Capítulo 9 - VALE DAS SOMBRAS

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Os dois sobreviventes da equipe de pesquisa desceram a trilha colina abaixo, em direção ao vale. O sol já estava a pino e começou a esquentar. Mosquitos esvoaçavam, tentando mordê-los. O calor tornava o peso da mochila um fardo cada vez maior.

O líder do que sobrou da equipe estava obstinado em sua obsessão. Ele queria encontrar a criatura da Floresta Negra a qualquer custo, mesmo que isso fosse um grande risco para os seus subordinados. Não desistiria de capturá-la por nada.

Lucas, que seguia atrás carregando a maior parte do peso, mais parecia um boi seguindo para o abatedouro. Ele sentiu que seu tempo estava chegando ao limite. Sabia ser inexperiente, não tinha grandes habilidades ou um corpo forte. Só estava vivo, ainda, por pura sorte. Todas as probabilidades apontavam para o seu fim iminente.

Chegando no vale, as nuvens cobriram o céu. Estranhamente, escureceu o dia, tornando o ambiente mais sombrio e assustador. Parecia que o tempo havia se fechado com a presença dos dois. O ambiente se tornava mais sinistro à medida que avançavam.

Na várzea da planície, entre os montes, um rio aparentemente raso e de correnteza mediana corria do norte para o sul, vindo ao encontro dos dois pesquisadores. Era possível atravessar até o outro lado com a água na altura dos joelhos e isso confortava um pouco, caso decidissem explorar o canto leste da floresta. As margens eram formadas por seixos e rochas magmáticas, que dificultavam um pouco a travessia, mas não a tornavam impossível.

Vendo toda aquela água correndo na sua frente, o jovem estagiário não suportou mais o calor e a sede que sentia. Com as costas e o rosto encharcados de suor, o garoto já estava exausto:

- Vamos parar aqui! Eu não aguento mais caminhar com esse peso...

- Deixa de moleza, vamos seguir mais um pouco, até a cachoeira!

Mas Lucas não estava brincando. Seu rosto estava pálido e hipoglicêmico.

- OK! Vamos fazer uma pausa, então.

Largaram as coisas no chão e foram até a beira do rio lavar o rosto. A água era transparente e cristalina, a ponto de ser possível enxergar os peixes abaixo da superfície.

- Pegue o anzol e a linha no kit de pesca, dentro da mochila! - ordenou o líder. – Vamos pegar alguns peixes para o almoço.

Entretanto, quando o jovem se voltou em direção ao equipamento na mochila, viu um bando de animais saírem correndo da mata e atravessando para o outro lado do rio. Alguns deles, em desespero, foram arrastados pela correnteza rio abaixo, na ânsia de tentar fugir para o outro lado. Tão rápido quanto surgiram, os que conseguiram atravessar desapareceram entre as árvores da floresta que continuava na margem oposta do vale.

- Rápido! Temos que nos esconder! - gritou Professor Rodrigo.

Os dois largaram tudo e correram para o outro lado da correnteza que, por sorte, estava relativamente rasa. Se enfiaram entre os troncos das árvores e pararam para espiar, assustados, o que vinha logo atrás. Tomados pelo horror, eles avistaram algo que ao mesmo tempo os encantou e aterrorizou.

Vindo do céu, por cima da mata, um monstro alado e enorme desceu, batendo as asas elegantemente, até atingir o solo de rochas e seixos. Ele deveria ter, ao menos, uns 9 metros de envergadura por 3 de altura, com uma cauda de serpente terminando em uma ponta óssea e afiada. Sua cabeça gigante parecia a de um enorme lagarto com uma coroa de chifres. Portava asas membranosas entre os dedos dos membros posteriores e escamas marrom-avermelhadas por todo o corpo, que brilhavam metálicas à luz do sol. Lembrava os dragões das histórias fantásticas, com a diferença de possuir um enorme bico, feito uma grande ave de rapina.

O monstro caminhou sobre as quatro patas até o rio para beber água. Parou por um instante, percebendo a mochila e os equipamentos atirados no chão. Como se sentisse o odor no ar, a bizarra criatura se virou na direção dos dois e emitiu um grito monstruoso, que deixou-os completamente horrorizados.

- O que vamos fazer? - perguntou Lucas com a voz trêmula, quase sumindo da garganta.

O homem de chapéu e óculos, pálido, e aparentando medo pela primeira vez, apenas respondeu:

- Corre!


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O que vai acontecer com Lucas e Professor Rodrigo?

Será que eles vão conseguir escapar da mortal criatura?

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