Capítulo 19 - O CAVALEIRO DO DRAGÃO

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A nuvem de pássaros atacava freneticamente o grande réptil alado, mas apenas causava ferimentos leves e superficiais na besta. Lucas percebeu que não havia chance de que o monstro fosse morto daquele jeito. A couraça marrom avermelhada, revestida de escamas com brilho metálico, era muito mais resistente do que as centenas de bicadas de corujas, águias e passarinhos da floresta.

Porém, o jovem estagiário percebeu que havia uma espécie de padrão de comportamento, que se repetia durante a luta. Toda vez que o dragão se esquivava das aves, a mancha coletiva o empurrava de volta para a encosta da montanha. Aquilo, estranhamente, deveria significar algo.

Tentando entender o comportamento repetitivo da coletividade, Lucas colocou-se na beirada do ninho, olhando para o penhasco. Sentiu vertigem, pois detestava estar em grandes alturas. O paredão rochoso estendia-se por centenas de metros até atingir o solo. Qualquer um que caísse daquela altura, certamente, viraria um patê humano.

Naquele exato momento, o monstro estava logo abaixo dele. A criatura agarrou-se, com as patas anteriores, numa protuberância ígnea, bicando e balançando a cauda, na tentativa desesperada de espantar a nuvem coletiva.

Perdido em cálculos e devaneios sobre vida e morte, Lucas despertou dos seus pensamentos confusos com um farfalhar de asas. Foi um gavião que pousou ao seu lado.

O animal fitou-o com seus olhos de rapina, não como uma ameaça, mas como se o intimasse a agir logo. Deu dois passos, aproximando-se ainda mais, e o encarou.

- O que eu devo fazer??? - questionou Lucas, sentindo-se no verdadeiro impasse da sua vida.

O gavião fitou-o nos olhos. Abriu lentamente as asas e mergulhou penhasco abaixo, em direção ao dragão. Lucas ficou boquiaberto observando, dando-se conta da verdadeira loucura que estava prestes a fazer.

Colocou o sabre dourado preso ao cinto. Deu uma última olhada no corpo do filhote de dragão e no que restou de Gael. Apoiando as mãos no parapeito do ninho, o garoto subiu e pôs-se em pé diante da imensidão. Abriu seus braços bem de vagar, olhando para baixo, calculando mentalmente o momento de agir. Respirou fundo, e proferiu as suas últimas palavras antes do ato:

- Que merda bem grande que eu vou fazer... - E pulou.

A queda foi rápida, um deslocamento curto de uns poucos segundos, até seu corpo cair sobre o dorso duro e encouraçado do gigantesco monstro. O grande réptil, percebendo o intruso, contorceu-se para trás tentando bicá-lo, mas não o conseguiu alcançar. O movimento brusco quase o derrubou, mas ele conseguiu agarrar-se nas protuberâncias pontudas que emergiam nas costas da imensa criatura, seguindo a linha da coluna vertebral.

Os pássaros, instantaneamente, afastaram-se de volta para a floresta. Estavam apenas os dois, humano e dragão. O monstro abriu suas enormes asas membranosas e emitiu um grito ensurdecedor, e Lucas teve que suportar para não soltar as mãos da couraça. O réptil alado mergulhou rente à montanha, planando sobre o dossel.

Lucas cavalgava o dragão.


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O jovem protagonista, após sofrer e encarar a morte nas profundezas da floresta, criou coragem para cometer o ato mais insano de sua vida e também o mais perigoso.

O que fará agora o valente Lucas sobre o dorso de um imenso dragão?

Será que ele vai conseguir descer a montanha ou encontrará seu fim nas garras do terrível monstro?

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