais
complexas — a exemplo da ligação entre o país de Gales, a Escócia e a
Inglaterra — ou podem dividir-se como os tchecos e eslovacos ou, como poderá
acontecer um dia quando os escoceses reivindicarem a sua soberania.d As
fronteiras nacionais podem ser vulneráveis ou seguras, porosas ou impenetráveis,
mas, em qualquer das configurações, oferecem aos povos uma identidade com a
qual sintetizam os seus direitos e deveres como cidadãos, e a fidelidade aos mais
próximos aos quais confiam a paz cívica.
Aqui está, então, a verdade no nacionalismo como a entendo. Quando fazemos
a pergunta a que pertencemos e o que define nossas lealdades e compromissos,
não encontramos a resposta na partilha de uma obediência religiosa, ainda menos
nos laços tribais e de consanguinidade. Encontramos a resposta nas coisas que
compartilhamos com nossos concidadãos e, particularmente, naquelas que
servem para sustentar o estado de direito e as formas consensuais de política.
A primeira dessas coisas é o território. Acreditamos habitar um território
comum, definido pela lei, e acreditamos que o território é nosso, o lugar onde
estamos, e onde os nossos filhos, por sua vez, estarão. Mesmo que tenham vindo
para cá de algum outro lugar, isso não altera o fato de estarmos comprometidos
com esse território e definirmos a nossa identidade — ao menos em parte — em
seus termos.
Quase da mesma importância estão a história e os costumes pelos quais esse território foi instituído. Existem rituais e costumes que acontecem aqui e que
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COMO SER UM CONSERVADOR
RandomLIVRO ESCRITO POR ROGER SCRUTON. O filósofo político inglês Roger Scruton construiu sua reputação ao empregar a sua inteligência na reflexão e divulgação do pensamento conservador. É um pensador que sabe conjugar de forma exemplar um raciocínio pr...
