Estava com sede quando sai da sala. Eu acabei dizendo ao professor de matemática que, na verdade, tinha que ir no banheiro por problemas femininos para que ele me dê-se o passe e eu pudesse sair daquele lugar barulhento. Eu tinha cerca de 15 minutos para fazer o que queria, o que eu meio que tinha esquecido o que era e voltar para a sala antes que ele fosse atrás de mim.
O senhor Braga era formado em psicologia além de matemática e tinha percebido a pequena queda das minhas notas desde o primeiro bimestre tendo em consideração que no ano anterior eu havia fechado todas suas provas. Ele notara a diferença. Perguntou sobre uma vez ou duas, não insistiu, mas continuava de olho em mim.
Odiava isso.
Talvez odiasse ainda mais o fato de que o único que havia percebido era meu professor de matemática.
Suspirei em agradecimento logo em seguida.
Não era de fato ruim que isso acontecesse, meu demônio agradecia também.
Tornava as coisas mais fáceis pra mim.
Caminhei tranquilamente até o bebedouro, em passos lentos. Sabia que depois dali ainda iria ao banheiro jogar alguma água no rosto, observar meu reflexo com uma expressão séria e complexa. Um misto de "Por que estou me olhando no espelho?" de "Oh meu deus, eu sou horrível". Tento conter minha respiração que já começar a desregular, eu estava começando a odiar o fato de que agora eu surtava com muito mais facilidade que antes. Era fácil perder o foco das coisas, com uma rapidez impressionante minha visão ficava embaçada e não tinha nada a ver com o fato de que eu usava óculos.
Eu estava me perdendo.
Meu Deus, eu nem sabia mais o que era. Havia um buraco vazio gigante em meu peito que não conseguia ser preenchido com nada, desde cigarros, a bebidas ou simplesmente lágrimas.
Eu não tinha mais lágrimas, eu não aguentava mais sentir aquela dor. Aquele sufoco. Aquela coisa insistente que minha mente gritava a cada minuto repetindo e repetindo com uma voz conhecida que eu não era nada e era melhor sair correndo para bem longe dali.
Eu estava a ponto de enlouquecer, por favor.
Respirei fundo ao chegar perto do bebedouro e me inclinei, para beber um pouco de água. Não mais que dois goles, acho que era suficiente para mim.
"O que está fazendo?" Lauren perguntou, aquele tom de voz divertido e bom, enquanto se aproximava de mim e se sentava ao meu lado. Eu estava na biblioteca, um livro de trigonometria aberto na minha frente e ela insistia que não fazia ideia do que tudo aquilo significava. Eu apenas sorri, porque adorava falar com ela também, e isso já estava acontecendo a quase um mês.
"Acho que é um pouco óbvio." Eu ri, a respondendo. Ela também riu, dando de ombros. Mesmo assim se inclinou e sorriu para a matéria.
"É divertida essa." Ela disse e eu a encarei revirando os olhos. Estávamos conversando a tanto tempo quanto conseguia contar. As vezes, quando terminava a atividade de biologia mais cedo que o normal (com a ajuda de Lauren, as vezes), ficávamos conversando baixinho para não atrapalhar ninguém. Ela pegava uma cadeira e sentava ao meu lado e íamos de biologia para política e então para séries. Adorava conversar com ela.
"Não entendo essas pessoas de biológicas." Eu ri e ela logo me acompanhou, me olhando de lado. "Acho que nos encontramos muito aqui pela biblioteca?"
"Isso é porque você não considera Crepúsculo literatura de verdade." Lauren riu e eu dei de ombros, como se não tivesse culpa.
"Não funciona assim," Eu comecei, com toda minha pose de que sabia muito bem o que estava falando e que o que diria em si seria somente intelectual. Ela sorriu na minha direção e, por dentro, eu me derreti completamente por aquele sorriso. "Acontece que acho que a história não foi devidamente aproveitada, focou tanto no romance da Bella e a forma como ela se encaixava em um triângulo amoroso sem noção... Algumas partes, definitivamente ficaram em branco."
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blood and tears.
Hayran Kurgu| Concluída | E se fosse de trás para frente? Esse amor começaria errado e terminaria bem. E isso era tudo o que eu queria. ou; Onde Camila relembra tudo o que passou com e por Lauren quando namoravam enquanto tenta não se afogar em seu próprio sang...
