Já não aguentava mais aquele suspense todo, não deveria ser tão demorado assim para interrogar uma pessoa, o passar lento daquele relógio estava me irritando, e a televisão ligada em um programa de culinária chinesa tedioso não ajudava muito. Horas mais tarde quando estava quase pegando no sono, Gabriel chegou da delegacia trazendo consigo o vídeo do interrogatório de Camila e me deu para assistir, mesmo que os médicos tivessem dito que eu não deveria ver. Ela era loura, alta e bem dotada de corpo.
– Muito bem, Camila Soares, vamos ser diretos, okay? - começou o interrogador.
– Pode ser, querido - ao ouvir o som de sua voz, senti uma repulsa enorme crescer dentro de mim.
– Porquê tentou matar Katrina Nunes? - perguntou.
– Quem disse que fui eu? - respondeu, sua voz nojenta me fazendo tremer de ódio.
– Não negue, senhorita Soares, por favor. Não complique mais ainda sua situação, sei bem que foi você, suas digitais foram encontradas no saco de soro da vítima.
– Fui eu sim, e daí?
– Porquê fez isso? - repetiu a pergunta.
– Porquê ela é uma nojentinha que não merece nada do que tem - respondeu com desdém.
– Por isso que tentou envenená-la?
– Você fala tentou como se ela não tivesse morta - disse debochada.
– Felizmente, sua tentativa foi falha - ao ouvir isso, seus olhos se arregalaram ao máximo - agora, por favor, me responda, foi apenas por ódio que tentou matá-la?
– Também, mas tive um incentivo.
– De quem?
– Não sei o nome completo dela, mas seu primeiro nome era Mônica.
- E como se conheceram?
- Ela me procurou alegando que conhecia minha maior inimiga e que queria me ajudar a acabar com ela.
Eu demorei um pouco para processar o que estava acontecendo. Olhei para Gabriel e ele estava cabisbaixo, parece que estava decepcionado. A única Mônica que eu conhecia era...
- Ela está falando da namorada do Matt? – arregalei os olhos.
Gabriel respirou fundo e vi uma lágrima passear pela sua bochecha. Quando me olhou, vi toda a dor que ele sentia e conclui que havia sido ela mesma.
- Matt acabou com ela no dia que você veio para o hospital quando desmaiou. Ela vinha resmungando de você à um bom tempo e isso desgastou a relação dos dois. Quando estava vindo para o hospital, ela reclamou pelo fato de que ele iria "abandona-la" para te dar apoio, foi ai ele chegou no limite, – Gabriel passou a mão nos cabelos castanhos, parecia perdido – Ele acha que realmente foi ela, pelo fato de ela ter dito que vocês dois iam pagar à ela, e está completamente abatido com toda situação. Eu e os meninos repetimos várias vezes que não podia ser a ex dele, tentando convencer mais à nós mesmos que o próprio Matheus, mas no fim das contas resolvemos dar queixa dela.
- Eu não consigo imaginar o quão mal o Matt está, – falei pensativa, então olhei pra ele – Você também não está nada bem com isso...
- É que ela havia virado parte da nossa trupe, sabe? – sua voz demonstrava o tamanho da dor dele – Ela era nossa amiga.
- Sinto muito por ter estragado a vida de vocês – falei me dando conta de que tudo isso era culpa minha.
– Ei, não fica triste, - segurou meu rosto, suas mãos gigantes quase cobrindo o mesmo – Não foi sua culpa, não diga mais isso.
– Tudo bem - respirei - eu vou esquecer tudo isso, já tenho meus planos.
– Posso saber? - perguntou.
– Claro, - sorri - você faz parte deles - ele me olhou curioso.
– Os meninos também?
– Não, eu estive pensando e.. – minha voz vacilou, eu poderia estar me precipitando demais com isso, mas já estava feito – eu preciso te recompensar pelo meu erro, então decidi que vamos viajar só você eu.
Gabriel ficou muito tempo sem me responder, olhando para mim de um jeito esquisito, e me deixando muito apreensiva.
– Biel? Não vai dizer nada? - indaguei apertando freneticamente as mãos, deixando o nervosismo tomar conta de mim.
– É um sonho – finalmente falou.
– Não é não, vem cá – chamei-o para sentar-me junto a mim.
Ele se moveu tão rápido que em um piscar de olhos eu já segurava suas mãos e o puxava para a cama.
– Suas mãos estão frias, - comentei esfregando as mesmas - não é um sonho - repeti.
– Como...? – ele olhou em meus olhos, sentando-se ao meu lado.
– Por isso.
Devagar, calculando minuciosamente os meus movimentos, aproximei nossos rostos olhando em seus olhos. O olhar de desejo dele indicou que ele sabia o que viria à seguir. Minha respiração pesou e arfei contra a pele macia de seu rosto, senti seu nariz um pouco frio encostar-se em minha bochecha, e um arrepio eletrizante percorreu todo meu corpo. Em poucos segundos senti seus lábios quentes se encostarem aos meus, nossas bocas entrelaçadas em um beijo ardente, o gosto doce de seus lábios me fazendo querer mais. Com relutância nos afastamos, o som de nossas respirações pesadas tomaram o ambiente, sem olhar para ele, eu disse:
– Quero tentar com você - falei pausadamente, ainda tentando recuperar o fôlego - eu quero esquecer o passado e acho que você é o meu caminho para o futuro.
– Bom, isso que acabou de acontecer foi uma prova bem convincente de tudo – sorriu.
– Isso é um sim para toda essa loucura que planejei?
– E você ainda tem alguma dúvida? - aproximou novamente nossos rostos.
– Nenhuma – sorri e beijei seus lábios novamente.
Graças aos céus naquele mesmo dia tive alta. A sensação de liberdade me tomou por completo, além da felicidade e ânsia por aquela viagem que iniciaria em dois dias. Carlos e Gabriel foram me deixar em casa, e me aliviei mentalmente ao notar que estava tudo normal entre eles, nenhuma mágoa devido à briga, e para descontrair um pouco mais puxei assunto.
– Então, Carlos, como é o nome da tal garota?
– Garota? - indagou Gabriel, confuso.
– Sim, ele e Lucas conheceram duas garotas, me disseram que elas são incríveis.
– Nossa, nem me disse nada, amigão - deu um murro no ombro de Carlos, que dirigia e apenas ria da nossa conversa.
– Fala logo - implorei.
– Não, - respondeu com um sorriso sapeca - você só vai saber quando conhecê-la.
– Só pode ser piada - brinquei.
– Pior que não é, quando você voltar da sua viagem conversamos sobre isso.
– Como você... ah, Gabriel seu bocão, já disse a todos? - estapeei a cabeça dele.
– Me deixe ser feliz - riu.
Ao chegar em casa, despedi-me de ambos, e fui saltitante arrumar minhas malas.
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Amor sem fronteiras
RomantiekQuantas vezes a vida te surpreendeu? Quantas vezes o seu coração se partiu? E quantas vezes, sem perceber, você estava se apaixonando novamente? Com Katrina não foi diferente. A vida decidiu que iria surpreendê-la, e que iria dar à ela um grande pr...