*Todos os direitos reservadíssimos áquela que vos fala (escreve😜)
No último spin-off vemos a história de Tami, gêmea de Thomas.
Existe um ditado que diz que uma única escolha errada pode mudar por completo o rumo da vida de uma pessoa.
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Não sei quanto tempo eu passei naquela tortura. Minutos ou horas... Eu só queria que acabasse. Depois de várias tentativas frustradas eu tinha desistido de lutar e havia me tornado apenas um corpo presente. Um corpo que estava sendo violado da forma mais suja no banco de trás de um carro. Ali, enquanto minha cabeça estava inclinada de uma forma estranha eu pensava em várias formas de morrer. Bala perdida, esfaqueamento, queda de avião, batida de carro... Nenhum daqueles parecia tão ruim quanto o que eu estava passado.
Quando Rick finalmente se cansou de mim ele me enchotou do carro e saiu cantando pneu e eu fiquei lá perdida, humilhada, dolorida e sangrando. Ao menos podia usar a noite ao meu favor para esconder aquilo.
Caminhei um longo tempo até finalmente achar uma rua conhecida. De lá eu andei mais um bom pedaço até a minha casa. Entrei, subi as escadas rapidamente e me tranquei no banheiro. Após um banho demorado no qual eu esfreguei com toda a minha força cada pedaçinho do meu corpo eu saí enrolada em um roupão para o meu quarto.
-Filha? -Ouvi minha mãe me chamar.
-Oi. -Respondi de costas. Não tinha coragem para encara-la.
-Chegou tarde hoje. O que aconteceu?
-Bob precisou de ajuda e eu fui sem carro. -Respondi no automático.
-Você poderia ter ligado para mim ou para o seu pai que um de nós iria te buscar.
Ela não sabia o quanto eu me arrependia por não ter ligado.
- Eu não queria incomodar. -Lutei para manter a voz neutra.
- Da próxima vez ligue. -Soou aborrecida. -Não quero você andando sozinha a noite. Não do jeito que o mundo está hoje.
Pode acreditar mãe, eu nunca mais ando sozinha a noite. Acho que eu nunca mais andaria na rua sozinha na vida.
-Tudo bem. Boa noite mãe. -Comecei a andar em direção ao meu quarto e senti sua mão acariciar as minhas costas.
-Boa noite meu amor. Quer que eu leve o lixo? -Perguntou se referindo ao saco preto que eu carregava contendo as minhas roupas.
-Não precisa. Eu vou queimar.
-Hum, tudo bem então.
Segui o caminho até o meu quarto e me joguei na cama de roupão mesmo. O tempo todo que eu estive de costas para a minha mãe, lágrimas quentes escorriam livremente pelo meu rosto. Gritei com o rosto enfiado no travesseiro e entre soluços e fungadas eu adormeci. Não contaria a ninguém sobre o ocorrido naquela noite. Fingiria que nunca aconteceu. E na manhã seguinte quando fiquei sabendo que Erick tinha sido preso por porte ilegal de armas e drogas só foi mais um motivo para eu ficar calada. Ele tinha sido preso. A justiça tinha sido feita.