O termo "capitalismo" entrou nas línguas europeias pelos escritos do filósofo
utópico francês Saint-Simon. Foi apropriado por Marx para indicar a propriedade
privada institucionalizada dos "meios de produção". Marx comparou o
capitalismo com outros "sistemas" econômicos — particularmente com a
escravidão, o feudalismo e o socialismo — e previu que, assim como o
capitalismo havia arruinado o feudalismo em uma revolução violenta, o
capitalismo seria destruído pelo socialismo. No devido tempo, este "definharia"
para dar lugar ao "comunismo pleno", que se encontra no fim da história. A
teoria é espantosa, as previsões são falsas e o legado é abominável. Contudo, seus
termos modificaram a linguagem do debate político no século XIX e, agora,
estamos presos a eles. A palavra "capitalismo" ainda é utilizada para descrever
qualquer economia baseada na propriedade privada e nas trocas voluntárias. E o
termo "socialismo" ainda é usado para indicar as várias tentativas de limitar,
controlar ou substituir algum aspecto do capitalismo assim compreendido. Por
essa razão, em todas as suas manifestações, capitalismo, assim como socialismo,
é uma questão de gradação.
É importante estar ciente dos termos que foram herdados de defuntas teorias.
Podem ter uma aura de autoridade, mas também distorcem as percepções e
oprimem a consciência com aquele tipo de "novilíngua" satirizado de maneira
brilhante por George Orwell em 1984. O propósito de Orwell ao escrever o livro
era mostrar que o jargão desumanizador do marxismo também produz um
mundo desumano no qual as pessoas se tornam abstrações e a verdade é um
mero instrumento nas mãos do poder. E esse objetivo nunca deve ser esquecido
pelos conservadores, que precisam escapar das teorias do século XIX que
procuravam tornar as posições por eles defendidas não apenas obsoletas, mas, de
alguma maneira, inexpressivas. Precisamos contemplar o mundo com um novo
olhar usando a linguagem natural das relações humanas.
Dito isso, seria tolo e ingênuo supor que os ataques direcionados contra algo chamado "capitalismo" carecem de fundamento ou que não precisam de uma
resposta. Para elaborar tal resposta, devemos começar a partir da verdade no
capitalismo, a verdade que é tradicionalmente negada pelo socialismo. E essa
verdade é simples, isto é, que a propriedade privada e as trocas voluntárias são
características necessárias de qualquer economia de grande escala — qualquer
economia em que as pessoas dependam das atividades de desconhecidos para a
sobrevivência e prosperidade. Somente quando as pessoas têm direitos de
propriedade e podem trocar livremente o que possuem por aquilo de que
precisam é que essa sociedade de desconhecidos pode alcançar uma
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COMO SER UM CONSERVADOR
RandomLIVRO ESCRITO POR ROGER SCRUTON. O filósofo político inglês Roger Scruton construiu sua reputação ao empregar a sua inteligência na reflexão e divulgação do pensamento conservador. É um pensador que sabe conjugar de forma exemplar um raciocínio pr...
