Ouvi ao longe os ruídos de uma máquina me denunciando que, mais uma vez, eu estava no hospital. Forcei minhas pálpebras a se abrirem, e novamente se fecharem com a claridade das luzes sobre mim. Repeti o ritual diversas vezes, até meu olhar se acostumar à claridade.
Devagar, levantei a cabeça e analisei o local cuidadosamente, havia máquinas por todos os lugares, e uma agulha enfiada em meu pulso, levando soro até minha veia. No canto mais afastado da sala, deitado de mal jeito em uma poltrona que parecia muito pouco confortável estava Gabriel, dormindo angelicalmente. Baixei a cabeça novamente, e notei o controle remoto da televisão à minha frente em cima de uma bancada, bem ao lado de meu leito.
Zapeei pelos canais até encontrar um documentário sobre uns caras que fabricavam aquários, no qual nem me interessava o nome. Do nada senti minha cama mexer-se de forma brutal. E antes que pudesse notar, Gabriel me agarrava com tanta força que eu mal conseguia respirar.
– Calma - foi o que consegui dizer.
– Eu te amo, te amo, te amo, te amo muito - repetiu ele entre beijos desesperados que depositava em todos os lugares do meu rosto.
– Socorro, - ri - me deixa respirar.
– Claro, mas antes eu quero que saiba que eu te amo - falou segurando meu rosto.
– Eu sei - afirmei - também amo você.
Nos beijamos carinhosamente, e foi tão especial que foi como se fosse a primeira vez. Durante o beijo lágrimas escorriam pelo rosto de Gabriel, não entendi o porquê, então ele me explicou o que tinha acontecido. Ele me contou que Mônica havia feito aquilo, e como se não bastasse ter sido baleada, a desgraçada ainda teve a astúcia de colocar veneno na ponta da bala, acho que ela queria garantir que eu morresse. No hospital nenhum médico conseguia me estabilizar, e eu estava morrendo. Foi então que precisaram de alguém com o mesmo tipo sanguíneo que o meu, e por ironia do destino este alguém foi Matheus. Mesmo com uma transfusão meu coração não aguentou e parou de funcionar. Gabriel se desesperou e quase agrediu o médico responsável, quando estava sendo arrastado para fora da sala ele gritou meu nome, e por coincidência (ou não) na mesma hora meu coração voltou a bater (depois de quase 10 minutos sem sinal de vida), assim mesmo, milagrosamente. Nenhum médico conseguiu explicar a situação, e agora estavam me chamando de O Milagre.
Fiquei chocada de início, pensei que era uma pegadinha aquela história que eu estive morta, mas depois de ver o rio de lágrimas que percorriam o rosto do Biel eu acreditei, apesar de não me lembrar de nada depois do tiro que levei.
– E a Mônica? - indaguei ao final da história, já que ele disse-me apenas que ela havia me baleado.
– Esquece ela, amor - desviou ele.
– Não, Gabriel, me fala. Ela fugiu? Foi isso?
– É complicado - respondeu ele engolindo em seco, com a voz um pouco embargada.
– Complicado ou não, eu quero saber - insisti.
– Está bem - respirou - quando ela te baleou eu cismei de segui-la, e durante a perseguição ela perdeu o controle do carro, caiu de um desfiladeiro... – os olhos dele estavam marejados – ela morreu.
– Meu Deus - foi a única coisa que eu disse, levando as mãos até minha boca escancarada pelo choque da notícia.
Gabriel baixou a cabeça e eu entendi o que ele estava sentido. Apesar de tudo eu não queria que ela morresse, nem ele queria. Senti que ele se culpava pela morte dela, por tê-la perseguido e causado tudo isso. Senti que mesmo com tudo isso, ele estava despedaçado pois havia perdido uma amiga, não só ele como os meninos também. Meu coração ficou pequeno para tanta aflição. O abracei tentando transmitir todo o carinho possível.
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Amor sem fronteiras
RomanceQuantas vezes a vida te surpreendeu? Quantas vezes o seu coração se partiu? E quantas vezes, sem perceber, você estava se apaixonando novamente? Com Katrina não foi diferente. A vida decidiu que iria surpreendê-la, e que iria dar à ela um grande pr...