Que o inferno comece (Parte 1)

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Erik

Hoje é segunda feira e Andrea não veio trabalhar, ela teve uma "reunião de última hora" em outra cidade. Talvez até tenha sido melhor, a tensão entre nós seria muito grande, tendo sérios riscos dela me matar ao longo do dia. Confesso ter ficado a madrugada tentando encontrar uma maneira para tentar darmos certos, mas todos os sentidos negativos eram muito maiores que os positivos, ou seja, a chance de nunca darmos certo é enorme. Sei que perdi essa batalha, e no meu interior sei que o certo é eu pagar os vídeos e me mandar daqui, porém algo não deixa, não permite que u eu faça e eu fico igual a um cachorrinho que caiu da mudança.

Enquanto trabalhava, meu celular não parava de apitar com mensagens de Jennifer. Mulher insuportável, foi por causa dela que minhas chances com Andrea voltaram á estaca 0.

Essa mulher não vai me dar sossego enquanto eu não falar com ela. Respiro, tentando reunir toda a coragem e paciência que eu tenho e atendo o telefone.

-Sim?

-Finalmente você me atendeu, parece até que estava me ignorando – mas era exatamente o que eu estava fazendo.

-O que quer Jennifer? Eu já não deixei bem claro que não quero mais nenhum envolvimento com você? Ou será que vou ter que soletrar?

-Não precisa ser tão grosso assim, aliás, eu não gostei nada do jeito que me tratou ontem Erik, aquilo não é jeito de se tratar uma dama.

-Pode falar rápido, eu estou ocupado no trabalho.

-Que tão se nos saímos para almoçar hoje em? Podemos ir em algum restaurante italiano que você goste.

-Quantas vezes vou ter que repetir que não quero me encontrar com você?

-Por favorzinho – aquela voz fingindo inocência me dava nojo – Só dessa vez, apenas para eu me explicar, e se você reaumente não quiser nada, eu deixo em paz. Prometo.

Olhei para cima fazendo gestos raivosos e xingando mentalmente.

-Tudo bem. Vou mandar o endereço do meu trabalho para vir aqui as 12:00. – desligo o telefone e mando a mensagem.

O que foi que eu fiz?


Andrea

Já teve aqueles dias que você desejou não ter que sair da cama? Provavelmente sim, e se não, me dê a receita de como faz isso. Não estava nos meus planos viajar para Portland, contudo foi o único meio que achei de não ir trabalhar hoje (não é como ser Portland ficasse longe de Seattle, mas pelo menos eu não estava no mesmo local que...aquele filho da puta.

Como pude ser tão burra e ter caído tão fácil na lábia dele?! " Eu só quero te conhecer melhor' e todo aquele bla bla bla estavam me convencendo, tanto que revelei cosias a ele que jamais tinha dito a ninguém. EU CHOREI BEBADA EM SEUS BRAÇOS. Como eu fui burra. Mas eu só confirmei minhas suspeitas: homem nenhum presta. Ele são vão te enganar e esperar a hora para dar o bote.

O problema de estar em Portland é ter que enfrentar meu pai. Esse foi o nosso combinado. Todas as vezes (muito poucas) que eu tinha que vir para cá, era minha obrigação visita-lo. É por isso que sempre mandava um representando vir em meu lugar.

Passei com meu carro por dentro os grandes portões brancos da casa de meu pai, atravessando o vasto jardim bem cuidado e belo, estacionando na única vaga disponível em meio a tantos outros carros caros. Um desejo secreto de pegar meu carro e sumir daqui cutuca minha mente. Vamos lá Andrea. É apenas seu pai. Saiu do carro, dando a volta indo em direção as grandes portas duplas brancas. Antes mesmo que pudesse bater, Emmett abre a porta e abrindo um grande sorriso ao meu ver. Emmett é mordomo de minha família a muito tempo, e antes foi seu pai. Um senhor de 54 anos, com alguns cabelinhos brancos misturados em seus cabelos pretos, uma ruguinhas aqui outras ali, o de sempre. Ele sempre em dava pirulitos coloridos escondidos. Era a única coisa "infantil" que eu tinha contato.

-Andrea, quanto tempo que não aparece por aqui, entre – sorrio entrando lhe dando um abraço apertado. Meu único amigo.

-Também senti saudades de você – assim que me afasto do abraço, olho ao redor notando que anda mudou. – Hum, ele está ai?

-Sim. Está no escritório fumando um charuto. Irei avisar que a senhorita esta aqui – ele sai sorrindo.

Olho em volta da casa que me traz tantas lembranças da época que passei aqui quando pequena. Tantas vezes que tentei fugir para me encontrar com outras crianças, mas sempre sem sucesso. Os seguranças sempre me achavam e me levavam para Emmett, o mesmo só balançava a cabeça e prometia que não iria contar a meu pai.

Atravesso toda aquela imensidão de branco com azul claro e alguns poucos tons de amarelos suaves e sem brilho. Pelo menos a mania de colocar flores nos vasos de mamãe continuará. Me sentei no sofá e fechei meus olhos. Que Deus me ajude. Não que meu tenha sido um mostro, mas ele nunca foi um...pai. Nunca deixava eu sair, nunca foi presente em meu crescimento. Só se importava com o meu futuro promissor como herdeira de sua grande empresa. Escuto passos, e me levanto rapidamente enrijecendo minhas costas o mais bonito e elegante possível.


A Minha ChefeOnde histórias criam vida. Descubra agora