Capítulo 6 - OLHOS NA ESCURIDÃO

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Lucas, apavorado, correu em direção à barraca do chefe de equipe:

- Professor! Professor, acorde!

Revirando-se preguiçosamente, o líder do grupo pareceu não ligar para o desespero do garoto.

- Professor! Ouvi gritos na floresta!

Resmungando, Professor Rodrigo respondeu, sem ao menos abrir os olhos:

- Não enche, garoto! Devem ser bugios na mata! - E virou-se para o outro lado, caindo no sono novamente.

Lucas ficou com raiva, mas também estava com muito medo. O que ele poderia fazer? O que ele deveria fazer? Tinha que fazer alguma coisa. Não podia apenas se esconder feito uma lebre assustada. Pegou sua lanterna e decidiu caminhar até a borda do acampamento, em direção à trilha que levava à colina.

A mata estava escura, iluminada apenas pela lua cheia que despontava no céu. Começou a seguir, lentamente, entre as folhas e galhos que se entrelaçavam à sua frente. O barulho dos insetos e de coisas movendo-se em meio aos arbustos aguçava os seus sentidos. Uma névoa úmida brotava do solo. Sentiu que estava sendo observado.

Em meio a mata noturna, viu olhos sinistros brilharem por todos os lados. De pé, na trilha, viu olhos pequenos e grandes, como bolas redondas e douradas que o fitavam da escuridão. O terror corria por suas veias, e Lucas engoliu em seco. A mão que segurava a lanterna tremia.

- Bertran? Gael? Vocês estão aí?

De repente, os olhos que o obsevavam correram para mata adentro, momentos antes de algo enorme e assustador se erguer no céu. Um vulto gigante, com asas enormes, sobrevoou sob o luar, vindo da colina. Ele carregava algo em seus pés, como garras levando uma presa para seu ninho. Passou planando direto por cima do acampamento.

Uma coisa viscosa pingou sobre o rosto e a camisa de Lucas. Uma mistura de baba gosmenta e sangue, com cheiro de morte. O jovem sentiu o estômago embrulhar, e voltou para o acampamento apavorado, os olhos arregalados de terror. Antes de chegar à clareira, apoiou-se com as mãos no paredão e soltou uma golfada de vômito, esvaziando seu estômago do pouco que havia comido. Sua cabeça doía e as pernas estavam moles. Queria desistir de tudo. Ele queria juntar suas coisas e ir embora.

Cambaleando até a área das barracas, percebeu que o Velho Jon não estava mais ali.

- Professor Rodrigo! O Velho Jon escapou!

Lucas gritou várias vezes até acordar o homem dentro do abrigo em forma de iglu. Ele estava irritado e com evidente cansaço, mas ficou surpreso ao ver a condição em que o jovem se encontrava:

- Minha nossa! O que aconteceu com você, garoto? Por onde se meteu?

Lucas contou tudo o que aconteceu durante a madrugada, enquanto o chefe do grupo, colocando o chapéu e ajeitando os óculos no rosto, escutava pensativamente.

- Em alguns minutos, vai amanhecer. - disse, finalmente. - Vamos desmontar uma das barracas e seguir a trilha até a cabana na colina. Vamos deixar a outra aqui caso os outros membros do grupo apareçam.

- Mas, e se eles não aparecerem? - disse Lucas, apavorado. - E se eles estiverem mortos?

- Você ouviu o que eu disse! - respondeu o homem, categórico. - Vamos subir a colina e ver o que aconteceu! Se o Velho Jon voltou para a cabana, ele deve ter um mapa da floresta. Vamos achar os outros, encontrar a criatura e voltar pra casa!

E assim, levantaram metade do acampamento e seguiram a trilha colina acima, enquanto a alvorada se erguia no início da manhã. O jovem estagiário estava todo dolorido, com fome, enquanto carregava uma pesada mochila com equipamentos de pesquisa.

Avistaram a cabana do Velho Jon, no topo da colina, após meia hora de caminhada. Era um alojamento rústico e pequeno, sujo e com ares de abandono. Ao longe, perceberam que a porta de entrada estava aberta.


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O que será que existe dentro da cabana do Velho Jon?

Que mistérios eles ainda vão desvendar nesta aventura sombria?

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