De algum jeito, Clary conseguiu sair da casa. Não sabia ao certo como - tudo foi um borrão acelerado de escadas e corredores, em seguida estava correndo para a porta da frente, e de alguma forma chegara aos degraus da entrada da casa, tentando decidir se vomitaria ou não nos canteiros de rosas.
Estavam posicionados no lugar perfeito para isso, e seu estômago girava dolorosamente, mas o fato de que não tinha ingerido nada além de uma sopa estava começando a fazer efeito. Não achava que havia nada no estômago para vomitar. Em vez disso, desceu e caminhou cegamente até o portão - não se lembrava mais de que direção tinha vindo ou de como voltar para a casa de Amatis, mas não parecia mais tão importante. Não era como se estivesse ansiosa para voltar e explicar para Luke que tinham que deixar Alicante ou Jace os entregaria para a Clave.
Talvez Jace estivesse certo. Talvez ela fosse precipitada e imprudente. Talvez nunca pensasse sobre os impactos de suas atitudes sobre as pessoas que amava. O rosto de Simon apareceu em sua frente, nítido como uma foto, em seguida o de Luke...
Parou e se apoiou em um poste de luz. O quadrado de vidro parecia o tipo de lampião nos postes vintage na frente das pedras de muralha no Park Slope. Por algum motivo, era reconfortante.
- Clary! - era a voz de um garoto e soava ansiosa. Jace, pensou Clary imediatamente. E virou-se.
Não era Jace. Sebastian, o garoto de cabelos negros da sala dos Penhallow, estava na sua frente, ofegando como se a tivesse perseguido correndo pela rua.
Ela sentiu uma explosão da mesma sensação de antes, quando o viu pela primeira vez - reconhecimento, misturado a alguma coisa que não sabia identificar. Não era gostar ou desgostar - era uma espécie de ímpeto, como se algo a atraísse para aquele desconhecido. Talvez fosse apenas a aparência. Ele era lindo, tão lindo quanto Jace, apesar de que o que Jace tinha de dourado, este tinha de palidez e sombras. Contudo, agora, sob a luz do poste, ela podia ver que a semelhança com seu príncipe imaginário não era tão precisa quanto pensara. Até os tons eram diferentes. Era alguma coisa no formato do rosto, a maneira como se portava,
o mistério escuro dos olhos...
- Você está bem? - disse ele. Tinha a voz suave. - Saiu correndo da casa como... - Parou de falar ao olhar para ela. Ainda estava agarrada ao poste como se precisasse dele para se manter de pé. - O que aconteceu?
- Briguei com Jace - disse ela, tentando manter o tom de voz controlado. - Sabe como
é.
- Na verdade, não. - O tom era de quem pede desculpas. - Não tenho irmãos.
- Sorte sua - disse ela, e ficou surpresa com a amargura na própria voz.
- Não está falando sério. - Ele deu um passo mais para perto dela, e ao fazê-lo, o poste de luz piscou, formando uma piscina de luz enfeitiçada branca sobre os dois. Sebastian olhou para a luz e sorriu.
- É um sinal.
- Um sinal de quê?
- Um sinal de que deve me deixar levá-la para casa.
- Mas não faço ideia de como fazer isso - disse ela, quando percebeu que realmente não sabia. - Saí de fininho da casa para vir até aqui. Não me lembro do caminho que fiz.
- Bem, onde está hospedada? Ela hesitou antes de responder. - Não vou contar para ninguém - disse ele. - Juro pelo Anjo.
Clary o encarou. Era um juramento e tanto, para um Caçador de Sombras.
- Tudo bem - disse ela, antes que pudesse repensar a decisão. - Estou hospedada com Amatis Herondale.
- Ótimo. Sei exatamente onde ela mora. - Ofereceu-lhe o braço. - Vamos?
Ela conseguiu dar um sorriso.
- Você é um pouco insistente, sabia?
Ele deu de ombros.
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Filha de Valentine
Fanfiction-Você não sabe nada sobre mim -Sei sim -não, não sabe Porque nessa história nada é o que parece.
