Capítulo 7

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Não sei quanto tempo fiquei desacordada, mas ao abrir meus olhos eu só conseguia ver as cenas de tudo que havia acontecido antes. Aquelas mãos pegajosas e repulsivas me segurando, injetando alguma coisa no meu soro que me fez perder totalmente as forças. Institivamente comecei a gritar.

- ELA VAI ME MATAR! SOCORRO!

- Kat, Kat, calma sou eu – ouvi alguém falar tentando me segurar.

- ME SOLTE, VOCÊ VAI ME MATAR!

- Katrina, é o Gabriel, você está segura.

- NÃO, ELA VAI ME MATAR, ELA COLOCOU ALGUMA COISA NO MEU SORO.

Senti um toque firme em meus braços, tentando me conter.

- ME SOLTE CAMILA! NÃO ENCOSTE EM MIM! SOCORRO!!!!

Prossegui gritando e tentando me soltar, mas logo comecei a ficar fraca, como no momento em que Camila injetou alguma coisa no meu soro.

- Não me mate – sussurrei pouco antes de desmaiar de novo.

Quando acordei novamente a sala estava mais clara. Ainda estava difícil de focar meu olhar em qualquer coisa que fosse, mas vi Matheus sentando ao meu lado, e só então percebi que ele segurava minha mão. Apesar de tudo o que havia falado pra ele, eu não conseguia odiá-lo, só conseguia sentir um carinho enorme por ele, e vê-lo sentado ali, com o rosto coberto de preocupação, soube que todo aquele carinho era recíproco.

– Que bom que está aqui – falei assustando-o.

– Caramba, - respondeu se recuperando do susto – eu não esperava que fosse acordar agora. Espera, não está com raiva que eu esteja aqui?

– De forma alguma – sorri fraco – eu acho que quase morri e.... – fiz uma pausa mordendo o lábio – e isso não poderia acontecer sem...

– Sem? – perguntou se aproximando um pouco mais.

– Sem, sem dizer que - olhei em seus olhos - eu te perdoo, na verdade perdoei no momento em que pediu, mas fui estúpida e, e... – ele não deixou que eu terminasse e atravessou o curto espaço que havia entre nós, me abraçando com toda a força que tinha.

– Pode chorar - repetiu várias vezes em meu ouvido, enquanto minhas lágrimas encharcavam sua camisa.

– Desculpa, eu não quis ser essa megera que fui, eu só queria me proteger e acabei fazendo mal a alguém, aliás, a muita gente - falei entre soluços.

– Respira, – ele olhou em meus olhos como sempre fazia, eu o obedeci e ele continuou - não tem que se desculpar, está bem? Eu magoei você, eu fiz uma promessa que não pude cumprir, eu que lhe devo mil perdões.

– Não é sua culpa, eu que sou uma tola de ainda amá-lo - baixei a cabeça.

– De me amar talvez sim, – ele segurou meu queixo e olhei novamente seus belos olhos verdes - mas sou meio que grato por isso, me trouxe você de volta, e eu ainda a amo mas agora como uma amiga.

Afirmei positivamente com a cabeça e enterrei-me em seu peito.

Depois de me acalmar ele me contou tudo o que tinha acontecido.

Depois que desmaiei, Carlos me trouxe para o hospital e os médicos disseram que o estresse me fez desmaiar, mas que eu ficaria bem em pouco tempo. À noite enquanto Lucas e Carlos dormiam na sala de espera, Matheus ouviu um tumulto, médicos gritavam pedindo um desfibrilador. Ele foi até a porta do quarto onde a gritaria começara, e lá dentro os homens vestidos de brancos pairavam sobre um corpo, o meu. Logo depois ouviu o choque e meu corpo se debatendo em espasmos violentos. Ele entrou no quarto correndo, mas o arrancaram de lá. As máquinas ligadas a mim estavam silenciosas, e não havia pulso algum, eu estava morta. Fecharam a porta do quarto e de repente outros dois pares de mãos o seguraram, Lucas e Carlos tentavam acalmá-lo, mas não adiantou. Eles nem sabiam o que estava havendo e só muito tempo depois Matheus conseguiu se acalmar. Depois de chorar bastante no ombro de Lucas, tomou coragem para contar a eles o que se passava, Carlos se levantou pronto para invadir aquele quarto, mas Matheus o segurou. Lucas ficou chocado, não se moveu por um tempo, e então, caiu no choro.

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