CAPÍTULO 10

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AINDA SOBRE O DEPOIS - POR ANNE

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AINDA SOBRE O DEPOIS - POR ANNE

"Às vezes você acaba arrastando alguém para sua escuridão sem querer, mais às vezes te arrastam para a luz como um tornado. Apenas uma balança, ira ditar, quem ganhara a guerra, uma vez que sempre torcemos pelo bem."

Para quem vê de fora, pode pensar que é obsessão, mais ninguém sabe o que passei e o que tive de enfrentar. Minha segunda passou basicamente normal e ao passar no semáforo percebi que JP não estava ali. Eu queria muito vê-lo mesmo que de longe.

Fiquei preocupada que fosse algo relacionado à doença. Eu tentei ligar, mas o celular, mas está desligado. Descontei minha frustração no Muay thai, e fui pra casa descansar. Melhor dar um tempo a ele, talvez ele esteja tão confuso quanto eu.

Na terça-feira à tarde JP também não estava então decidi ir à sua casa. Provavelmente eu devo ter feito algo que o magoou. Bati na porta algumas vezes até que uma senhora simples e simpática me atendeu e logo identifiquei ser a mãe dele. Eu estava com o terninho cinza chumbo que usei no trabalho, mas o rosto da mulher se fechou e ficou pálido.

Eu disse ao seu patrão para nos dar mais prazo para sair. O aluguel está em dia, não sei por que mandar advogado.

Eu não tinha dito nem oi, pobre coitada deve estar desesperada.

— Me desculpe, mas estou longe de ser advogada. Engenheira sim, advogada não. Eu vim procurar o JP sou Anne.

Ai meu Deus menina que vergonha.Me desculpa você é que... _Ela parou de falar como se já tivesse falado demais e sorriu. — JP não está em casa, algo relacionado aos estágios que ele esta procurando.

— Tudo bem, apenas peça para ele manter o telefone ligado que preciso falar com ele. Senhora?

Cida, apenas Cida.

— Ok Cida, até mais.

Cida não me convidou pra entrar e pareceu estar extremamente nervosa.
Já em casa, peguei uma taça e o vinho e preparei a banheira, em apenas dois dias, JP preencheu a casa de alegria e agora parece tudo muito triste e silencioso. De repente meu celular começou a vibrar e pra minha surpresa e alegria é o JP.

— Oi sumido.

Oi Anne, você sabia que está impossível trabalhar porque ligam minha imagem a sua?

— Merda JP eu não pensei nisso, me desculpa.

Eu até tentei, mas me perguntavam se era eu quem estava com você. E quando chego em casa minha mãe diz que você foi lá Eu não entendo o que você quer Anne. Você disse que queria que eu fosse ao baile contigo e tals, mas eu nem sei o que somos. Me sinto num barco afundando.

— Ok me desculpa de novo, eu sei que exagerei, mas entenda meu lado eu queria falar com você desde ontem e não consegui. Se você acha que estou sendo invasiva eu até te entendo, se não estamos definidos a culpa não é só minha, agora vou desligar porque estou no banho.

"Minha vontade de vomitar competia com o choro."

"— Por favor, por favor, me deixa sair eu nunca fiz nada pra você."

"— A partir de hoje você vai ser a putinha do papai. Cadelinha."

As mãos do meu padrasto desciam pelo meu corpo me causando repulsa e dessa vez ele não só ameaçou ele fez e o grito de dor saiu do mais profundo da minha garganta enquanto ele me penetrando tirando minha virgindade.

"— Não... Para socorro."

Acordei suando e chorando às 03 da manhã. Era sempre terrível quando isso acontecia, às vezes a lembrança se misturava com o tempo que foi ocorrendo, às vezes voltava sempre na primeira vez, o que me dilacerava por dentro. E então começava meu ritual. Me levantei chorando e desesperada indo direto pro banho sem ao menos tirar minha roupa. Mesmo sendo rotina, eu não consigo me acostumar a isso.
Esfreguei com toda força que eu tinha, mas nada fazia sair àquela imundície de mim.

Nessas duas semanas que mantive contato com JP eu não tive pesadelos, no domingo dormi absurdamente bem. Parecia minha válvula de escape, meu paraíso. Bastou uma discussão e aparentemente tudo voltou pior. Sai da água e fui preparar um café, dormir nesses momentos e uma missão impossível.

Em algumas horas teria a entrevista com os futuros estagiários e provavelmente parecendo uma zumbi. Chorei mais um pouco enquanto o café não ficava pronto e liguei o notebook para trabalhar no sofá mesmo. Ainda senti o notebook deslizando de minhas mãos e as pálpebras pesadas o suficiente para não se manterem abertas.

∞∞∞∞

— Putz grila... Tô atrasada merda.

Me levanto chutando o dedo mindinho na mesa de centro e desembestada corri numa curva meio torta para um banho rápido. Eu não me importo em ser dona, apenas sei que o bom exemplo deve partir de mim. Catei a primeira roupa que vi no closet que no caso e um vestido azul marinho de corte reto e o salto do dia anterior que estava a caminho da sala. Cacei um palito que estava perdido dentro do carro e fiz um coque, enquanto passava base e batom e delineador nos 30 ou 60 segundos em que o sinal ficava vermelho. Consegui me atrasar apenas meia hora e notei que todos estavam presentes, menos JP, que disse que queria tanto a vaga.

— Maria da minha vida, compra um lanche pra mim? Não deu pra tomar café no caminho.

Maria era a minha secretária que considerava uma mãe, sorriu com simpatia e me perguntou:

O de sempre criança?

— Com certeza.

Sorri em satisfação e fui pra minha sala. Em seguida sai com as pastas para a sala de reunião e mesmo de costas senti sua presença.

— Atenção a todos! Me sigam até a sala de reunião e... Bom dia.

Pela primeira vez fiquei nervosa, acho que nunca mais JP vai querer falar comigo. Enquanto todos se acomodavam fui ligando os utensílios eletrônicos que eu iria usar. De repente meu celular apita indicando uma nova mensagem. E era ninguém menos que JP para minha alegria e felicidade.

"— Não sabia que trabalhava no RH" _Mensagem de JP

"— E não trabalho, mas gosto de selecionar pessoalmente."

"— Você me selecionou só pelo o que eu disse no sábado?"

"— A seleção foi separada há mais de duas semanas como o e-mail pode comprovar. Mais alguma pergunta?"

"— Por quê???"

"— Preciso dar inicio enquanto meu café da manhã não chega."

"— Ok"

"— Boa sorte! Só vai fazer parte da Rodgers se merecer. E não é uma foda gostosa que me convence hein? Tem que me surpreender."

"— Espero que esteja de calcinha. Não consigo ter certeza nessa distância."

"— Estou no trabalho oras claro que estou de calcinha, só é apenas tipo cueca."

"— Conversa esta ficando interessante. Qual a cor?"

"— Saiba que posso te fazer se apresentar primeiro e de pé, então para que ninguém veja sua big ereção, é melhor me deixar dar inicio."

"— Agora deu medo."

Depois daquela breve e caliente troca de mensagens pra começar bem o dia que eu achava que seria uma bosta. Resolvi focar no trabalho e iniciar as apresentações com os futuros estagiários da empresa.

— Mais uma vez bom dia, sou Anne Rodgers, presidente e dona da Rede Rodgers de Auto Peças e além de mais 05 oficinas como já devem saber, tenho 27 anos e construi essa empresa desde o inicio e é por isso que faço a seleção, para escolher a dedo quem merece fazer parte da minha equipe.

(Completo) SINAL VERMELHOOnde histórias criam vida. Descubra agora