Tal comos os cigarros, ela era feita para queimar. Tal como o fogo, Chloe tinha nascido para destruir.
Quando Ethan colocou os seus olhos azuis sobre a jovem problemática, ele não imaginava o mistério que a rodeava. Afinal, nem Chloe fazia ideia daq...
wake me when the shakes are gone and the cold sweats disappear
call me when it's over and myself has reappeared
sober - demi lovato
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CHLOE ROMERO
Acordei num sobressalto, sentindo as lágrimas misturarem-se com o suor.
Eu era a responsável pela morte de Hannah. Eu empurrei-a para o seu destino.
E esse peso era algo que no momento mal me deixava respirar.
Afinal, o meu maior medo tinha-se realizado: Eu era uma assassina.
O choro compulsivo parecia não ter fim, eu simplesmente não conseguia parar. O corpo morto de Hannah, os seus cabelos louros ensanguentados.
Ivy.
Eu tinha de sair dali. Tinha que, de alguma maneira, pagar por aquilo que tinha feito.
Eram 5 horas da manhã, e eu decidi que talvez o ar frio de inverno pudesse-me ajudar a acalmar, mas no caminho até ao jardim, dei de caras com Ivy.
Os seus cabelos castanhos desgrenhados, os seus olhos cansados, visíveis apenas pela luz da rua, ajudaram-me a perceber que eu não era a única que tinha mudado.
Ivy também tinha pesadelos, Ivy também sofria. E tal como eu, escondia o que sentia.
Porque eu tinha matado a sua melhor amiga.
- Porque é que estás a chorar, Chloe? – Ivy perguntou preocupada, tentando aproximar-se, levando a que me afastasse instantaneamente.
- Já percebi porque é que me odeias tanto. – Admiti, ao observar esta acender a luz. – Eu também me odiaria.
- Tiveste algum pesadelo? – Franziu a testa. – Não estás a fazer o mínimo sentido, parece que estás ficar louca. – Foi arrogante.
Ri sem humor, entre as lágrimas.
- Eu não sou louca, sou uma assassina. – Encostei-me à parede, perante o olhar perplexo de Ivy.
- O quê?
- Eu já sei Ivy, eu li o teu diário, tenho tido pesadelos horríveis. – Admiti, escorregando pela parede abaixo. – Eu matei a Hannah, eu sou uma assassina, desculpa. – Chorei, abraçando o meu corpo.
- Chloe, não foi bem assim. – Tentou consolar.
- Não! – Gritei, sem ao menos lembrar-me das horas. - Passas a vida a falar mal comigo, apenas diz tudo o que sempre me quiseste dizer, eu preciso de ouvir. – Os seus olhos começaram a marejar, enquanto esta parecia negar-se a si mesma. - Eu preciso de algum tipo de penitência.