❁ thirty-five ❁

2.6K 208 91
                                        

e v i e

Parei em frente a enorme casa, que estava toda iluminada, e cheia de adolescentes bêbados e com hormônios a flor da pele. A música que vinha lá de dentro estava alta, e me perguntei como os vizinhos não tinham chamado a polícia.

— É aqui? – pergunto para Maju, que abre um sorriso quase psicótico, e começa a dar pulinhos de animação.

— Sim! – ela exclama, e me puxa pela mão, me fazendo tropeçar. – Vamos logo, Evie!

Assim que entramos no jardim, fiquei encantada. Arabella tinha colocado pequenas pisca-pisca com luzes brancas nas árvores, e eles davam uma iluminação especial ao lugar. Reparei que a piscina estava lotada de bóias, e fiquei com vontade de roubar a de unicórnio para mim.

— Uau, ela sabe mesmo como gastar o dinheiro que tem. – digo para Maju, que ainda está sorrindo muito. – Acho que essa é a festa mais legal que eu já fui.

— Digo o mesmo. – uma voz berra atrás de nós, e logo Bonnie está com o braço entrelaçado ao meu. – Por que vocês demoraram tanto? Achei que nem viriam mais!

— O trânsito estava um lixo! – berro por cima da música alta, e sorrio para Bonnie. – As meninas já estão aqui?

— A escola inteira está aqui, Evie. – Maju ri. – Tem gente aqui que eu nunca vi na vida.

— Ah, são os amigos da Arabella. – Bonnie explica. – Ela apresentou nós para os amigos hippies dela.

— Meu Deus. – murmuro, rindo.

Bonnie se oferece para nós guiar até onde todo mundo está, e quando entramos na casa, encontro mais pessoas ainda. Vejo o grupo de hippies, e dou risada. Tento procurar qualquer ponto vermelho no meio de tanta gente, me lembrando do que o “Alien” tinha dito.

Quando finalmente conseguimos chegar na cozinha, congelo quando vejo um garoto usando uma camisa vermelha. Ele está sentado ao lado de Arabella na bancada americana, e o cabelo loiro claro está todo bagunçado. Maju percebe que fiquei tensa ao seu lado, e segura meu braço delicadamente.

— Você acha que é ele? – ela pergunta, apreensiva.

— Não sei. – encolho os ombros, e suspiro. – Espero que não seja. Não quero lidar com um estranho.

Maju concorda com um aceno despreocupado, e nos aproximamos da rodinha.

— Vocês vieram! – Arabella grita, e pula desajeitada da bancada. Quando ela me abraça, sinto um cheiro forte de álcool, e torço o nariz. – Eu já estava pensando em ir buscar vocês.

— Que exagero. – Maju diz, e olha em volta, ansiosa. – Vocês viram o Aaron?

— Serve aquele alí? – Skyllar aponta para um ponto atrás de nós, e Maju se despede de nós. Observo Aaron dar um beijo desentupidor de pia nela, e quase coloco o que comi no dia para fora. Quando me viro novamente para as meninas, Erin passa os braços sobre meus ombros, e me estende um copo.

— Você precisa relaxar, Evie. – ela sorri, e percebo que também está bêbada.

— O que é isso? – pergunto.

— É ponche, Evie. – Arabella diz com a voz enrolada. – Você não vai ficar alcoolizada, nós prometemos.

— Não vai ficar se não quiser, corrigindo. – Izzy diz, e elas trocam um olhar cúmplice.

— Vocês me assustam. – digo, e dou risada. Me viro para Arabella, que parece estar tão chapada ao ponto de não lembrar o próprio nome. – Podemos conversar rapidinho?

— Eu sempre soube que você quis meu corpo nu. – ela comenta, convencida, mas me segue até um corredor mal iluminado.

— Quem é aquele garoto que estava sentado ao seu lado? – vou direto ao ponto, e ela arregala os olhos.

— O Theo. Mas nem se empolgue, ele é gay, e tem um namorado. – ela se apóia na parede, e eu suspiro aliviada. – Isso tem algo a ver com aquele menino que você conversa?

— Mais ou menos... – dou de ombros. – Vamos voltar? Quero conversar com as meninas. – mudo de assunto, e ela dá de ombros.

— Claro.

• • •

— Vai ter que virar! – Luna berra, batendo palmas, e Nina faz uma cara de choro e começa a choramingar, mas vira o shot de tequila.

Melanie tinha dado a ideia de jogarmos alguma coisa – eu sequer conseguia lembrar o nome do jogo, e como ele é exatamente –, e quase todo mundo topou. A festa agora estava reduzida em um pequeno grupo de quase quatenta pessoas, e eu estava tão bêbada, que embolava as palavras na hora de falar. Anna não estava muito melhor que eu, e desde que começamos a jogar, estamos nos apoiando uma na outra, para não cairmos.

— Acho que já deu, pessoal. – Ellie diz, e se levanta. – Eu e o Jacob já vamos. – ela avisa.

— Mas está cedo... – Anne murmura para si mesma, e tomba em cima de Allison, que começa a gargalhar.

Respiro fundo, tentando amenizar a dor pulsante da minha cabeça. Maju havia sumido com Aaron, eu não conhecia ninguém que poderia me dar uma carona, e parece que todo mundo está bêbado.

— Eu vou ir embora. – digo para ninguém em particular, e me levanto, cambaleante. Meu corpo parece pesar uma tonelada, e me sinto em um clipe de música eletrônica, onde todo mundo bebe, e a música é sempre muito alta.

Esbarro em Erin quando estou quase chegando ao jardim, e quando estou prestes a cair, alguém me segura pela cintura. Ainda meio grogue e assutada, levanto os olhos. Meu coração acelera quando noto a camiseta vermelha, e respiro tão fundo, que quase acabo com o oxigênio do planeta, assumindo a função do Hayes.

Quando abro a boca para perguntar se Matt é mesmo o Alien, sinto uma pontada mais forte na cabeça, enviando uma nova onda de dor. Sentido meu corpo ficando mole, apenas fecho os olhos, e espero a escuridão me engolir.

________________________

5/5

A maratona acabou, manas.

Espero que vocês gostem do capítulo, porque particularmente, eu não gostei muito rsrsrs

ilysm, mandy.

𝐝𝐫𝐮𝐧𝐤 ❀ 𝐦.𝐞𝐬𝐩𝐢𝐧𝐨𝐬𝐚Histórias para pegar e não largar. Descubra agora