capítulo 7: Simom o Diurno

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Diurno
A noite havia caído sobre Alicante quando Simon e Alec deixaram a casa dos Penhallow e partiram colina acima, em direção a Gard. As ruas da cidade eram estreitas e tortuosas, subindo como pálidas faixas de pedra ao luar. O ar estava frio, apesar de Simon só senti-lo de forma distante.
Alec caminhou em silêncio, à frente de Simon, como se fingisse que estava sozinho. Em sua vida passada, Simon teria tido que quase correr, ofegante, para acompanhar; agora descobrira que podia alcançar Alec simplesmente acelerando o passo.
- Deve ser um saco - disse Simon afinal, enquanto Alec olhava para frente. - Ser obrigado a me acompanhar, quero dizer.

Alec deu de ombros.

- Tenho 18 anos. Sou um adulto, então preciso ser o responsável. Sou o único que pode entrar e sair do Gard enquanto a Clave está reunida. Além disso, o Cônsul me conhece.

- O que é um Cônsul?

- É como um oficial muito alto da Clave. Contabiliza os votos do Conselho, interpreta a Lei para a Clave, e aconselha a eles e ao Inquisidor. Se você controla um Instituto e encontra um problema que não sabe resolver, chama o Cônsul.
- Ele aconselha o Inquisidor? Mas eu pensei... A Inquisidora não está morta? Alec riu.

- Isso é como dizer, "o presidente não está morto?". Sim, a Inquisidora morreu; agora temos um novo. Inquisidor Aldertree.
Simon olhou para baixo da colina em direção à água escura dos canais agora distantes. Tinham deixado a cidade para trás e estavam passando por uma estrada estreita cercada de árvores sombrosas.

- Só sei de uma coisa: inquisições não funcionaram muito bem para o meu povo no passado. - Mas a expressão de Alec continuou vazia. Então Simon acrescentou: - Deixa para lá. Foi só uma piada de história mundana. Você não se interessaria.

- Você não é mundano - destacou Alec. - Por isso Aline e Sebastian estavam tão empolgados para vê-lo. Não que Sebastian deixe transparecer; ele sempre age como se já tivesse visto tudo.

Simon reagiu sem pensar.

- Ele e Isabelle estão... Tem alguma coisa rolando entre eles?

Isso fez Alec gargalhar.

- Isabelle e Sebastian? Nada. Sebastian é um cara legal, Isabelle só gosta de sair com meninos inadequados que nossos pais detestariam. Mundanos, integrantes do Submundo, trapaceiros mesquinhos...

- Obrigado - disse Simon. - Fico feliz em fazer parte do grupo dos criminosos.

- Acho que ela faz pela atenção - disse Alec. - Ela também é a única menina da família, então precisa provar constantemente o quanto é durona. Ou, pelo menos, é isso que pensa.

- Ou talvez esteja tentando desviar a atenção de você - disse Simon, de maneira quase ausente. - Sabe, já que os seus pais não sabem que você é gay e tudo mais.
Alec parou no meio da estrada tão de repente que Simon quase colidiu contra ele. - Não - disse ele -, mas aparentemente todas as outras pessoas sabem.

- Exceto Jace - disse Simon. - Ele não sabe, sabe?

Alec respirou fundo. Estava pálido, Simon notou, ou poderia ser apenas o luar, descolorindo tudo. Seus olhos pareciam negros na escuridão.

- Realmente não entendo como isso possa ser da sua conta. A não ser que esteja tentando me ameaçar.
- Tentando ameaçar? - Simon espantou-se. - Não estou...

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