Capítulo 8: o que faz aqui?

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A luz da tarde acordou Clary, um raio de luminosidade pálida que incidia diretamente sobre seu rosto, iluminando o interior das pálpebras em um cor-de-rosa vivo. Ela se mexeu, inquieta, e abriu os olhos cautelosamente.

A febre desaparecera, assim como a sensação de que os ossos estavam derretendo e se quebrando dentro do corpo. Ela se sentou e olhou em volta, curiosa. Estava no que só podia ser o quarto de hóspedes de Amatis - era pequeno, pintado de branco, a cama coberta com uma manta velha de lã. Cortinas de laço se abriam sobre as janelas redondas, permitindo a entrada de círculos de luz. Sentou-se lentamente, esperando ficar tonta. Nada aconteceu. Sentia-se perfeitamente saudável, e até descansada. Ao sair da cama, olhou para si mesma. Alguém a tinha posto em um pijama branco engomado, apesar de agora estar amassado e ficar grande nela; as mangas penduravam-se por cima dos dedos.

Foi até uma das janelas circulares e espiou o lado de fora. Casas empilhadas, feitas de velhas pedras douradas, erguiam-se na lateral da colina, e os telhados pareciam ter telhas de bronze. Este lado da casa não tinha vista para o canal, dava em um jardim lateral estreito, que estava ficando marrom e dourado com o outono. Uma grade subia no lado da casa; uma última rosa se pendurava nela, as pétalas envelhecidas e já amarronzadas.

A maçaneta mexeu, e Clary voltou apressadamente para a cama antes de Aléxia entrar, trazendo uma bandeja.Não demonstrando reação alguma ao ao perceber que Clary estava acordada.

-O que faz aqui ? Cade o Luke ?---perguntou Clary, puxando a coberta mais para cima.
Aléxia colocou a bandeja sobre a mesa ao lado da cama. Havia uma caneca de alguma coisa quente sobre ela, e algumas fatias de pão com manteiga.

--Coma -- disse calma meneando para a bandeja em um gesto gracioso-- o Luke não está.

-- Como assim? Foi pra onde.

--Coma e depois fale com a minha mãe -- a loira fala enquanto abre uma cortina e começa a andar em direção a porta-- ela vai lhe responder. A propósito , eu moro aqui.

E saio fechando a porta atrás de si. Havia aparentemente se equivocado com Aléxia de certa forma,- se perguntou se imaginou os olhares que a garota lhe laçara quando estava quase inconsciente na cozinha de Amatis- ela não era como ela , a ruiva dúvidava que ao menos ela houvesse sido mundana --coisa que as diver runas da loira confirmavam-- como deduzira semanas antes. Filha de Amatis, irmã do Luke . Tudo se encaixava, mas se encaixava de maneira errada. Talvez por não conhecer toda a história.

Sem nada pra fazer se levantou vagarosamente , pegou a bandeja e voltou para a cama.

- Onde está Luke? - perguntou Clary após ver Amatis no batente da porta com o que pareceu ser roupas e toalhas , dobradas cuidadosamente em suas mãos.

Havia uma cadeira de costas altas perto da mesa; Amatis se sentou, cruzou as mãos no colo por cima das peças que trazia, e olhou calmamente para Clary. Sob a luz do dia, Clary podia ver melhor as linhas no rosto da mulher - parecia muitos anos mais velha do que a mãe de Clary, apesar de não ser possível terem idades muito distantes. Seus cabelos castanhos eram marcados por fios grisalhos, os olhos com contornos cor-de-rosa escuros, como se tivesse chorado.

- Ele não está aqui.

- Não está aqui no sentido de ter ido até a esquina para comprar Coca Diet e algumas rosquinhas, ou não está aqui no sentido...

- Foi embora hoje pela manhã, após ter passado a noite sentado com você. Quanto ao destino, não foi específico. - O tom de Amatis era seco, e se Clary não estivesse se sentindo tão infeliz, teria achado graça no fato de que aquilo fazia com que se parecesse ainda mais com Luke.
- Quando ele morava aqui, antes de sair de Idris, depois que foi... transformado... comandava uma alcateia que morava na Floresta Brocelind. Disse que ia até eles, mas não explicou por quê, nem por quanto tempo, disse somente que voltaria em alguns dias.

Filha de ValentineOnde histórias criam vida. Descubra agora