(Kat)
Sinto-me vazia. Como se dentro de todo meu ser não existisse nada que me desse razões para meu coração continuar pulsando. Gostaria de não me sentir assim, tão desanimada, mórbida e oca. Mas é inevitável não pensar que ontem fiz treze anos e ainda não fui adotada. Gostaria de ter esperanças, mas se torna cada vez pior. Como se minha visão ficasse embaçada, me puxando para o escuro, onde lá na frente a luz me chama. Talvez toda essa tristeza esteja refletida em meus olhos. E quando os adultos vem até aqui buscar uma criança para mudar a vida deles, a minha expressão traga-los pena fazendo pensar o quanto sou problemática. A única lembrança que tenho de minha antiga vida é esse ursinho que levo sempre comigo. Estou escondida em uma parte da floresta, onde roubei há anos uma corda e fiz um balanço. Na época em que comecei a desistir de mim mesma. Era um tempo onde apesar do medo de envelhecer aqui, queria alcançar as nuvens e me encontrar com minha mãe. Agora me pergunto, porque você fez isso comigo?
(Iuri )
A sua mente corria solta na escuridão de seus pensamentos, seus sentimentos confusos fluíam de seu subconsciente como uma onda furiosa engolindo tudo que encontra pela frente. O que ela sente é uma profunda tristeza, tão profunda como uma cratera na face de um planeta perdido no universo.
Desde que seu pai assassinou sua mãe a facadas e depois atirou contra sua própria cabeça, a vida dela havia se transformado em uma verdadeira agonia.
Seria possível fugir daquilo?
Ela olha para a corda de seu balanço... "É uma hipótese". Pensou ela...
(Patrick)
Seria uma boa ideia eu me matasse, afinal minha existência não tem nem um sentido e as outras pessoas se eu morresse. Daí desfez os nos do balanço e então fez o no perfeito na corda e começou a subir na árvore pra cometer suicídio.
(bruna)
Sabia que não faria falta, e que não sairia desse orfanato até completar 18 anos, afinal, os casais preferiam as crianças mais novas. Da altura em que estava, podia ver um casal adentrando os portões daquele lugar que estava muito próximo de ser o inferno.
(Katlin)
Quando senti o material áspero da corda no meu pescoço, senti que o peso da morte era mais difícil do que parecia. Eu realmente queria isso para mim? Queria terminar assim a minha vida? Todo sacrifício que minha mãe teve em me fazer uma menina boa e amada foi morrendo pela solidão. E agora vou matar a menininha dela? O que eu posso fazer? Acho que a morte não é a resposta que procuro.
Então Lucy retirou com cuidado aquela corta do pescoço, preparando-se para descer da árvore. Quando estava no chão, sentiu que tinha feito a escolha certo. Passou os dedos ressecados no cabelo preto bagunçado, forçou o pensamento a lembrar do sorriso de sua mãe. Com toda cara e coragem, correu para longe da floresta, levando com ela seu ursinho e a esperança de ser adotada por aquele casal que entrava no orfanato.
(Iuri)
Seus pés descalços moven-se rapidamente pelo chão molhado, deixando pegadas pequeninas no chão. Ao longo de seus treze anos de vida Lucy já havia sofrido muito, não só ela, como sua irmã mais nova Clarice com apenas nove anos de idade.
A assistente social que havia recolhido as irmãs não as havia deixado juntas, talvez por pura maldade ou por falta de vagas em seu orfanato. Ao chegar perto da mulher com cabelos ruivos ela, na tentativa de causar uma boa primeira impressão, abre um sorriso de orelha á orelha, um sorriso tão inocente que era impossível não sorrir junto, e assim a ruiva o fez.
- Lucy - Diz a mulher com um tom misterioso. - É sobre sua irmã...
(Bruna)
- O que aconteceu com ela? - fiquei preocupada, não via minha irmã há anos, talvez ela nem se lembre de mim.
- Ao que parece, surgiu um casal para adotá-la, mas eles não são daqui, são da Austrália.
Dei o primeiro sorriso sincero depois de anos de tristeza, pelo menos uma de nós teria salvação.
- Ela te deixou esta carta, a Sra. Constance me entregou um papel meio amassado e se afastou.
Abri o papel e nele dizia que ela havia encontrado um novo pai e uma nova mãe, que estava indo morar em outro país e que esperava que eu tivesse sido adotada também. Quem me dera.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Histórias Interligadas
Historia CortaLivro composto por histórias escritas em conjunto com escritores ( Membros do grupo) toda sexta-feira. História criativa a partir de uma imagem aleatoriamente. Os escritores on-line participação acrescentando um trecho ou mais na história. Fazendo...
