Capítulo 11: pergunta errada

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Quando Aléxia terminou mais uma de suas dolorosas sessões de treinamento seus instrutores já estavam no chão. O engraçado era que nem eles sabiam estar a treinando, para eles era apenas um aquecimento diário para melhorarem e nunca perderem a prática . Quando o Inquisidor deu a "idéia" a eles, já haviam treinado com a mesma severamente uma semana antes. E eles pareciam achar uma honra treinar com uma das agentes mais jovens e promissoras da clave.

--- brilhante --- Marina disse enquanto a loira lhe estendia a mão para ajudá-la. A ficar de pé.

--- Como sempre -- o outro disse revirando os olhos e negando com a cabeça --- depois dessa precisarei de algumas runas.

A Graymark rio e se direcionou para o banheiro da sala que ficava escondida no Gard. Tomou um banho e se trocou (roupa na mídia). Se olhou mais uma vez no espelho, estava meio mundana, reconheceu, mas estava bonita, olhou atentamente seu corpo, sua pele já estava totalmente branca e lisa, sarada. Colocou grossas pulseiras sobre as cicatrizes e então saio a caminho da mansão Penhallow.

Clary foi banhada por uma tontura, como se o ar tivesse sido sugado da sala. Tentou recuar, mas tropeçou e atingiu a porta com o ombro.

Ela fechou com um estrondo, e Jace e a garota se separaram.

Clary congelou.

Os dois olhavam para ela. Percebeu que a menina tinha cabelos escuros e lisos até os ombros, e era muito bonita. Os botões de cima da blusa estavam abertos, exibindo uma alça do sutiã de renda. Clary sentiu que estava prestes a vomitar.

As mãos da garota foram para a blusa, abotoando-a rapidamente. Não parecia contente.

- Com licença - disse, franzindo o rosto. - Quem é você?

Clary não respondeu - estava olhando para Jace, que a encarava incrédulo. Estava completamente pálido, com círculos escuros em volta dos olhos. Olhava para Clary como se estivesse olhando para o cano de uma arma.

- Aline - a voz de Jace saiu sem calor ou cor -, esta é a minha irmã, Clary.

- Ah. Ah. - O rosto de Aline relaxou em um sorriso ligeiramente sem graça. - Desculpe! Que jeito de conhecê-la. Oi, sou Aline.

Foi em direção a Clary, ainda sorrindo, com a mão esticada. Acho que não consigo tocar nela, Clary pensou, horrorizada. Olhou para Jace, que pareceu ter lido a expressão em seus olhos; sem sorrir, pegou Aline pelos ombros, e disse alguma coisa ao ouvido da garota. Ela pareceu surpresa, deu de ombros, e foi até a porta sem dizer mais nada.

Com isso, Clary ficou a sós com Jace. Sozinha com alguém que ainda a olhava como se ela fosse seu pior pesadelo, em carne e osso.

- Jace - disse ela, e deu um passo na direção dele.

Ele recuou como se ela estivesse coberta por alguma coisa venenosa.

- O que, em nome do Anjo, Clary, você está fazendo aqui?

Apesar de tudo, a dureza do tom a machucou.

- Você podia ao menos fingir que ficou feliz em me ver. Pelo menos um pouco.

- Não estou feliz em vê-la - disse ele. Parte da cor havia voltado a seu rosto, mas as marcas escuras embaixo dos olhos ainda eram manchas cinzentas na pele. Clary esperou que dissesse mais alguma coisa, mas ele parecia satisfeito em apenas encará-la com um horror evidente. Ela percebeu com uma clareza distraída que ele vestia um casaco preto largo nos pulsos, como se tivesse perdido peso, e que as unhas das mãos estavam completamente roídas. - Nem um pouco.

- Esse não é você - disse ela. - Detesto quando age assim...

- Ah, detesta? Bem, então é melhor que eu pare, não? Quero dizer, você faz tudo que eu peço.

Filha de ValentineOnde histórias criam vida. Descubra agora