capítulo 9: oi Isabelle

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Os guardas voltaram para buscar Simon na manhã seguinte, sacudindo-o para acordá-lo de um sono ruim e atormentado por sonhos estranhos. Dessa vez não o vendaram quando o conduziram de volta para cima, e ele deu uma rápida olhada na porta de barras da cela ao lado da dele. Se tinha esperanças de ver o dono da voz rouca que havia lhe falado na noite anterior, ficou desapontado. A única coisa visível através das grades era o que parecia uma pilha de panos velhos.

Os guardas apressaram Simon por uma série de corredores cinzentos, sacudindo-o rapidamente se olhasse demais em alguma direção. Finalmente chegaram a uma sala cheia de papel de parede. Havia retratos pendurados, de diferentes homens e mulheres com uniformes de Caçadores de Sombras, as molduras decoradas com símbolos. Embaixo de um dos maiores retratos havia um sofá vermelho no qual o Inquisidor estava sentado, segurando o que parecia um cálice de prata na mão. Ofereceu-o a Simon.

— Sangue? — perguntou. — Deve estar com fome.

Apontou o cálice na direção de Simon, e a visão do líquido vermelho o atingiu, assim como o cheiro. Suas veias se esticavam em direção ao sangue, como cordas em controle de um mestre de marionetes. A sensação era desagradável, quase dolorosa.

— É... humano?

Aldertree riu.

— Meu jovem! Não seja ridículo. É sangue de cervo. Fresquinho. Simon não disse nada. O lábio inferior ardeu onde as presas desceram, e ele sentiu o gosto do próprio sangue na boca. Ficou enjoado.

A face de Aldertree se enrugou como uma ameixa seca.

— Céus — voltou-se para os guardas —, deixem-no agora, cavalheiros — disse, e eles viraram para sair. Só o Cônsul parou na porta, olhando de volta para Simon com um olhar de evidente nojo.

— Não, obrigado — disse Simon com a boca seca. — Não quero o sangue.

— Suas presas dizem o contrário, jovem Simon — respondeu Aldertree, engenhoso. — Aqui. Tome. — Esticou o cálice, e o cheiro de sangue pareceu preencher a sala como o cheiro de rosas em um jardim.

Os incisivos de Simon desceram, completamente expostos agora, rasgando-lhe o lábio. A dor foi como um tapa; ele foi para a frente, quase sem vontade, e agarrou o cálice da mão do Inquisidor. Esvaziou-o em três goles. Em seguida, percebendo o que tinha acabado de fazer, pousou-o no braço do sofá. A mão estava tremendo. Inquisidor, um, pensou. Eu, zero.

— Imagino que sua noite na cela não tenha sido tão desagradável? Não são feitas para serem câmaras de tortura, rapaz, é mais um espaço para reflexão forçada. Acho que a reflexão é excelente para centrar a cabeça, não concorda? É essencial para se pensar com clareza. Espero que tenha conseguido pensar um pouco. Parece um menino pensativo. — O Inquisidor inclinou a cabeça para o lado. — Levei aquele cobertor para você com minhas próprias mãos, saiba. Não queria que ficasse com frio.

— Sou um vampiro — disse Simon. — Não sentimos frio.

— Ah. — O Inquisidor parecia decepcionado.

— Apreciei as Estrelas de Davi e o Selo de Salomão — acrescentou Simon secamente. — É sempre bom ver pessoas se interessando pela minha religião.

— Ah, sim, claro, claro! — Aldertree alegrou-se. — Ótimos, não são, os entalhes? Incrivelmente charmosos, e, claro, infalíveis. Imagino que qualquer tentativa de tocar a porta da cela iria derreter completamente a sua mão! — Riu, claramente empolgado com o pensamento. — Enfim. Poderia dar um passo para trás, rapaz? Só um favor, meramente um favor, você entende.

Simon deu um passo para trás.

Nada aconteceu, mas os olhos do Inquisidor se arregalaram e a pele estufada em volta deles pareceu esticada e brilhante.

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