Capítulo 21 - A QUEDA

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No momento em que a lâmina dourada penetrou a nuca do dragão, a imensa criatura soltou um grito estridente e ensurdecedor. Tão alto, que Lucas teve a impressão de que toda a Floresta Negra tremia em agonia.

O titã paleolítico amoleceu e caiu de uma altitude de algumas dezenas de metros, girando o imenso corpo cambaleante no ar. Um frio assustador subiu pela barriga de Lucas que, num ato reflexo, soltou-se do animal e caiu em paralelo, até atingir o rio.

Por sorte, o corpo d'água corrente estava com o leito cheio pela tempestade do dia anterior. Com alguns metros de profundidade, amorteceu, em parte, a queda do corpo humano. Mas a queda do monstro provocou uma grande onda que arrastou o magro estagiário para a borda do rio, fazendo-o rolar no fundo feito um boneco. A força da água era tanta que chegou ao ponto extremo de destroncar-lhe o braço.

Uma dor insuportável atingiu todo o seu membro superior, subindo pelo ombro, de modo que até a sua coluna se curvava ao sofrimento. A dor do ferimento o atingira feito um tiro nos ossos, uma tortura física insuportável e assustadoramente real.

Quando a onda se dissipou, seu corpo estava jogado na margem, estatelado e com o braço esquerdo deslocado. Tonto, Lucas respirou meio engasgado e esticou o outro braço, tentando se arrastar para fora daquela água gelada.

Suas pernas estavam funcionando, mas a dor no seu membro superior o deixava fisicamente vulnerável e mentalmente confuso, atordoado. Tentou se levantar mas, num primeiro momento, não conseguiu.

Sentou-se, sem jeito, nas pedras entre o seixo. À beira do rio, ficou por um bom tempo contemplando o corpo gigantesco do dragão morto, enquanto delirava em sua dor. O imenso tronco da criatura e as patas com asas membranosas estavam parcialmente cobertos de água. A enorme cabeça, incrustada de chifres, estava caída para o lado, na parte rasa. Seus olhos assustadores estavam abertos. Era como se o monstro, mesmo após a morte, o estivesse encarando.

- Quem é o Senhor da Floresta agora, Tiamat? - disse, tentando um sorriso torto em meio ao espasmo muscular do membro deslocado.

Um clarão, seguido de um estrondo, surgiu no céu, e a chuva começou a cair torrencialmente. A densa mata, de árvores imensas e copas largas, produzia uma forte umidade atmosférica. Quando atingia alguma massa de ar frio em certa altitude, condensava-se e caía sob a forma de tempestade. Eram as chamadas chuvas de convecção. Ao sul, por causa do frio, não eram tão frequentes. Porém, naquela ocasião, era como se o céu chorasse o fim de um antigo guardião da morte. Apesar de estar finalmente liberta do terrível monstro assassino, a floresta tomou novamente o seu tom cinza e sombrio.

Lucas, com muita dificuldade, olhou para a natureza ao seu redor e questionou:

- E agora, Guardiões da Floresta? Meus colegas morreram! O Velho Jon Morreu! Tiamat foi morta pelas minhas mãos! E, agora? Qual é o sentido de tudo isso?

A chuva fria caía sobre o seu rosto, limpando o suor e trazendo um resquício de bem estar em meio a tanto sofrimento. Permitiu-se chorar, em sua completa solidão e abandono.

- Agora, só falta eu morrer! É assim que acaba?

Sentindo-se derrotado, entregou sua vida à Floresta Negra, misturando suas lágrimas salgadas com a água doce que caía do céu. A dor lhe tomava todos os sentidos de uma forma desesperadora. Aceitou a morte como algo tanto inevitável como necessário para acabar com todo aquele sofrimento. Pela primeira vez, depois de tudo o que vivera até então, desejou o seu próprio fim.

E quando decidiu arrastar-se de volta para o rio, para morrer junto ao monstro, ouviu um sussurro distante, como um chamado quase inaudível, vindo de dentro da densa floresta.


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Será este o fim do protagonista da história?

De quem é o chamado distante que Lucas ouviu em seu delírio de quase morte?

Acompanhe o final deste thriller de terror no próximo capítulo 22 e no epílogo que conclui  esta saga de sobrevivência e horror nos confins da Floresta Negra!

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