POR ANTONELLA DE FÁTIMA
Já estou com 15 anos, na verdade eu e meu irmão. Faltam umas 05 horas para nossa festa de debutante. Sinceramente eu preferia ir pra Disney, mas sei que isso envolve algum sonho de mamãe.
Da janela do meu quarto, observo meus pais. Na minha opinião o ato de maior insanidade dos dois, foi fazer uma tatuagem na mão, um fez a chave e outro o coração. Eu não teria coragem levando em consideração que a relação deles pode não ser para sempre, mas por outro lado é tão lindo observar os dois que os vejo bem velhinhos.
Eles são meus super heróis favoritos. Porque são reais, eles são cúmplices em tudo que fazem, até mesmo quando vão nos dar broncas.
E olhando daqui, os dois sentados abraçados, é impossível imaginar que eles têm algum problema na vida. Pra mim, é sempre de cortar o coração quando os dois brigam, porque papai sai de casa e vai para casa do amigo dele e mamãe vai pra balada, resultado?
Os dois chegando em casa no dia seguinte. Eu chego a desconfiar que eles façam isso de propósito, porque depois é uma melação sem noção. Nunca mais vi a mulher loira que ia me visitar na van, mas depois do dia que ela me olhou com ódio ainda tenho pesadelos com ela machucando alguém daqui de casa.
Estou entrando no ensino médio e tudo que eu quero e continuar tendo uma vida meio que normal, mesmo os meus pais sendo famosinhos. Arthurzinho e eu ainda somos inseparáveis e já aprontamos muito do tipo, descer de papelão naqueles jardins de morros que adoro. Espoleta morreu, mas ganhamos um gatinho chamado rabito, porque seu rabo tem duas cores, um cachorro chamado Crispim (ideia de Arthurzinho) e uma calopsita que chama isso ai mesmo.
Um dia quero ter o relacionamento como o dos meus pais, do tipo que apenas os dois se bastam. Sorrio pensando em tudo que vem acontecendo na minha vida. Sou grata a Deus. Minha mãe me prometeu que quando eu fizer 18 anos, ela projeta um gol pra mim, só que na verdade eu quero o dela ou o do papai, é tão perfeito.
O tempo passou voando e já está na hora de me arrumar. Arthurzinho vai dançar com uma garota Amanda, eu não convidei ninguém, mas teve um menino, ele é até bonito, se auto convidou e eu aceitei. Começamos a ir ao shopping e tomar sorvete juntos, longe de mim dançar com um guri que mal sei o nome. Escuto alguém batendo a porta do meu quarto.
— Oi mana.
— O que foi Arthurzinho? Já não basta ter me traído?
— Eu não te trai, só acho que a gente é tão grudado que não deixa mais ninguém se aproximar. Temos que aumentar nosso ciclo de amizades. Se não você nunca vai ter uma amiga pra eu dar uns pegas.
— Tá bom. É sempre a mesma ladainha.
Vou tomar banho tchau.
∞∞∞∞
POR ARTHUR HENRIQUE
Desde que me entendo por gente eu e Tonella somos iguais chicletinhos de asfalto, não nos desgrudamos. Quando Enzo nasceu, Tonella só queria saber do bebê.
Fiquei de mal com ela por 10 dias, até que mamãe nos ensinou que Enzo veio para somar e, apesar dele ter nascido calminho e amorzinho como mamãe queria, depois de os dois anos ele passou a pintar o sete, mas é gente boa o moleque, e provavelmente mais pegador que eu, porque ele não tem uma irmã gêmea ciumenta.
Tonella tem que entender que nós não vamos nos casar, por isso acabei decepcionando ela pela primeira vez ao convidar Amandinha para dançar a valsa comigo. Só que ela não quis convidar ninguém. Eu fiquei triste, porque mesmo sendo gêmeos, nossa personalidade é bem oposta, como a mamãe e o papai. Tudo que Tonella faz e calculado e por teimosia em excesso como o papai e eu já sou todo sentimentos como a mamãe. Tonella tem dificuldades de fazer amigos e se agarra a apenas uma pessoa como a mamãe e eu sou mais na minha, mas converso com colegas como o papai. Minha irmã sonha com engenharia como os dois e eu sonho em ser advogado desde os 05 anos de idade, ai já sou ovelha negra da família porque a minha avó sonhava em ser chef de culinária.
Já são 22:00 horas e acabamos de chegar no local da festa. Optamos por DJ e após a valsa arranco o terno, nem que seja pra jogar fora. Odeio terno. Meu estilo é boné aba reta, bermuda e camiseta, o que me lembrou os capote que mamãe levou na tentativa de aprender a andar de skate. Imagem só, uma coroa gata de quarenta anos, vestindo short e regata, tênis da Qix e boné de aba reta em cima de um skate? Geral parou para olhar, até que no final das contas, ela conseguiu se equilibrar e arriscar qualquer manobra desconhecida.
Enfim, nos dias de folga meu maior lazer e ir com meu pai andar de skate. É algo só nosso pai e filho, já que minha mãe e Tonella vão pra aula de dança enquanto o Enzo gosta de.. Futebol meu povo.
Se eu me acho esquisito querendo ser advogado, pensa o Enzo então viciado de chorar por futebol. Enfim, passou Tonella e eu no telão quando éramos pequenos enquanto nossos pais nos homenageavam naquele mela cueca de sempre.
Também homenagearmos os dois, só que cantando uma versão que escrevemos da musica que eles tanto amam 'Aleluia de Álvaro Sampietro'. Nós mesmos fizemos o remix da valsa, primeiro uma música clássica que só não me deu sono por estar agarrado a Mandinha e depois funk, sertanejo e até uns modão. Quando dei por mim, já tava descalço, sem camisa e suando até o cú da calça. Troquei de roupa e partiu curtir a night de um jeito nada light dando uns pega na Mandinha e não é que a danadinha da Tonella que trocou o vestido da cor marsala por um assanhadinho dando uns beijos no novinho do seu companheirinho? Vai me xinga agora eu sou mestre?
∞∞∞∞
POR ANNE
Sonho realizado, partiu fim de semana na casa da praia. Esse era o plano, mas no fim acabamos parando num chalé de última hora e pedindo champanhe já que não gosto muito de vinho.
— Nossos filhos já têm 15 anos amor.
Diz JP me abraçando por trás, causando os mesmos arrepios da época de namoro.
— E nos 20 juntos.
— Obrigada por ser a doida varrida que me parou no semáforo com uma proposta indecente, que me torturou no shopping e por ter insistido em nós.
— Você me tirou da escuridão, então amor da minha vida, tive uma ideia.
— A última vez que você teve uma ideia, nós tatuamos uma chave e um coração na mão.
— Agora e sério. Vamos pular de paraquedas?
— Oi?
— Você ouviu meu amor.
Me virei de frente para JP beijando o lóbulo de sua orelha descendo pelo pescoço e abrindo os botões de sua camisa, fui descendo e me ajoelhado tirando a calça e cueca juntos, liberando seu pau todo turbinado.
Sempre olhando para seus lindos olhos, fui lambendo e chupando de fora a fora seu pau como se fosse a Dora aventureira em mais uma aventura no meu playground favorito. Com a vantagem que ganhei, empurrei JP na grande cama do hotel e arranquei minha roupa sem delicadeza, montando o touro do meu marido que aos 45 anos é um poço de beleza.
Juro que aceitava morrer assim, mas logo após o orgasmo que está se aproximando. Conhecedor do meu corpo, JP percebe e vira o jogo ficando por cima, suas estocadas ferozes indicam tudo que sente por mim e mais um pouco. Sabendo que nesse momento ele concordaria em ir até o polo norte comigo eu pergunto.
— Pular de paraquedas, sim ou com certeza?
— Simmmmmmmmmmmmm
E então gozamos juntos, e mesmo acontecendo sempre, nunca virou rotina. Linda e bela feliz da vida, observo o avião ganhar altitude para pularmos. É tudo tão lindo daqui de cima.
— Caralhoooooo Anne que porra é essa?
— Se joga na sensação amor.
JP abre os braços e grita tão forte quanto pode...
— Te amooooooo porraaaaaa.
— E seu pau tá cutucando minha bunda.
— Ah me fode Anne.
— Aqui na altura não mozão, só no hotel.
E assim rimos, rumo ao contagiante dia a dia que sempre nos trará mil histórias para contar. Seguramos firmes nossas mãos e temos a certeza que o meu coração somente JP tem a chave.
VOCÊ ESTÁ LENDO
(Completo) SINAL VERMELHO
Storie breviQual lição de moral um semáforo pode te trazer?? O sinal vermelho diz claramente que se deve parar, indica algo proibido, mas multas de trânsito e acidentes comprovam que nem todoseguem a risca o que o sinal vermelho pede. Ela está no final de um di...
